António Pinheiro

Profissional de marketing, músico e corredor por prazer. Corre na estrada, no monte e de um lado para o outro na vida, atrás e à frente dos filhos.

“Trombones Triumphant” – Don Keller

Fevereiro 2nd, 2022

Mais uma obra saída da longínqua K7 da Sociedade Filarmónica de Crestuma.

Uma potente marcha, onde os trombones mandam na coisa e não há muito mais a dizer.

Composta em 1940, pelo trombonista Don Keller, foi rapidamente introduzida no reportório das bandas militares americanas, que a espalharam pelo mundo durante e após a Segunda Guerra Mundial. Até aos dias de hoje continua a ser tocada, por bandas militares e civis e Portugal não é excepção (toquei-a bastante durante a minha passagem pela Banda de Gondomar, por exemplo).

Ciente da popularidade da marcha, Keller escreveu e publicou mais três com títulos semelhantes: Trombone Special (1941), Tribute to Trombones (1944) e Trombone Tribunal (1949).

Sabe sempre bem e, porque não, logo de manhã?

Aqui na interpretação da Banda de Melres, sob a direcção de José Carlos Ferreira, num registo do nosso Grande Curador, Damião Silva.

 

“La Concha Flamenca” – Perfecto Artola

Janeiro 28th, 2022

Foi um hit na abertura de concertos e arraiais nos anos 80 e 90, reconhecível ao primeiro compasso e que ainda se vai ouvindo por aí.

Mítico pasodoble para solistas de Perfecto Artola, conceituado músico, compositor e maestro espanhol, com uma carreira invejável.

“Considerado o protótipo do músico completo, maestro magnificamente dotado, de batuta firme e segura, destreza particular, com grande conhecimento dos grupos que dirigiu, especialmente a banda – que dominava com maestria – a sua faceta como compositor foi igualmente frutífera até aos se últimos dias. Autor de rica inspiração espontânea, colorida, melódica e grande imaginação, oferece-se como compositor de formação séria e apaixonado pelas formas clássicas.”

(livremente adaptado de: https://web.archive.org/web/20090916142333/http://www.guateque.net/maestro_perfecto_artola.htm)

Como diria alguém que todos conhecemos, “é preciso muito salero para tocar” a “La Concha Flamenca”.

Mais uma para abrir o concerto da tarde, enquanto ainda está tudo a acordar da dormência do verde fresquinho ingerido ao almoço.

Aqui, na interpretação da Banda Marcial de Fermentelos, dirigida por Carlos Marques (Balaú), numa captação de Damião Silva, Grande Curador do Reportório Filarmónico:

“Samorraia” – Ilídio Costa

Janeiro 26th, 2022

Andava há anos à procura de um registo desta marcha e encontrei hoje, meramente por acaso.

Esta é daquelas que eu conhecia ainda antes de sequer imaginar que um dia seria filarmónico.

Estava na K7 da Sociedade Filarmónica de Crestuma que ouvi muitas vezes ao lado do meu pai. Infelizmente, deixou de se tocar, precisamente, na altura em que entrei para a banda. Nunca mais a ouvi, por mais banda nenhuma, o que é pena… pois terá sido a marcha que me fez gostar de marchas.

E hoje, ao deambular pelo Youtube… ela apareceu, na interpretação da ACMA – Banda Musical de Avintes, dirigida pelo meu amigo, de longa data, Ruben Castro.

As condições acústicas estão longe de ser as melhores, mas o COVID obrigou a estes concertos em espaços pouco adequados. É o que é, e realço, mais uma vez, o empenho do Grande Curador do Reportório Filarmónico, Damião Silva, a guardar para a posteridade estes registos.

“Mars der Medici” – Johan Wichers

Janeiro 25th, 2022

Não sei se, para os meus leitores assíduos, esta marcha é um clássico. Para mim, é. Para mim e, eventualmente, para duas gerações de músicos da Sociedade Filarmónica de Crestuma, nas décadas de 80 e 90, que tocaram sob a direcção do Maestro Joaquim Costa.

Era uma das obras “de bandeira” da banda, tocada sempre de forma enérgica e empolgante, fosse a abrir ou a encerrar concertos.

Johan Wichers, que também era conhecido como “O Rei da Marcha”, foi  um trompetista, no início do século XX, que embora não tivesse formação musical formal, tornou-se um famoso compositor de marchas, sendo que as composições eram frequentemente baseadas nas suas experiências pessoais. “Mars der Medici” foi um agradecimento aos médicos que cuidaram dele durante uma longa recuperação no hospital. Internacionalmente, é um dos “hits” no estilo de marcha, mas em Portugal não é do que mais se ouve, talvez por nós termos as nossas marchas, também elas muito boas.

De qualquer modo, aqui fica um momento de saudade dos meus primórdios filarmónicos, com a “Mars der Medici”, interpretada pela Banda de Golães, sob a direcção de Filipe Silva, num registo do Grande Curador do Reportório Filarmónico, Damião Silva.

 

“Highlights from Chess” – Johan de Meij

Janeiro 21st, 2022

As novas gerações terão uma certa dificuldade em compreender que, durante os anos 80, era frequente vermos no telejornal peças noticiosas dedicadas a épicos confrontos de Xadrez, nomeaedamente entre Garry Kasparov e Anatoly Karpov.

