
A Igreja estava cheia. Era o funeral do pai do meu amigo F.
O F. é um homem de família grande e infinitos relacionamentos. Gosto muito dele, com todas as suas virtudes e defeitos.
Não vem ao caso. Nesse dia, o F., com a sua história de vida, deu-me uma história para a vida.
Compromisso.
A missa do funeral aproximava-se do fim e o F. dirigiu-se ao ambão para o elogio fúnebre ao seu Pai. Nestas alturas as pessoas recordam momentos felizes, o percurso de vida do defunto, mas o F. centrou-se apenas num episódio: o dia em que o seu pai lhe ensinou o significado da palavra Compromisso.
O senhor Z. esteve muitos anos emigrado em França, numa época em que era para lá de complicado os emigrantes virem a Portugal visitar a família, uma vez por ano que fosse.
Numa sexta-feira à tarde, o F. preparava as malas para ir numa excursão de fim de semana a Fátima, com os colegas do Colégio. Calculo que tivesse um papel importante na organização da viagem, dado que sempre teve uma forte participação nas atividades estudantis da escola onde estudou.
F. e a sua mãe preparavam tudo quando alguém surge à porta de casa… era o senhor Z.
O meu amigo já não quis saber de mais nada. Largou as malas e, de imediato, abdicou da excursão e do fim de semana com os amigos.
“Não!” disse-lhe o pai. “Tens um Compromisso com os teus colegas. Tu vais a Fátima.”
Este funeral já foi há uns bons anos. O sr. Z. gostava de me ouvir tocar.
Não sei se fixei todos os detalhes da história (o F. contou-a bastante emocionado) mas guardei o mais importante: a importância de respeitarmos os compromissos que assumimos. Compromissos que podem ser uma farda, um emblema, uma equipa, um clube, uma associação.
E, quem trabalha com crianças e jovens, em instituições culturais ou desportivas, sabe que fazem falta muitos senhores Z. que saibam ensinar aos seus F. o que é Compromisso.
Como dizia o meu amigo D., aqui há dias, ainda bem que o pessoal agora paga.