António Pinheiro

Profissional de marketing, músico e corredor por prazer. Corre na estrada, no monte e de um lado para o outro na vida, atrás e à frente dos filhos.

No Mundial… e na Vida

Julho 8th, 2026

Não consigo deixar de olhar para tudo o que se tem passado neste Mundial de Futebol e fazer um paralelismo com o que se passa nas Empresas, nas Famílias, nas Instituições, na Sociedade em geral.

O Futebol coloca-nos perante histórias de superação, de talento, de união… mas também de egos, de protagonismos e de escolhas que nos fazem pensar.

Desde que o meu filho mais novo joga futebol, que lhe repito muitas vezes:

O símbolo que trazes ao peito é sempre maior do que o nome que trazes nas costas.

Ele tem dificuldade em compreender e aceitar, pois vive numa era em que as estrelas estão sempre acima das equipas.

Mas uma camisola representa uma história, uma cultura, pessoas que acreditam naquele símbolo. O nome nas costas representa um indivíduo. E, por muito extraordinário que esse indivíduo seja, nunca poderá ser maior do que aquilo que representa.

Esta é uma lição que o desporto já nos ofereceu, mas que tende a desaparecer. Tristemente.

Nas empresas.

Nas famílias.

Nas escolas.

Nas associações.

Na sociedade.

Vivemos numa época em que o individualismo é frequentemente premiado. A notoriedade parece valer mais do que a contribuição. O “eu” sobrepõe-se demasiadas vezes ao “nós”.

Mas nenhuma equipa vencedora se constrói dessa forma.

As pessoas passam. Mudam de clube, de empresa, de função, de cidade ou de país.

As instituições permanecem.

As equipas permanecem.

Os valores permanecem.

É precisamente por isso que devemos aprender a servir as instituições e não a utilizá-las apenas como palco para o nosso reconhecimento pessoal.

Também é importante recordar outro princípio que tantas vezes esquecemos.

A gratidão é um dos sentimentos mais nobres que podemos cultivar.

Devemos ser gratos a quem nos deu oportunidades, a quem acreditou em nós, a quem nos ajudou a crescer.

Mas a gratidão pelo passado nunca pode impedir o escrutínio do presente.

Reconhecer aquilo que alguém fez ontem não significa fechar os olhos ao que faz hoje.

Nas equipas, nas organizações e na sociedade, a exigência deve existir para todos.

Porque ninguém, por muito competente, experiente ou talentoso que seja, está acima da crítica.

A crítica séria, fundamentada e construtiva não diminui ninguém. Pelo contrário, ajuda-nos a melhorar.

Outro dos grandes ensinamentos do desporto é este:

Os talentos individuais existem para colocar o seu potencial ao serviço da equipa.

Nunca o contrário.

Quando uma equipa passa a trabalhar para alimentar o ego de uma única pessoa, começa inevitavelmente a perder identidade.

O verdadeiro líder não é aquele que brilha sozinho. É aquele que faz os outros crescer.

Talvez seja precisamente aqui que esteja uma das maiores responsabilidades da sociedade atual.

Precisamos de ensinar as nossas crianças que competir não significa esmagar o outro.

Que vencer não exige humilhar quem perde.

Que o sucesso individual só faz verdadeiramente sentido quando contribui para o sucesso coletivo.

Precisamos de formar jovens mais solidários, mais empáticos, mais fraternos.

Jovens capazes de compreender que colaborar vale mais do que dividir, que servir pode ser mais importante do que aparecer e que nenhuma conquista individual supera a força de uma comunidade unida.

O futebol, pela dimensão que ocupa na nossa cultura, tem uma responsabilidade enorme.

Milhões de crianças observam comportamentos, imitam atitudes e escolhem referências através do que veem dentro e fora das quatro linhas.

Por isso, o futebol deve ser muito mais do que um espetáculo.

Deve ser uma escola de valores.

Um exemplo para a sociedade.

Um exemplo para as empresas, onde o espírito de equipa continua a ser decisivo.

Um exemplo para as famílias, onde o respeito, a cooperação e a responsabilidade se aprendem todos os dias.

No Mundial… e na vida… continuaremos sempre a precisar de talento.

Mas precisaremos ainda mais de humildade.

Porque os melhores não são necessariamente aqueles que marcam mais golos.

São aqueles que conseguem fazer com que toda a equipa seja melhor.

E esse será sempre o maior triunfo de qualquer campeão… de qualquer ser Humano.

António Pinheiro

Profissional de marketing, músico e corredor por prazer. Corre na estrada, no monte e de um lado para o outro na vida, atrás e à frente dos filhos.