António Pinheiro

Profissional de marketing, músico e corredor por prazer. Corre na estrada, no monte e de um lado para o outro na vida, atrás e à frente dos filhos.

Mau da fita “a really badass!”

Abril 24th, 2011

No filme Kill Bill, Uma Thurman e Lucy Liu, decepam cabeças e outros membros humanos como quem corta manteiga… mas com estilo. A forma como brandem a espada e a fazem deslizar pela carne humana, dá-nos vontade de nos juntarmos a um esquadrão assassino.

Ainda em Tarantino, Pulp Fiction, Samuel L. Jackson. Em parelha com John Travolta, este assassino mercenário, despacha meliantes à bala, enquanto recita passagens da bíblia, dentro de um elegante fato.

E por falar em tiroteios, o que dizer de Ben Affleck e Matt Damon no filme Dogma? Faz-nos apetecer andar com uma pistola no bolso para aviar pecadores.

Depois há a mítica cena dos helicópteros no Apocalipse Now, tendo como corolário a utilização da música de Wagner como pano de fundo ao ataque. Vou já inscrever-me numa escola de vôo!

A terminar… Darth Vader: o grande imperador dos “badass”. Elegante, assustador, com uma enorme dose de “coolness” e, ainda por cima, uma banda sonora a condizer.

Estou a construir um personagem que seja a mistura de toda a esta gente. Vai reunir o melhor e o pior de cada um deles.

E muito sangue vai correr…

P.S. – Numa cena do A-Team, o Hannibal diz ao mau da fita que ele tem duas maneiras de resolver a questão: “the easy way and the hard way”. Segue-se a descrição de uma série de maleitas que se iriam abater sobre o mau da fita: tiros, bombas, socos nas trombas… muito armamento! Então, o mau da fita pergunta: “E qual é a easy way?”. Responde o Hannibal: “essa acabei de descrever agora mesmo…”

Ensinaram-me

Abril 22nd, 2011

Ensinaram-me…

Aprende com quem sabe, mas não imites, nem copies. Absorve conhecimento para depois seres tu próprio e criares o teu mundo. Mais tarde, tu também vais ensinar, mas não cries clones da tua pessoa. Deixa que aqueles que aprendem contigo sejam livres.

Ensinaram-me…

Ouve muitas opiniões, mas filtra aquelas que realmente te ajudam a crescer. Não dês importância a tudo o que te dizem, pois pode ser dito para te prejudicar. Tu vais percebe, no teu íntimo, quais são os bons e quais são os maus conselhos.

Ensinaram-me…

Defende o teu trabalho e aquilo que construíste. Esconde-te no momento da glória e mostra-te no momento do insucesso.

Ensinaram-me…

Tens que saber desistir, quando o teu esforço é em vão. Não é vergonha admitir que não conseguimos… Não é vergonha admitir que fracassamos. Vergonha é continuar a errar sem a consciência que somos incapazes.

Ensinaram-me…

Errar, toda a gente erra. Agora, errar sucessivamente, achando que estamos a agir bem é sinal de estupidez. Tens que estar atento aos teus erros e perceber se estás a ser estúpido ou não.

Ensinaram-me…

Quanto mais longe chegares, mais dificuldades te irão colocar. O sucesso tem um preço muito alto e tens que saber se estás preparado para o pagar.

Ensinaram-me…

Defende os teus princípios e não abdiques deles. A tua integridade, mais cedo ou mais tarde, será recompensada. Não te prostituas a troco do sucesso rápido. Com a mesma rapidez vem a desgraça.

Ensinaram-me…

Define objectivos para a tua vida e meios para os atingir. Sem dares passos maiores que a perna, fixa os olhos no teu destino e corre na sua direcção.

Ensinaram-me…. que um dia iria reflectir sobre tudo isto…

Síndrome “Ministro da Guerra Iraquiano” ou “Violinista do Titanic” ou “O Rei vai nu”

Abril 19th, 2011

Cosmética.

Areia para os olhos.

Para inglês ver.

Ou, simplesmente, falta de senso, falta de sentido de ridículo, falta de vergonha.

O barco afunda e, no entanto, continuamos orgulhosos de ser o maior barco de sempre, mas ele continua a afundar.

As tropas americanas entravam em Bagdade e o Ministro da Guerra Iraquiano afirmava que os ianques iam arder dentro das fardas.

O amor próprio perdeu-se?

Assumimos, definitivamente, a nossa própria prostituição?

Já diz o povo que “mais vale parecer do que ser”…

E estes parecem. Mas estão longe de o ser. Estão cada vez mais longe de o ser e um dia a máscara tão bem moldada vai cair.

Alguém já gritou “o Rei vai nu”. Mas o Rei, egoísta, orgulhoso, mandou matar tão infame caluniador. Mas continua nu. Despido. Vestido apenas com o manto da ilusão por si próprio tecido.

“O Rei vai nu” grita outro corajoso e novo pelotão de fuzilamento avança. E são sempre os mesmos. O mesmo esquadrão da morte. Tão, ou mais, despido que o próprio rei.

Sucedem-se os gritos de “O Rei vai nu”, “o navia afunda”, “salve-se quem puder” e o esquadrão da morte dispara, degola, assassina.

E o ansiado dia da glória eterna aproxima-se e aproxima-se, também, o dia da suprema humilhação.

“Vou realizar uma vingança terrível contra eles, com violentos castigos, para que saibam que eu sou o Senhor, quando me vingar deles.” Ezequiel, 25:17

Apagam a História, mas não apagam a Memória

Março 27th, 2011

A História faz-se de factos e não daquilo que se diz ou escreve.

Podem ignorar os factos; fazer de conta que não existiram; podem negá-los; podem até apagá-los dos livros.

