António Pinheiro

Freelancer em Serviços de Marketing para Empresas e Instituições. Músico. contacto@antonio-pinheiro.net

Pedra imperfeita

Janeiro 9th, 2015

Há um dia que acordas e levas um estalo.

Afinal não és o que julgas ou procuras ser.

És uma pedra imperfeita, brutalmente imperfeita que faz jorrar lágrimas, dos olhos de quem mais amas.

Dói mais, porque não te apercebes da dor que provocas.

Dói mais, porque não era suposto o choro na face de quem só merece sorrir.

Dói mais, porque não vives para ti.

Então a dor que provocaste torna-se a tua dor.

E a pedra faz ricochete. Acerta-te em cheio e dilacera-te a pele, a carne e o sangue jorra.

Dói mais, porque podias tê-lo evitado.

Dói mais, porque devias tê-lo evitado.

Convence-te que não estás só.

Convence-te que tu, agora, és quem amas.

Guarda o teu tesouro.

Cuida dele.

Se o perderes, perdes a vida…

 

Momento

Março 12th, 2013

Ali. Eles eram muitos e ele só. Só, não. Ele e ela.

Então ergueu a espada e apontou-a ao céu. Rapidamente a desceu, ferindo de morte, um atrás do outro.

Eles eram muitos mas tombavam.

Ele era só (e ela) mas continuava de pé.

Continuou. O tantas vezes cobarde fez-se, finalmente, corajoso. Encontrou força onde ela não existia. Encontrou a força que sempre teve e nunca soube.

Foi preciso sentir o medo. Foi preciso vê-lo cara a cara, para saber que tinha que  o vencer. E só lutando podemos vencer.

Avançava.

E eles caíam.

E ele de pé.

A cada golpe mais confiante, seguro, livre. E ela com ele.

Conquistava aquilo que era seu desde sempre e seria seu para sempre… E não deixava um único sopro de vida nos que caíam.

Era altura de esquecer. Recomeçar e apontar a espada… em frente.

E eles caíam. E ela com ele.

Avançava entre cadáveres sem uma gota de sangue. Nem sua. Nem deles.

Deslizava, quase que voava.

E eles caíam.

No fim só ficou ele. E ela.

E nunca mais permitiu que eles voltassem… Nem ela…

A dor

Janeiro 17th, 2013

Será a dor que sinto no corpo, apenas dor?

Ou será a saudade, a distância, que infligem ao meu corpo as dores da alma?

Às voltas na cama, banho-me nas minhas próprias lágrimas, que caem sem saber porquê…

E procuro-te… mas tudo é escuro.

Então surge a tua voz… também ela carregada de dor, mas que me acalma por instantes.

É curto esse momento. Porque depois vais… E continua o meu suplício, longo suplício até aquele momento em que toda a dor se esbate no teu olhar.

Eu sei que falo demasiadas vezes no teu olhar… mas só ele atenua a dor do meu corpo. Só ele me faz sentir que há um mundo.

E quando sorris?

Então, aí, é a plena felicidade… e pode doer-me tudo, que não quero saber de mais nada.

Tens esse triângulo mágico: os diamantes dos teus olhos e as pérolas do teu sorriso. Analgésicos infinitamente poderosos, que fazem o meu coração saltar, querer explodir de alegria.

E então a dor não existe mais… Mesmo que ela esteja lá… que interessa, se tu sorris para mim?

Se tu olhas para mim com esse ar… e eu rendo-me, prostro-me, caio a teus pés e entrego-me sem condição.

Leva-me nos teus braços, acolhe-te em ti, recebe-me!

Mas, no entanto, até que esse curto momento chegue, a dor não passa e as lágrimas não me abandonam, como a chuva que cai lá fora.

Longe

Dezembro 20th, 2012

Vou estar longe, mas nem por um só segundo, sairei de ti.

A distância que separa o meu corpo do teu, por infinita que fosse, nunca se compararia ao amor que me faz viver dentro do teu coração.

