
Se calhar foi a frase que a minha Mãe mais me disse ao longo da vida.
“Não te metas nisso. Fica quieto. Não vale a pena. Deixa-te estar sossegado.”
Disse-o muitas vezes. Demasiadas vezes.
Mas, houve uma em particular que me doeu. Quando, todo orgulhoso, anunciei em casa que, juntamente com as Vozes de Esperança, ia organizar um encontro de coros, em Crestuma. Na altura, já tinha todo o planeamento da produção do evento na minha cabeça e no papel. Coros convidados, horários, guião, comunicação, tudo ao pormenor.
E a minha Mãe, a pessoa de quem eu esperava, naquele momento, o maior apoio, deitou-me completamente abaixo.
Um balde de água fria.
Destruiu com duas ou três frases o meu sonho.
Mas, quanto ela mais falava, mais vontade eu tinha. E aconteceu, durante seis anos seguidos.
Era novo. Tinha perto de 30 anos. Estas coisas picavam-me.
Se fosse hoje, teria dito “tens razão, vou antes comer uma peça de fruta” e metia a ideia na gaveta, como meti tantas ideias e sonhos.
Afinal, o Mundo já tem malucos que chegue.
A propósito:
“O que eu quero ser quando for grande”
Música de Rui Veloso | Letra de Carlos Tê, do álbum “Mingos e os Samurais”