António Pinheiro

Profissional de marketing, músico e corredor por prazer. Corre na estrada, no monte e de um lado para o outro na vida, atrás e à frente dos filhos.

“Damião Silva” – Vitor Resende

Abril 18th, 2022

Hoje, 18 de Abril, o Grande Curador do Reportório Filarmónico, autor de muitos dos vídeos desta rúbrica, Damião Silva, completa mais um aniversário e, por isso, faz todo o sentido partilhar esta marcha, de autoria de Vitor Resende, composta em sua homenagem.

Aqui fica na interpretação da Banda Marcial de Fermentelos, sob a direcção de Hugo Oliveira (e comigo ali no bombo).

Parabéns, Sr. Damião! Espero encontrá-lo, muito em breve, numa romaria algures por aí:

“Poeta e Aldeão” – Franz von Suppé

Abril 16th, 2022

Por incrível que pareça, estava perfeitamente convencido que já tinha dedicado um artigo a esta obra, um clássico a todos os níveis. Mas não. Estava no fundo da pasta à espera de vir para a estante dos Clássicos.

“Poeta e Aldeão” estreou-se como música incidental para uma comédia de Karl Elmar, com o mesmo título, mas viria a ser transformada, após a morte de Suppé, numa opereta em três actos.

Contudo, foi a sua abertura que ficou popularizada no reportório sinfónico e filarmónico. É um verdadeiro hit nos arraiais de Norte a Sul de Portugal.

E sim, os arraiais estão a regressar.

Este é um daqueles exemplos que demonstra que uma obra sinfónica para ser bela, não precisa ser difícil. Contudo, a sua “facilidade” é aparente. Já vi muito bom clarinetista a dar nós nos dedos a tocar isto.

Aqui fica “Poeta e Aldeão” na interpretação da Banda Musical de Souto, sob a direcção do meu grande amigo, Manuel Luís Azevedo, num registo da Afinaudio:

 

Andamentos

Março 31st, 2022

O medley “Francisco Magalhães” de Luís Cardoso já foi abordado neste espaço em tempos.

Uma obra relativamente recente mas, definitivamente, um clássico.

Para hoje, proponho um pequeno exercício:

1º – Vamos ouvir os próprios Scorpions a interpretar o “Rock you like an hurricane”, aqui:

2º – É neste andamento que tocam nas vossas bandas? Em caso negativo, justifiquem.

3º – Concordam com a frase “No andamento em que os Scorpions tocam, fica bem melhor, com um groove mais poderoso!” ? Justifiquem.

As romarias estão a regressar…

“76 Trombones” – Meredith Willson

Fevereiro 18th, 2022

Lembram-se de quando éramos miúdos e aparecia um brinquedo da moda e, re repente, toda a gente brincava com aquilo. Os yo-yo’s, por exemplo. Depois eram os berlindes. Depois outra cena qualquer. As modas vinham e iam.

No reportório filarmónico acontecem fenómenos semelhantes.

Ali no início dos anos 2000, de repente, apareceram os “76 trombones” e toda a gente começou a tocar.

“76 trombones” é uma popular melodia do musical “The Music Man” e dos filmes (1967 e 2003) inspirados no mesmo.

A história desta canção até é engraçada, dado que se trata da bazófia de um “professor” sobre uma banda com… 76 trombones. A letra é deliciosa e eu nem traduzi para não perder a piada:

Seventy six trombones led the big parade,
With a hundred & ten cornets close at hand.
They were followed by rows and rows,
Of the finest virtuosos,
The cream of every famous band.
Seventy six trombones caught the morning sun,
With a hundred & ten cornets right behind.
There were over a thousand reeds,
Srpinging up like weeds,
There were horns of every shape & size.
There were copper bottom timpani in horse platoons,
Thundering, thundering, all along the way.
Double bell euphoniums and big bassoons,
Each bassoon having its big fat say.
There were fifty mounted canons in the battery,
Thundering, thundering, louder than before.
Clarinets of every size,
And trumpets who’d improvise
A full octave higher than the score!
Seventy six trombones hit the counterpoint,
While a hundred and ten cornets blazed away.
To the rhythm of Harch! Harch! Harch!
All the kids began to march,
And they’re marching still right today!”

Bazófia… quem nunca?!

Ao fazer o arranjo para banda, Nahoiro Iway, meteu uns “pózinhos” lá pelo meio, incluindo o “The Stars and Stripes Forever”.

Tudo somado, soa sempre bem e tornou-se um clássico deste lado do Atlântico.

Aqui na interpretação da Banda de Fajões, sob a direcção de Bruno Costa. Partilho também abaixo duas incríveis versões do original:

 

 

“Homenagem às Praças” – Fernando Costa

Fevereiro 3rd, 2022

Conheço esta marcha “de vista”, há 28 anos. Andava nas cadernetas da Sociedade Filarmónica de Crestuma, apesar de nunca a ter tocado.

