Deixei de viver nas estrelas
Amando deuses impossíveis
Numa manhã de Primavera
Inundado por raios de sol
Esperando por um ser eterno
Larguei memórias ao vento
Até nunca mais me perder
António Pinheiro
Profissional de marketing, músico e corredor por prazer. Corre na estrada, no monte e de um lado para o outro na vida, atrás e à frente dos filhos.
Notas soltas…
1 – Ostentar o título de Licenciado ou Mestre, não significa que estamos perante alguém de capacidades extraordinárias. Muito menos o título de “finalista em”.
Contudo, deveria (e repito, deveria!) significar uma aptidão para uma determinada área de conhecimentos; deveria (e repito, deveria!) implicar conhecimentos profundos adquiridos nessa área; deveria (e repito, deveria!), indicar que estamos perante um especialista.
Um finalista, num qualquer curso de ensino superior, é alguém que está a um passo de se tornar o acima descrito, por isso, se se dá ao luxo de ostentar o título de “finalista”, deverá, por uma simples questão de honestidade e coerência, apresentar provas das suas capacidades.
Ora, quando isso não acontece, como deveremos reagir?
2 – É sabido que muitos dos finalistas que vão para Lloret del Mar, e afins, festejar o seu último ano de estudos no ensino secundário, deixam por essas terras um rasto de destruição. Daí eu não perceber qual o espanto perante a notícia daquele hotel em Palma de Maiorca que não queria deixar os pequenos vândalos regressarem a casa sem pagarem os estragos pelos quais eram responsáveis. Não estará a opinião pública a dar uma lição de irresponsabilidade a esta gente?
3 – E por falar em juventude, centenas de jovens órfãos estão acampados às portas do Pavilhão Atlântico, para ganharem vez para verem o concerto dos Dragon Ball aka Tokyo Hotel. Órfãos? Sim. Porque se tivessem pais (dignos desse título) de certeza não estariam ali a fazer aquela figura ridícula. Se ainda fosse para ver um concerto de música… ainda poderia equacionar… mas chamar música àquilo que os Tokyo Hotel fazem é um insulto à própria Música enquanto Arte.
4 – E por falar em música, mas Música com M grande, recomendo vivamente que metam nos vossos leitores o útimo CD dos Gorillaz e se deliciem com o trabalho do génio Damon Albarn.
5 – E por falar em génios britânicos, começa a crescer a ansiedade para o concerto dos MUSE no Rock in Rio. Já anda pessoal aflito (não é Teresa?). Eu vou lá estar!
6 – E por falar em Rock in Rio, aderi esta semana a um interessante movimento no Facebook que apela à realização de um Rock in Rio no Porto. Eu digo que não precisamos da “gostosa” Roberta Medina para nada, nem de grandes nomes internacionais, ora vejam só: Rui Veloso, Pedro Abrunhosa, GNR, Clã, Blind Zero, Manuel Cruz, Trabalhadores do Comércio, Paulo Praça, e tantos outros nomes de grande qualidade que proliferam pela Invicta e arredores.
7 – E por falar em Invicta: o Coro da Sé Catedral do Porto cada vez me surpreende mais. E o Marc Tardue, tão mal amado por aí, está, também ele, cada vez melhor.
8 – E por falar em Marc Tardue, gostava de saber o que se aprende em determinados cursos de Direcção. Juro que gostava…
Tulipa
Podias ter vindo para tornar a minha vida mais simples, porque tu és tão simples. Apenas um olhar, um sorriso, apenas aquele brilho especial que irradia do teu rosto terno, era suficiente para aplanar as veredas do meu ser.
Mas não.
Trouxeste um amor tão grande e tão poderoso, que transcendia a candura com que me abraçavas.
Fizeste-me entrar em labirintos infinitos, viagens irracionais, de onde eu saía extasiado de felicidade.
Era o êxtase do corpo, da mente e do coração.
Teria sido tão fácil, se fosses apenas um corpo, uma mente ou um coração. Mas decidiste que ias ser completa e me ias amar, como se amasses o Mundo.
Então, um dia, partiste. E foi na dor da tua partida que encontrei a paz que tinha perdido nos labirintos do teu olhar.
Estranha contradição esta, em que para te encontrar preciso de te perder, em que para te sentir preciso de te ter longe.
E quando pensava que jamais seria possuído pela tua estranha inquietude, tu dançaste. Dançaste como se a tua vida dependesse de cada movimento dos teus membros.
Então voltei a cair no mesmo abismo de longínquas noites de Verão. Mas comigo caiu também um estranho sentimento.Invisível. Sem nome. Único. Nosso.
Acordei. Acordei sentindo que não te possuía, porque és uma imensidão que ninguém pode possuir.
Conversas parvas XV
“Aumentar a carga fiscal não é a mesma coisa que aumentar impostos”
Teixeira dos Santos, Ministro das Finanças
Portugal, o país das estranhas excursões
Excursões às praias de Gaia para ver polvos mortos
Excursões à Régua para ver as cheias…
Excursões ao IP4 para ver o viaduto que caiu…
Excursões aos calabouços da Judiciária para apoiar o Carlos Cruz…
Excursões aos Centros de Emprego à procura dos 150.000 empregos prometidos pelo Sócrates…
E para cúmulo, a partir de amanhã, o preço dos bilhetes para visitar monumentos portugueses aumenta 40%…
Bom dia
Acordei no teu sorriso
Que me apagou da noite
E me disse eternamente que me amas
Foi ao teu gentil toque
Da tua pele macia
Que te senti minha
E te guardei no peito
Para que fiques comigo em cada amanhecer
E quando a tua boca
A minha procurou
Foi o Sol que se tornou doçura
A luz invadiu-me
E vivi memórias que o meu corpo guardou
Num lugar secreto do coração.
Festival da Canção
Antigamente, muito antigamente, o Festival da Canção era o certame onde eram apresentadas as melhores canções, dos melhores poetas, dos melhores compositores, pelos melhores intérpretes. Não só em Portugal, como por toda a Europa.
Havia uma orquestra a sério, a tocar a sério, com um maestro a sério.
Muitas das canções intemporais, feitas por portugueses, nasceram no Festival da Canção.
“Oração”, “Festa da Vida”, “Sol de Inverno”, “Desfolhada”, “E Depois do Adeus”, “Menina do Alto da Serra”… são muito mais que canções… obras-primas.
E outras internacionais, como o “Waterloo” dos ABBA.
E hoje?
Em Portugal (e na Europa), música pobre, letras que parecem escritas por uma criança de 4 anos, maus cantores…
Há as excepções.”Todas as ruas do amor”, “O meu coração não tem cor”, “Lusitana Paixão”, “Chamar a Música”, “Senhora do Mar”…
(e aquela canção da Inglaterra o ano passado… Andrew LLoyd Webber no seu melhor…).
Mas antigamente, muito antigamente, a qualidade era a regra e não a excepção.
No fundo, o Festival torna-se um reflexo da nossa sociedade. Em vez de cultivarmos a qualidade, cultivamos a mediocridade e depois ficamos à espera que apareça um “iluminado”.
A avaliar pela qualidade das canções apresentadas este ano, mais valia desistirmos já.
(se bem que dos restantes países não será de esperar muito melhor…)
Finalmente
(a sério!)