António Pinheiro

Profissional de marketing, músico e corredor por prazer. Corre na estrada, no monte e de um lado para o outro na vida, atrás e à frente dos filhos.

Mamma Mia… ou como destruir as canções dos ABBA

Fevereiro 17th, 2009

Domingo passado, na viagem da Banda Fórum para Arazede, alguém se lembrou de pôr a rodar no DVD da camioneta o filme “Mamma Mia” e, a primeira conclusão a que cheguei foi: “ainda bem que não paguei para ver isto!”.
Antes de falar do filme, é importante falar dos ABBA. O quarteto sueco foi um marco na História da Música. Nos meus tempos de faculdade, quando era forçado a sair à noite para uma qualquer discoteca, lamentava-me da fraca qualidade da música de dança dos dias de hoje. As minhas amigas diziam “isto é música para dançar, não tem que ser muito elaborada…” e eu respondia: “os ABBA faziam música de dança, com belas melodias, orquestrações, ritmo e poesia!”. De facto, os ABBA combinavam, da forma que só os génios sabem, todos os ingredientes para criar grandes canções. E depois, a interpretação das duas cantoras do grupo, conferia às músicas uma força transcendente. Quase que me arrisco a dizer que, para perceber as canções dos ABBA, quase que nem precisamos de perceber inglês. Prova disso foi a forma como as músicas dos ABBA me fascinam desde muito novo.
E agora… o filme! O filme começa com mulheres aos gritos, tem mulheres aos gritos durante todo o tempo e termina… felizmente não vi até ao fim, porque a camioneta chegou ao destino.
Contudo, vi o suficiente para perceber que “Mamma Mia” consegue desvirtuar o sentido profundo de cada uma das canções dos ABBA: primeiro, porque as mesmas são metidas a martelo na história… se é que se pode dizer que este filme tem história; segundo pela péssima interpretação vocal dos actores. Ok, eles cantam todos muito afinadinhos, mas se cantar bem fosse só cantar afinado… Na maior parte dos casos a interpretação simplesmente não existe e, quando existe algo a que se pode chamar “interpretação”, esta é completamente desfasada da canção em causa.
Enfim, um marco negro na caseira de dois brilhantes actores: Meryl Streep e Pierce Brosnam.
Está na hora de ir ouvir os autênticos ABBA e esquecer o filme rapidamente.

Dia dos namorados

Fevereiro 14th, 2009

Segunda-feira passada, deambulava eu pelos lados de Arca D´Água, quando sou apanhado numa fila de trânsito, originada por um sinal vermelho. No carro à minha frente um simpático casal trocava uns beijitos, beijitos que se foram transformando em valentes linguados e, por pouco, pensei que a coisa ia evoluir ainda mais. Entretanto, o sinal ficou verde mas, os loucos apaixonados, não descolaram! Aguardei uns breves segundos, até que fui forçado a dar uma ligeira buzinadela.  Não o fiz com prazer, pois sou totalmente apologista de calorosas demonstrações de amor. Contudo, eu queria andar para a frente e o sinal estava verde.
Suponho que aquele casal irá aproveitar ao máximo o dia de hoje. Como é sábado, vão passear de mãos dadas, jantar fora, trocar prendinhas e, depois, acabar a noite num motel ou, como os tempos são de crise, com o carro parado num sítio bem tranquilo, frequentado por centenas de outros casais com as mesmas intenções eróticas… e alguns voyeurs pelo meio.
Para mim, o dia dos namorados é traumático. Na adolescência, enquanto meia escola vagueava pelos corredores com olhar perdido nas nuvens, eu limitava-me a ficar a um canto, meditando nos meus amores não correspondidos.
Depois, quando aos dezanove anos tive a minha primeira namorada (ok, podem começar a rir às gargalhadas… não tenham compaixão!), sentia-me feliz por finalmente poder festejar o dia catorze de Fevereiro, mas era algo que me sabia a plástico, como a comida de alguns restaurantes. Há aqueles restaurantes em que parece que estamos a comer a comidinha da nossa mãe, e outros em que parece que a refeição foi aquecida no micro-ondas. Pronto, o dia dos namorados sabia-me a micro-ondas. Ao passo que outras datas, ou acontecimentos, sabiam-me bem mais a comida caseirinha. Conclusão, quando a Ana partiu da minha vida (era esse o nome dela), resolvi que nunca mais na vida iria ao micro-ondas pegar no dia dos namorados.
Uns tempos mais tarde, quando comecei a namorar com a minha actual namorada e esposa, descobri que ela também não gostava do dia dos namorados, principalmente por ser uma “tradição” importada, como o dia das bruxas e outros.
Decidimos criar a nossa própria tradição que, basicamente, consiste em surpresas inusitadas um ao outro, em datas perfeitamente vulgares. E é algo de espectacular! Vivemos o dia dos namorados no dia 6 de Fevereiro, 23 de Março, 10 de Agosto… sei lá… quando nos apetece e não quando a máquina comercial diz: “é agora!”.
Por outro lado, aqueles coraçõezinhos, ursinhos, florzinhas e coisinhas todas, é um universo um bocado… pindérico, não acham?
Eu acho!

