António Pinheiro

Profissional de marketing, músico e corredor por prazer. Corre na estrada, no monte e de um lado para o outro na vida, atrás e à frente dos filhos.

“Final da 4ª Sinfonia” – Tchaikovsky

Setembro 22nd, 2021

Qual é o “calhau”, qual é ele, que tem um extracto na entrada de uma canção dos Pink Floyd?

“(…)

O quarto andamento. Se dentro de si não encontra motivos para alegria, olhe para os outros. Saia entre as pessoas. Veja como eles podem divertir-se, entregando-se de todo o coração aos sentimentos de alegria. Imagine a alegria festiva das pessoas comuns. Mal conseguiu esquecer-se de si mesma e deixar-se levar pelo espetáculo das alegrias alheias, o destino irreprimível reaparece e o faz lembrar de si mesma. Mas os outros não se importam consigo e não perceberam que está solitária e triste. Oh, como eles se divertem! Estão muito felizes porque todos os seus sentimentos são simples e directos. Rejeite-se e não diga que tudo neste mundo é triste. A alegria é uma força simples, mas poderosa. Alegre-se com a alegria dos outros. Viver ainda é possível.

Isso, minha cara amiga, é tudo que posso explicar a sobre a sinfonia. Claro, isso é vago e incompleto. Mas uma qualidade intrínseca da música instrumental é que não cede à análise detalhada (…)”

Assim escreveu Tchaikovsky sobre o último andamento da sua quarta sinfonia.

Assim o tocou a Banda de Arcos de Valdevez, no Concurso de Bandas Filarmónicas Braga 2016, sob a direcção de Gil Magalhães, com gravação Afinaudio.

 

“Clarinet Concerto” – Artie Shaw

Agosto 20th, 2021

CLÁSSICOS FILARMÓNICOS

Fim da 4ª Temporada – “Procura aí o papel…”

Há obras que ficam para sempre associadas aos intérpretes.

Vou cometer uma inconfidência e partilhar um excerto de uma conversa que tive esta semana com o Ricardo Torres:

“Em relação ao Artie Shaw, devo-o ter tocado umas 100 vezes com a BMF. (…)  sem querer ser pretensioso, acho que marcámos uma posição em relação a esse estilo e peça. (…) Não sei se existem vídeos disso, mas de qualquer forma está gravado numa dos cd’s da banda. Era sempre uma das últimas obras do dia, depois de arruadas, concertos e procissões . Só eu sei o esforço que era (e beiças de aço) para fazer aquilo. Mas era uma sensação que poucos têm a oportunidade de experimentar.”

Tenho pouco a dizer sobre a obra, porque ela fala por si. Sinto-a de forma muito visceral e acho que é a melhor forma de me despedir dos Clássicos Filarmónicos (pelo menos neste formato regular e diário).

Para quem é clarinetista e apaixonado pelo swing este Concerto tem tudo. E o Torres ainda lhe acrescenta um toque muito especial pelas improvisações que lhe mete, com muito critério e bom gosto. Porque, isto de tocar jazz, não é só “guinchar”, “glissar” e mandar “notas à sorte”. É preciso ter “soul”, “groove” e essas coisas todas impossíveis de descrever por palavras.

Aqui fica a incrível interpretação do Ricardo Torres, com a Banda Sinfónica da GNR, sob a direcção do Sargento-Mor Armindo Pereira Luís.

“A Jazz Flavour” – Afonso Alves

Agosto 19th, 2021

CLÁSSICOS FILARMÓNICOS

4ª – Temporada – “Procura aí o papel…”

Músico, Maestro, Compositor e Pedagogo. Afonso Alves é uma figura incontornável da nossa Filarmonia.

Já escrevi esta introdução antes, mas hoje faz sentido repeti-la. Afonso Alves completa hoje mais um aniversário e a melhor forma de o homenagearmos é através da partilha da sua Música.