Eram também os tempos da Guerra Fria, os ABBA tinham acabado, a secção masculina da popular banda sueca estava refém da sua criatividade e ajudou o letrista Tim Rice a dar vida a um antigo projecto seu, através de um álbum conceptual, intitulado “The Chess”. À semelhança de obras como “Jesus Christ Superstar”, o álbum viria a dar origem a um musical (podem procurar mais sobre o mesmo na Wikipedia).

Não sendo daqueles musicais que enchem o ouvido, é composto por um  bom punhado de temas nos quais Johan de Meij pegou e compilou num extremamente bem conseguido poema sinfónico. À semelhança do que escrevi sobre “Miss Saigon”, “Highlights from Chess” é bem mais que um simples medley. Aqui há anos, num curso de direcção, o maestro Vilaplana referia até que acha mais brilhante este “arranjo” para banda, do que o próprio musical em si.

Esta obra chegou às bandas na mudança de século e integrou um leque de composições que nos fizeram compreender que uma banda até pode soar de maneira diferente; que, por vezes, temos que utilizar teclados e outros instrumentos menos “tradicionais” e que até podemos encontrar calhaus no reportório mais “ligeiro”.

Não é daquelas obras que se ouça muito em arraial, é verdade, resultando melhor em concerto, mas é boa, muito boa e merece este destaque.

Aqui fica na interpretação da Banda Musical de Melres, sob a direcção do meu amigo Prof. Luís Macedo, num registo do inefável Damião Silva.

“Serranesca” – Silva Marques

Janeiro 20th, 2022

Desde o início destas publicações sobre “Clássicos Filarmónicos”, a “Serranesca” estava na calha. Contudo, era difícil para mim falar sobre uma obra que conhecia mal, basicamente, apenas a partir dos relatos de outros colegas que já a tinham tocado.

Uma obra daquelas que se encontrava nos famosos “papéis amarelos”, manuscritos, de que todos falavam com entusiasmo e um “brilhozinho nos olhos”. Uma composição com “cheiro” a arraial, povo, festa, alegria, mas também a melancolia lusitana.

A filarmonia é também isto, a partilha de emoções, de geração em geração.

Depois de já ter falado de Silva Marques, aquando da reflexão sobre o “Capricho Varino“, aqui fica mais uma das suas obras mais marcantes, numa bela interpretação da Banda de Golães, sob a batuta de Filipe Silva, num registo da Afináudio.

 

“Marcha Radetzky” – Strauss

Janeiro 1st, 2022

Johann Strauss (Vater), Radetzky-Marsch op. 228, Tobias Haslinger?s Witwe & Sohn, Wien 1848

Dedicada Marechal de Campo Joseph Radetzky, para comemorar a vitória na Batalha de Custoza, foi estreada a 31 de Agosto de 1848, em Viena, tornando-se rapidamente popular entre os soldados de infantaria. Mais festiva que marcial, tornou-se um “hino não-oficial” da Áustria, juntamente com o “Danúbio Azul”. É usada em todo o Mundo, desde a publicidade a eventos desportivos, cerimónicas oficiais e foi mesmo adoptada por alguns corpos militares como marcha de desfile ou honorífica.

Foi introduzida no Concerto de Ano Novo da Filarmónica de Viena em 1946, pelo maestro Joseph Krips, sendo desde essa altura executada como “encore jubilante.”

Aqui fica na leitura da Banda de Famalicão, dirigida por Fernando Marinho:

 

 

 

“Pomp and Circumstance in D, Opus 39, No. 1” – Elgar

Dezembro 31st, 2021

 

A terminar o ano, um Clássico que não será propriamente “Clássico Filarmónico”, pois não se ouve muito por aí. Aliás, ao longo do meu percurso filarmónico, só toquei esta obra na Banda Visconde de Salreu.

No entanto, penso que faz todo o sentido partilhar a “Pompa e Circunstância” no dia de hoje, pelo seu carácter solene, nobre, épico e empolgante. E, porque não, começarmos todos a tocar isto mais vezes?

Esta é a primeira de seis marchas escritas por Elgar, com título inspirado num trecho do terceiro acto de Otelo, de Shakespeare. Estreada em Liverpool, em 1901, foi dedicada ao seu amigo Alfred Rodewald e a todos os membros da Liverpool Orchestral Society, tendo sido dirigida pelo homenageado.

O Trio contém a melodia conhecida como “Land of Hope and Glory”. Em 1902, a melodia foi reutilizada, de forma modificada, para a seção “Land of Hopeand Glory” da Ode de Coroação para o rei Eduardo VII. A letra foi modificada para se ajustar à melodia original e, como resultado, tornou-se desde então um dos mais importantes momentos no “Last Night of the Proms”, um hino desportivo inglês e uma canção patriótica britânica.

Os americanos também gostam muito disto para as suas famosas cerimónias de formatura.

Aqui fica na interpretação da inigulável banda dos “Marines”:

 

António Pinheiro

Profissional de marketing, músico e corredor por prazer. Corre na estrada, no monte e de um lado para o outro na vida, atrás e à frente dos filhos.