http://www0.rtp.pt/programas-rtp/index.php?p_id=1098&c_id=1&dif=tv&idpod=59470
A partir do minuto 8:55
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A partir do minuto 8:55
Não serão poucos os homens e mulheres que, chegados à casa dos trinta, entram em divagações nostálgicas sobre os tempos em que detinham metade dessa idade.
Essas recordações, porventura, serão mais acentuadas quando, por força de qualquer circunstância, convivem com rapazes e raparigas com metade da sua idade.
Recorrentemente, surgem expressões como “no meu tempo é que era…” ou “se eu soubesse o que sei hoje…”
Não me parece.
Este tempo continua a ser como o nosso tempo.
Há dias atrás dei por mim no meu carro, a transportar quatro seres humanos com metade da minha idade. Surpreendentemente, ou não, o ambiente, as conversas, as atitudes, os gestos, o modo de encarar a vida, eram os mesmos, vividos da mesma forma, que eu e os meus amigos vivíamos quando tínhamos metade da nossa idade.
Esta deambulação pelas brumas da saudade levou-me a outro ponto: desde puto que sempre achei que o mundo dos adultos seria uma seca. E é.
Talvez por isso, durante longos anos da minha vida, me recusei a “crescer”, não sendo as poucas vezes em que fui acusado de infantil e imaturo. “Whatever”. Se ser adulto é ser aquilo que a maior parte dos adultos é, então deixem-me ser puto.
Aliás, confrontando as recentes experiências que tive com pessoas com metade da minha idade, com pessoas da minha idade e com pessoas com o dobro da minha idade… A conclusão é apenas uma.
Eu hoje ia escrever aqui algo. Aliás, escrevi mesmo mas, quando terminei de ler… apaguei. É melhor EU censurar-me, antes que outros me censurem.
Ao menos a minha censura é honesta e frontal e para comigo próprio. Sei porque motivos ME censuro e sei que essa censura é de boa-fé.
A outra, não. É feita por motivos que não compreendo, nem nunca hei-de compreender e claramente conspurcada de má-fé.
Por isso, censurei-me. Só eu sei porquê. Só eu compreendo. E basta.
Parecia a primeira vez. Mas o nervosismo, quase pânico, da primeira vez, foi substituído pela doce ansiedade de fazer algo diferente.
Havia confiança, a segurança que algumas (poucas) horas de estudo podem dar mas, acima de tudo, a confiança que era transmitida por quem estava à nossa frente, ao nosso lado, atrás de nós e no público.
Principalmente no público, um, dois, três, quatro, cinco rostos a acenar e a dizer “estamos aqui… força!”
E essa força veio. Penetrou do primeiro ao último acorde. Fez acreditar que o céu estava ao alcance de uma pauta.
E mais sorrisos, aplausos e uma descarga elétrica percorria dois corpos unidos num só: o músico e o instrumento.
Um quente, pulsante, vivo… o outro frio, metálico, mas ardente e apaixonado quando beijado da forma certa.
Viravam-se as páginas; sucediam-se as vénias ao público… Aquele público surpreendido mas, ao mesmo tempo, entregue e empenhado em fazer parte do concerto. Um público assim merece vénias, todas as vénias e aplausos.
Por momentos os papéis inverteram-se e o público passou a ser a estrela.
E terminou… com a mesma paz com que tinha começado. No entanto, todos saíram dali mais ricos. Quem tocou desfrutou do prazer de tocar, de divertir, de animar centenas de vidas, quiçá, tristes, mas que encontraram naqueles acordes, naqueles ritmos, um oásis de felicidade. Quem ouviu, fez parte do espetáculo e foi para casa com o coração quente e um sorriso nos lábios.
Porque há concertos assim… vale a pena ser músico.
Vede como vai prosperar o meu servo: subirá, elevar-se-á, será exaltado.
Assim como, à sua vista, muitos se encheram de espanto, tão desfigurado estava o seu rosto que tinha perdido toda a aparência de um ser humano, assim se hão-de encher de assombro muitas nações e, diante dele, os reis ficarão calados, porque hão-de ver o que nunca lhes tinham contado e observar o que nunca tinham ouvido.
