
Chegamos à altura do ano em que os clubes de futebol abrem os treinos de captação para os seus escalões de formação. Aos pais que embarcam nesta viagem, tenho algo para vos dizer, para além de tudo o que já vos disseram:
1º – Tranquem os fins-de-semana nas vossas agendas. A partir de agora, o vosso filho(a) (consequentemente, a vossa Família) tem um compromisso para com uma Instituição. Ele(a) não vos vai perdoar se tiver que faltar a um jogo por vossa culpa.
2º – Mesmo que haja um “compromisso inadiável”, prevejam planos B, C, D, para que a criança consiga ir ao jogo, independentemente do que tiverem que fazer. É sempre possível, há sempre uma solução. Lembrem-se da máxima “quem quer arranja um motivo, quem não quer arranja uma desculpa.”
3º – Lembrem-se que, a partir de agora, a criança representa uma instituição e faz parte de uma equipa.
4º – A gestão da lavandaria doméstica passa a ser em função da necessidade da disponibilidade de equipamentos de treino, jogo e saída. Não é difícil e este material até costuma secar rápido. Que nunca falte uma peça para a criança treinar, ou jogar.
5º – “Há valores que não se compram com dinheiro.” Uma percentagem ínfima de crianças chega um dia a profissional, mas todos podem aprender a Honrar um Símbolo, Trabalhar para uma Equipa, Representar uma Instituição.
Em adultos, poderão não ser “Ronaldos” ou “Messis”, mas serão Homens e Mulheres Comprometidos com a Sociedade.
E isto não é apenas sobre futebol, ou Desporto. Aplica-se à Música, ao Ballet, ou a outras atividades onde o Compromisso é a base.
O meu filho mais novo leva 3 anos de prática desportiva, 2 dos quais no futebol. Faltou apenas a um jogo, porque teve uma intervenção cirúrgica no dia anterior. Mesmo assim, convalescente, compareceu no campo para cumprimentar os colegas e o treinador. Das vezes em que não foi convocado, vestiu a roupa do clube e acompanhou os colegas no balneário, antes e depois dos jogos.
Nunca esteve num jogo sem, pelo menos, um dos pais. E, no dia em que os dois não possamos estar (ninguém está livre), ele irá ao jogo na mesma.
Há um ano, o meu filho mais velho comunicou-me que também iria começar a jogar. Sendo ele elemento de uma banda filarmónica, a primeira coisa que lhe disse foi “tudo bem, é óptimo que pratiques Desporto, mas começa já a pensar no que vais fazer quando tiveres atuação em dia de jogo, ou jogo em dia de atuação”.
Em nenhum lado há insubstituíveis, mas quando integramos um coletivo há sempre alguém que depende de nós.
Se “todos” nos queixamos que vivemos numa sociedade, cada vez mais, egoísta, as Coletividades e Associações, sejam de índole Desportivo, Cultural, Solidário, são excelentes locais para os Homens e Mulheres de amanhã aprenderem que “nenhum homem é uma ilha”.