
Era o funcionário exemplar. Nunca dizia que não e fazia tudo o que lhe pediam. Mas ninguém dava por ele.
Era uma presença tão discreta, que se tornava quase invisível.
Mas trabalhava muito e bem. Suava as estopinhas e chegava a casa exausto.
Mas mais ninguém sentia as suas dores.
Por vezes, junto à fotocopiadora, na máquina do café ou num corredor mais apertado, chegavam a perguntar-lhe “o senhor trabalha aqui?”
Trabalhava, pois! Há 10 anos!
Os colegas de secção queixavam-se “este gajo não ajuda nada”.
Nunca era convidado para jantares, convívios, nem mesmo os organizados pela própria firma, pois nunca se lembravam dele.
Um dia, o seu nome, finalmente, apareceu numa lista. A lista de dispensas. “Este não faz falta nenhuma”.
Então, tudo aquilo que fazia e que ninguém via, passou a ser feito por ninguém e toda a gente viu.