Quem acreditou no que ouvimos dizer?
A quem se revelou o braço do Senhor?
O meu servo cresceu diante do Senhor como um rebento, como raiz numa terra árida, sem distinção nem beleza para atrair o nosso olhar, nem aspecto agradável que possa cativar-nos.
Desprezado e repelido pelos homens, homem de dores, acostumado ao sofrimento, era como aquele de quem se desvia o rosto, pessoa desprezível e sem valor para nós.
Ele suportou as nossas enfermidades e tomou sobre si as nossas dores.
Mas nós víamos nele um homem castigado, ferido por Deus e humilhado.
Ele foi trespassado por causa das nossas culpas e esmagado por causa das nossas iniquidades.
Caiu sobre ele o castigo que nos salva: pelas suas chagas fomos curados.
Todos nós, como ovelhas, andávamos errantes, cada qual seguia o seu caminho.
E o Senhor fez cair sobre ele as faltas de todos nós.
Maltratado, humilhou-se voluntariamente e não abriu a boca.
Como cordeiro levado ao matadouro, como ovelha muda ante aqueles que a tosquiam, ele não abriu a boca.
Foi eliminado por sentença iníqua, mas quem se preocupa com a sua sorte?
Foi arrancado da terra dos vivos e ferido de morte pelos pecados do seu povo.
Foi-lhe dada sepultura entre os ímpios e um túmulo no meio de malfeitores, embora não tivesse cometido injustiça, nem se tivesse encontrado mentira na sua boca.
Aprouve ao Senhor esmagar o seu servo pelo sofrimento.
Mas se oferecer a sua vida como sacrifício de expiação, terá uma descendência duradoira, viverá longos dias e a obra do Senhor prosperará em suas mãos.
Terminados os sofrimentos, verá a luz e ficará saciado na sua sabedoria.
O justo, meu servo, justificará a muitos e tomará sobre si as suas iniquidades.
Por isso, Eu lhe darei as multidões como prémio e terá parte nos despojos no meio dos poderosos; porque ele próprio entregou a sua vida à morte e foi contado entre os malfeitores, tomou sobre si as culpas das multidões e intercedeu pelos pecadores.
Palavra do Senhor.
Aqui fica um resumo com os meus trabalhos de design gráfico:
http://www.facebook.com/media/set/?set=a.223022031047102.73322.100000179197868
Sou músico desde 1994.
Nestes 17 anos de música já tive concertos bons e maus mas, apenas por uma vez, tive vergonha de estar em palco. Não interessa quando, nem onde, nem com quem.
Apenas recordo que foi algo tão mau, tão indescritível, que a minha vontade, da primeira à última nota, era sair do palco a correr e nunca mais voltar àquele local.
Esta angústia pessoal de ver um barco totalmente à deriva, agudizava-se ao perceber que alguns dos meus colegas de palco e, principalmente, a pessoa responsável pela direcção artística daquele agrupamento, não tinham a noção do que estava a acontecer. Pior: estavam convictos de que estava a ser um concerto espectacular. Mais grave ainda: afirmaram e reafirmaram que “o concerto foi excelente”.
Felizmente, outros percebiam que, mais cedo ou mais tarde, o caos iria abater-se sobre aquele palco. Com umas trocas de olhares lá fomos juntando vontades e dando o nosso melhor, até ao limite das nossas forças, para dar alguma dignidade ao que estava a acontecer e que era tudo, menos música.
Mas a vergonha estava lá. Não conseguia olhar o público e, se houvesse um espelho, não conseguiria olhar-me a mim próprio.
Quando saí do palco, uma pessoa da minha família que estava a assistir perguntou-me: “Mas que m*rd* foi esta?”
“Foi um concerto mau de mais e que quero esquecer rapidamente…”
Mas é difícil. Da mesma forma que as actuações positivamente extraordinárias se tornam inesquecíveis, o mesmo acontece com os fiascos. Ficam armazenados na nossa memória para nos lembrar que há erros que não podem ser repetidos.