
Não sei porquê (ou, se calhar, até sei) mas, ultimamente, o verbo entregar ganhou uma utilização que tem tanto de desmedida, como de desadequada.
Entregam-se resultados, entrega-se valor, entregam-se soluções, entrega-se crescimento, entrega-se performance…
Mas agora é tudo carteiro ou estafeta?
Não podemos simplesmente atingir resultados, acrescentar valor, desenvolver soluções, gerar crescimento, alcançar performance?
Desconfio que esta moda venha do inglês, onde o verbo “deliver” é usado com uma abrangência que nem sempre faz sentido traduzir literalmente para português.
Mas, caramba, uma das coisas que distingue a nossa língua, sendo uma língua latina, é a riqueza do vocabulário!
Parece que estamos a construir um português artificial. Uma língua que parece portuguesa, mas que, em determinadas reuniões, soa a uma tradução automática de uma apresentação de PowerPoint.
O problema não é a influência do inglês. As línguas evoluem (evoluem! não andam para trás!) e ainda bem. O problema é deixarmos de pensar nas palavras que usamos, limitando-nos a repetir aquilo que ouvimos aos outros… e aderir a modas. “Aquele colaborador entrega muito à equipa!”
Entrega, se for essa a sua função: estafeta.
Os resultados, esses, alcançam-se! Atingem-se!