Há dias, um amigo sugeriu que a ouvisse.

E foi amor à primeira audição.

Nos últimos anos tem-se assistido a um certo preconceito face às marchas de desfile portuguesas, principalmente as mais antigas. Mas, a música boa tem idade?

É bom ouvir novas sonoridades, novos formatos, mas preciosidades como esta, de um dos mais frofícuos compositores portugueses merecem mais tempo de antena.

Parece que é desta que as nossas romarias vão voltar e, porque não, fazer voltar também o nosso reportório mais tradicional?

“Homenagem às Praças” é uma marcha bem portuguesa mas, se eu apagasse o nome do compositor e dissesse a quem não a conhecesse, que o seu compositor era um “John Smith do Texas” qualquer, as pessoas acreditariam.

Na sequências dos últimos postos mais “marciais” aqui do estaminé, aqui fica mais uma marchinha para aquecer.

“Homenagem às Praças”, na interpretação da Banda Sinfónica do Exército, sob a direcção do Tenente Coronel Reginaldo Neves, num registo da Afináudio.

“Trombones Triumphant” – Don Keller

Fevereiro 2nd, 2022

Mais uma obra saída da longínqua K7 da Sociedade Filarmónica de Crestuma.

Uma potente marcha, onde os trombones mandam na coisa e não há muito mais a dizer.

Composta em 1940, pelo trombonista Don Keller, foi rapidamente introduzida no reportório das bandas militares americanas, que a espalharam pelo mundo durante e após a Segunda Guerra Mundial. Até aos dias de hoje continua a ser tocada, por bandas militares e civis e Portugal não é excepção (toquei-a bastante durante a minha passagem pela Banda de Gondomar, por exemplo).

Ciente da popularidade da marcha, Keller escreveu e publicou mais três com títulos semelhantes: Trombone Special (1941), Tribute to Trombones (1944) e Trombone Tribunal (1949).

Sabe sempre bem e, porque não, logo de manhã?

Aqui na interpretação da Banda de Melres, sob a direcção de José Carlos Ferreira, num registo do nosso Grande Curador, Damião Silva.

 

“La Concha Flamenca” – Perfecto Artola

Janeiro 28th, 2022

Foi um hit na abertura de concertos e arraiais nos anos 80 e 90, reconhecível ao primeiro compasso e que ainda se vai ouvindo por aí.

Mítico pasodoble para solistas de Perfecto Artola, conceituado músico, compositor e maestro espanhol, com uma carreira invejável.

“Considerado o protótipo do músico completo, maestro magnificamente dotado, de batuta firme e segura, destreza particular, com grande conhecimento dos grupos que dirigiu, especialmente a banda – que dominava com maestria – a sua faceta como compositor foi igualmente frutífera até aos se últimos dias. Autor de rica inspiração espontânea, colorida, melódica e grande imaginação, oferece-se como compositor de formação séria e apaixonado pelas formas clássicas.”

(livremente adaptado de: https://web.archive.org/web/20090916142333/http://www.guateque.net/maestro_perfecto_artola.htm)

Como diria alguém que todos conhecemos, “é preciso muito salero para tocar” a “La Concha Flamenca”.

Mais uma para abrir o concerto da tarde, enquanto ainda está tudo a acordar da dormência do verde fresquinho ingerido ao almoço.

Aqui, na interpretação da Banda Marcial de Fermentelos, dirigida por Carlos Marques (Balaú), numa captação de Damião Silva, Grande Curador do Reportório Filarmónico:

“Samorraia” – Ilídio Costa

Janeiro 26th, 2022

Andava há anos à procura de um registo desta marcha e encontrei hoje, meramente por acaso.

Esta é daquelas que eu conhecia ainda antes de sequer imaginar que um dia seria filarmónico.

Estava na K7 da Sociedade Filarmónica de Crestuma que ouvi muitas vezes ao lado do meu pai. Infelizmente, deixou de se tocar, precisamente, na altura em que entrei para a banda. Nunca mais a ouvi, por mais banda nenhuma, o que é pena… pois terá sido a marcha que me fez gostar de marchas.

E hoje, ao deambular pelo Youtube… ela apareceu, na interpretação da ACMA – Banda Musical de Avintes, dirigida pelo meu amigo, de longa data, Ruben Castro.

As condições acústicas estão longe de ser as melhores, mas o COVID obrigou a estes concertos em espaços pouco adequados. É o que é, e realço, mais uma vez, o empenho do Grande Curador do Reportório Filarmónico, Damião Silva, a guardar para a posteridade estes registos.

António Pinheiro

Profissional de marketing, músico e corredor por prazer. Corre na estrada, no monte e de um lado para o outro na vida, atrás e à frente dos filhos.