Felizmente, tenho uma relação de amizade com vários compositores portugueses mas, com o Afonso, essa relação é verdadeiramente especial. Horas e horas a partilhar o palco, muitas “tainadas” (a melhor parte), imensas conversas sobre Música, Filarmonia, Arte e Vida. (e até lhe dou suporte informático…)

“A Jazz Flavour” é uma das suas composições que mais aprecio, porque demonstra a sua versatilidade como compositor, sem perder a sua marca de autor.

Já a toquei várias vezes sob a direcção do próprio e sempre com uma forte componente cénica.

Quando vos faltarem ideias para reportório “ligeiro”, têm aqui uma boa opção.

E, porque não, aproveitar para relembrar as suas outras obras já aqui abordadas?

(o facto de ter tantas obras nesta rúbrica, mostra bem a proficuidade do seu trabalho)

Parabéns, Afonso! Aqui fica o teu “Jazz Flavour”, num registo da Molenaar. Certamente numa interpretação dirigida por ti. Se me ajudares a identificar a banda, agradeço.

E, como o próprio costuma dizer: “Que a Música faça sempre parte das vossas vidas!”

 

“Zola” – Luís Cardoso

Agosto 18th, 2021

CLÁSSICOS FILARMÓNICOS

4ª Temporada – “Procura aí o papel…”

Não é um “Clássico”, mas espero que venha a ser.

Não é um “Clássico”, mas faz todo sentido partilhar, precisamente, neste momento.

Ricardo Pires, um dos solistas que podem ouvir abaixo, Saxofonista da Banda de Música da GNR, foi convidado para apresentar-se a solo com a Orquestra de Jovens da União Europeia, substituindo Jess Gillam, uma das mais reputados solistas a nível mundial.

Foi ontem, 17 de agosto, em Itália, que Ricardo Pires interpretou como solista a obra “Where the Bee Dances”, do compositor Michael Nyman.

O concerto foi dirigido pelo, internacionalmente, aclamado Maestro Vasily Petrenko e teve lugar no Teatro Comunale / Stadttheater em Bolzano.

Por isso, faz todo o sentido partilhar “Zola” de Luís Cardoso.

Duplo concertino para saxofones e banda, escrito para a Banda Marcial de Fermentelos, para a comemoração do seu 150º Aniversário, é uma obra inspirada na música de Astor Piazolla.

Sob a direcção de Hugo Oliveira, Marcial de Fermentelos, com Ricardo Pires e Rodrigo Lima, num registo Afinaudio:

 

“L’italiana in Algeri” – Rossini

Agosto 17th, 2021

CLÁSSICOS FILARMÓNICOS

4ª Temporada – “Procura aí o papel…”

E cá estamos nós com Rossini de novo.

Depois de “Guilherme Tell”, “La Gazza Ladra” e o “Barbeiro de Sevilha”, chega a vez da abertura da ópera “L’italiana in Argeli” (Uma Italiana em Argel).

Quando penso em “Argel” penso sempre no mítico Madjer e no seu calcanhar de Viena.

Futebóis à parte, a Italiana soa tão bem em banda que até parece escrita para banda.

Ópera em estilo jocoso, narra a história de uma bela prisioneira que, vestida em estilo imperial, mas com calças largas para parecer mais árabe, foi sequestrada por terríveis berberes. Ela está tranquila, pois sabe que, graças à sua beleza, pode fazer com eles o que quiser. Coisas de mulher…

E aqui fica esta simpática abertura, ideal para uma fresca e solarenta manhã de Verão.

Sociedade Filarmónica e Recreativa de Pêro Pinheiro, dirigida por Alberto Freitas, num registo Afináudio.

 

“Paisagem Matizada” – Ilídio Costa

Agosto 16th, 2021

CLÁSSICOS FILARMÓNICOS

4ª Temporada – “Procura aí o papel…”

Lembram-se do vosso primeiro “ganso”? A primeira vez que vestiram outra farda que não a vossa, tocaram com uma banda praticamente desconhecida, a ler quase tudo à primeira vez?

Eu lembro-me e lembro-me que, entre outras obras, toquei a “Paisagem Matizada” e: “La France”, “Marcha Eslava” e “Catorze Minutos no Parque”.