Vou estar longe, mas a cada centímetro que me afasto, cresce a força que me aproxima.

Amo-te.

E viverei a ausência, não com a angústia da saudade, mas com as memórias da doçura de ser teu.

Vou estar longe, mas ao mesmo tempo, sorrirei para as estrelas (as nossas estrelas, lembras-te?), segurarei na tua mão (como me pediste uma vez, lembras-te?) e repetirei ao Universo que o meu amor por ti não tem fim.

Vou estar longe, mas quando voltar, vais sentir que, nem por um só segundo, saí de ti…

A noite passada

Setembro 23rd, 2012

Deste-me a noite
Embrulhada em sorrisos
Ornada olhares mágicos que me penetram
Mergulhando doces carícias em mais um copo

Deste-me a noite
Entre suor e seiva
Entre o bar, a pista e o quarto

Deste-me a noite
Porque a noite é tua

Deste-me a noite
Porque há noite somos maiores
Voamos sem asas
Vivemos sem respirar

Dei-te todas as noites
Dar-te-ei todas as noites
Mesmo aquelas que são mais noites
Pela distância e pela ausência

Saudade (ao fim do dia…)

Abril 7th, 2012

Olhei pela janela… Procurei-te na imensidão de cinzento que se perdia no horizonte. A chuva estava prestes a cair. A chuva, a mesma chuva que tantas vezes embalou os nossos corpos e aconchegou o nosso amor.

Mas não chovia, porque sem ti, não faz sentido chover…

Sem ti, não faz sentido o simples respirar…

Recordei o momento fugaz em que te visitei, sem que estivesses à espera, e a forma como o mais belo sorriso do Mundo despontou no teu rosto.

Recordei os beijos presos pelas tuas mãos… Beijar-te é uma tortura, pois quando te beijo não te vejo sorrir…

Mas, como posso viver sem sentir a doçura dos teus lábios nos meus?

Lá fora o dia caía… como tantos dias caíam enquanto caíamos nos braços um do outro… E vinha a noite e o tempo parecia ser infinito.

Procurei-te, onde procuro sempre e onde nunca te encontro: lá fora, na noite, no vazio, no frio…

Parvo! Eu sei onde tu estás! Sei sempre onde te encontro, porque estás dentro de mim…

 

Tonto (o outro)

Março 25th, 2012

“Meu tonto…”, dizia ela, praticamente sem saber o efeito arrebatador que essas palavras tinham nele…

De facto, sempre tinha sido um tonto, desastrado, a quem tudo acontecia.

Agora, como na música dos Xutos, sentia-se sempre um pouco tonto na presença dela. Bastava aparecer, olhar, sorrir e tudo parecia construído sobre areia. O seu mundo desabava e cada gesto parecia desprovido de sentido. Queria agradar-lhe em casa segundo, mas como agradar a alguém tão imenso? Como estar ao nível de alguém que mexia com ele daquela forma?

E era cada vez mais tonto.

Dava tudo, o que tinha e o que não tinha para que aquele sorriso que tanto amava, fosse eterno.

Queria captar dentro de si aquele olhar mágico, que só ele parecia saber compreender, mesmo toldado pela tontice.

Tropeçava em si próprio e caía. Mas então ela chegava, flutuando como um anjo e dizia: meu tonto…

…e tudo voltava a fazer sentido!

Feliz?

Fevereiro 5th, 2012

Feliz é pouco…
é um sentimento que não consigo descrever
é o coração aos saltos
é um sorriso constante
é uma alegria imensa, por tudo e por nada
é tremer só de a olhar nos olhos
é sentir-me dono do mundo quando a penetro
é um sabor delicioso nos lábios quando nos beijamos
é o toque mais suave, o da mão dela
é o riso dela com os meus disparates
é aquele momento em que descobrimos que estamos a pensar na mesma coisa
é dançarmos como se fossemos um só
é o abraço sorridente depois do orgasmo
são os gemidos, os gritos e as loucuras no sexo
e podia estar aqui
toda a eternidade
a descrever porque a amo tanto!