Contudo, nunca os poderão apagar da Memória de quem os viveu. Não é por reescrevem a História à vossa maneira, que aquilo que aconteceu será diferente.

Aconteceu. Eu estive lá. Outros estiveram lá e, pior que tudo, aqueles que agora apagam pedaços da História, também estiveram lá.

Há Memória nos sentidos, na visão e na audição mas, acima de tudo, há a Memória afectiva de quem viveu, sofreu, amou, trabalhou para que aquilo, que agora outros assumem como seu, pudesse nascer, crescer e ser aquilo que hoje é.

Podem apagar e reescrever mil e uma vezes. Mas o Passado é imutável. Pode sê-lo aos olhos de gente débil mental. Mas, pessoas com consciência, que estão no Mundo de boa-fé, sabem que não foi assim como agora estão a dizer que foi…

Argumentar: uma arte que se perde.

Março 9th, 2011

Previamente a esta minha crónica, recomendo a leitura atenta dos seguintes links:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Dial%C3%A9tica

http://www.uc.pt/fluc/dfci/cursos/retorica_argumentacao

Agora, siga.

Tive um professor no meu longínquo ensino secundário que me ensinou a importância da argumentação num debate.

Dizia ele: “António, mais importante que aquilo que se defende é a coerência dos argumentos que utiliza. Se não tiver argumentos, mesmo que tenha razão, mais vale estar calado.”

E sempre segui o conselho do senhor professor.

Contudo, ligando as televisões, lendo os jornais, dando uma vista de olhos pelas redes sociais, vemos que as pessoas estão a perder o poder de argumentar o que, de certa forma me entristece, principalmente porque, debates sem argumentos, são debates fracos, desinteressantes e, muitas vezes, de baixo nível.

Posto isto, decidi fazer uma pequena resenha das “técnicas argumentativas modernas” que se podem ver por aí (obviamente com uma pitada de humor e sarcasmo, porque não nos podemos levar todos muito a sério).

a) Ataque Pessoal: a melhor forma de contestar aquilo que defendes, por muito bons que os teus argumentos sejam, é insultar-te ou ridicularizar-te. A premissa é interessante: desacreditar a fonte, descredibiliza a mensagem. Talvez por isso seja o mais utilizado nos mais variados tipos de debate.

NOTA: Eu gosto muito desta técnica mas numa variação muito particular: em vez de dizer que os meus adversários são fracos, costumo dizer que eu é que sou muito bom. É a chamada variação “Narciso” ou “Ego do Tamanho da Torre dos Clérigos”.

b) Ataque Reflexo, ou seja, chamar aos outros aquilo que tu és. Resumindo, ainda na esteira da técnica exposta na alínea a) os arguentes quando se vêem escassos de argumentos, disferem um ataque recorrendo aos seus próprios defeitos pessoais: os covardes chamam os oponentes de covardes; os mentirosos chamam os oponentes de mentirosos, e por aí fora.

NOTA: Esta já tentei usar, mas não consigo… Prometo que vou treinar!

c) Ataque Megafone: é uma técnica também muito utilizada que consiste em, basicamente, berrar mais alto que o adversário. Muito vista no “Prós e Contras”.

NOTA: Também já tentei usar esta, mas com dificuldade, porque há sempre alguém que berra mais alto que eu…

d) Técnica Quando Corremos Sozinhos Ficamos Sempre em Primeiro ou Técnica Rui Santos. Os leitores regulares da Bola, do Record, do Correio da Manhã e de alguns panfletos regionais já se depararam muitas vezes com isto. O arguente, sob o pretexto de uma entrevista, diz tudo o que tem a dizer, sem hipótese do oponente se manifestar e efectuar o chamado exercício do contraditório.

NOTA: A grande vantagem desta técnica é podermos dizer todos os disparates que quisermos. Por isso mesmo é que desactivei os comentários no blog. O Rui Santos é um especialista nesta técnica, daí o nome.

e) Técnica PCP ou A Derrota Transformada em Vitória. É a mais utilizada nas noites eleitorais, mas também já se começa a ver noutras ocasiões. Basicamente, consiste em pegar num resultado desastroso e conseguir relativiza-lo de tal forma que mais parece ganhar o Campeonato do Mundo de Futebol.

NOTA: Nunca tive necessidade de recorrer a esta técnica, porque, normalmente estou do lado vencedor e, quando perco, não me chateio muito com isso. A única coisa que me chateia mesmo é quando o SLB é campeão. Mas isso só acontece de 5 em 5 anos… aguenta-se!

f) Técnica Copy Paste. Consiste em dizer exactamente aquilo que o adversário disse, mas por outras palavras e com outro tom de voz. O oponente fica baralhado e o público mais distraído não nota.

NOTA: Eu costumo usar esta técnica quando me apercebo que não tenho razão.

g) Técnica Loop. Repetir muitas vezes a mesma coisa. O PCP usa esta há 90 anos. Os resultados estão à vista, mas aí eles atiram com a alínea e)

Este texto vai ficar em aberto. É o chamado work in progress…

Vou actualizando à medida que me for deparando com mais técnicas.

Por hoje é tudo, continuação de uma boa noite.

É tão bom quando nos alimentam o ego…

Março 9th, 2011

“(…)como musico és uma das minhas referencias(…)
gosto mesmo muito, muito do teu trabalho (…)
a sério(…)
e quando tive oportunidade de ver o trabalho que fazes com o coro (…)
quando for grande quero ser como tu…”

Obrigado!

E agora o meu ego está do tamanho de duas Torres dos Clérigos.

António Pinheiro

Profissional de marketing, músico e corredor por prazer. Corre na estrada, no monte e de um lado para o outro na vida, atrás e à frente dos filhos.