Lembro-me que foi num 24 de Abril, talvez de 1997, com a Banda de Avintes, dirigida por Lino Pinto.

Lembro-me que no final, o meu primeiro professor de Música, o Sr. António Rufino Moura (que, à época, tocava em Avintes, depois de ter deixado a banda de Crestuma) disse-me palavras inesquecíveis, mas que guardo para mim.

Revisitei hoje esta grande fantasia de Ilídio Costa. Pela memória, mas também por ter sido bastante sugerida na primeira temporada dos Clássicos Filarmónicos.

Aqui fica ao vivo, Banda da Sociedade Filarmónica Progresso Matos Galamba – PAZÔA, dirigida por João Neves.

 

“Bellas Artes” – Aurelio Nieto

Agosto 14th, 2021

CLÁSSICOS FILARMÓNICOS

4ª Temporada – “Procura aí o papel…”

A minha primeira época filarmónica ficou marcada por dois pasodobles / marchas de concerto: o “Fiel” (já aqui analisado) e este “Bellas Artes”. À época, os concertos da banda de Crestuma abriam com uma dessas duas obras ou, eventualmente, com a “Puenteares” (também já aqui apresentada).

Esta é daquelas que nunca mais ouvi ninguém tocar e no Youtube não encontrei qualquer registo de bandas portuguesas a fazê-lo.

É uma peça encantadora, principalmente pelo primeiro tema das madeiras e pela variação de flauta no trio, variação essa que no arranjo que tocávamos em Crestuma estava também transcrita para os primeiros clarinetes (resultado da escassez de flautas nas bandas de há 30 anos).

Aqui fica na interpretação da Banda da Escola de Música de Rianxo.

 

“Rienzi” – Wagner

Agosto 13th, 2021

CLÁSSICOS FILARMÓNICOS

4ª Temporada – “Procura aí o papel…”

“O libretto de Wagner tem por base a novela Rienzi, O Último dos Tribunos de Edward Bulwer-Lytton (1835) e a peça teatral de Mary Russel Mitford (1828) sobre o mesmo tema. A acção desenrola-se em Roma, em meados do século XIV, e narra a senda do patriótico tribuno romano Cola Rienzi, na sua tentativa de restaurar o carácter imperial de uma Roma em decadência, libertando a cidade do jugo da nobreza corrupta que a dirigia. Apesar do sucesso inicial, Rienzi acabaria por ser excomungado pelo Papa e, finalmente, apedrejado pela populaça juntamente com a sua irmã Irene, no Capitólio que é entretanto incendiado.

A Abertura apresenta-se -nos como uma forma tradicional e é baseada nos temas da ópera. Abre num andamento lento, iniciado pelos trompetes e que anuncia um primeiro tema nas cordas, a “Prece pelo Povo de Rienzi”, de grande ênfase e lirismo. A peça prossegue à medida que toda a orquestra entra em cena, seguindo de algum modo um esquema clássico de exposição e reexposição temática, mas acenando à técnica do leitmotiv wagneriano. Uma coda de grande intensidade, baseada no tema da batalha, termina a abertura.”

in: Casa da Música

A dada altura do meu crescimento musical, as minhas tardes de domingo eram passadas à volta de vinis e K7s, com os meus amigos Hugo Oliveira e Marco Cancela, a ouvirmos, gravarmos e regravarmos muita música sinfónica, nomeadamente, Wagner.

Tornei-me um “Wagneriano” convicto, o que até teve consequências na minha aprendizagem de clarinete: “não podes tocar tudo como se fosse Wagner!”, dizia-me o professor Saul Silva.

A abertura da “Rienzi” é daqueles calhaus que, ou se toca bem, ou é melhor estar quieto. Toquei-a nas bandas de Crestuma, Avintes e Marcial de Fermentelos e é sempre bom revisitá-la, aqui na leitura da Banda de Revelhe, sob direcção de Paulo Pereira, num registo da Afinaudio.

António Pinheiro

Profissional de marketing, músico e corredor por prazer. Corre na estrada, no monte e de um lado para o outro na vida, atrás e à frente dos filhos.