Naquela madrugada

Fevereiro 9th, 2009

 madrugada.jpg

Soubeste ser quem eu queria
Soubeste dar sem receber
Soubeste amar-me em magia
Na música que ouvia
Um poema que lia
Na madrugada a nascer

Disseste ternura em segredo
Disseste amor sem ter medo
Disseste um sim de verdade
Juntos fomos a cidade
Na pura liberdade
Em eterno degredo

Em ti eu mato a solidão
Em ti sucumbo à paixão
Em ti eu morro em desejo
À claridade de um beijo
Nos teus seios me protejo
E venço a escuridão

Naquela madrugada
Vieste sem temer
Naquela madrugada
Em ti fui-me perder
Senti-me um novo homem
Pelo teu corpo de mulher

Sagres ou Super Bock

Fevereiro 2nd, 2009

Ou foi impressão minha, ou acabaram de passar na televisão dois anúncios, um da Sagres, outro da Super Bock, ambos com a mesma mensagem: “Somos a cerveja número 1 em Portugal”.

Logo, é preciso alguém desempatar e eu acho que sou a pessoa indicada:

– Super Bock, sem dúvida!

Agora vou dormir.

Eu não sei andar de mota…

Janeiro 30th, 2009

Se há coisa que me deixa um pouco agastado, são aquelas pessoas que emitem opiniões sobre assuntos para os quais não estão minimamente preparadas. Falam por falar, só porque querem dizer alguma coisa, não têm argumentação válida e, depois, só saem disparates.
Conheci alguém que disse: “como eu não sei andar de mota… não ando de mota”.
Ultimamente tenho visto muita gente que “não sabe andar de mota” mas que age como se fosse o Valentino Rossi.
Se, nalguns casos, é pura ignorância, noutros trata-se apenas de uma espécie de exibicionismo intelectual que conduz a afirmações ocas e despropositadas, sobre os mais diversos assuntos.
Uff…

Ode na noite

Janeiro 29th, 2009

noite.jpg

E como me senti só
Cada gota de chuva
Era como uma faca
Que me rasgava a pele
E abria no chão
Poças de lama e sangue

Senti-me nu
Perdido
Gelado

Era o vazio
A escuridão
O silêncio apenas interrompido
Pela chuva que caía

Lentamente
Fui-te perdendo

Não mais te senti
Os meus lábios
Perderam os teus
A minha pele esqueceu a tua
Os teus seios tornaram-se uma miragem
O teu corpo uma ilusão

O teu perfume perdeu-se na treva
E as tuas palavras foram surdina
Os teus olhos apagaram-se
E o teu cabelo voou com o vento

E a vida
Deixou de fazer sentido

Nem os poemas
Nem a música
Nada vale nada
Sem a tua presença
Sem aquele brilho
Que só tu sabes dar à minha vida

Volta
Preciso daquela música
Que compões num piano de estrelas
Preciso dos poemas que nascem no teu corpo
Preciso que me beijes com o teu olhar

Preciso de nadar na tua pele
Mergulhar em beijos sem fim
Sentir as tuas unhas cravadas no meu coração

Agarra-me
Prende-me
Possui-me e não me libertes

Não mais te deixes perder na noite
Não mais permitas que a tempestade nos afaste
Não mais adormeças sem mim
Não mais me deixes adormecer sem ti

Porque somos um só
Somos a escultura do amor
Que na luz de uma noite se tornou maior

Agora eu tenho o teu nome
E tu tens o meu
É o meu sangue que corre em ti
É o teu ar que respiro

São os teus cabelos que penteio
É a minha barba que aparas

Já não existimos

Somos uma constelação que brilha no céu

Somos o Amor

Um especial poder

Janeiro 27th, 2009

Às vezes as pessoas só precisam de ouvir o óbvio. O óbvio que qualquer pessoa constata, mas que ganha um valor diferente, consoante o emissor. Aliás, esse óbvio podia ser mesmo constatado pelo próprio sujeito, se tivesse um pouco de calma, ou se ganhasse coragem de olhar-se ao espelho.
No entanto, é necessária uma acreditação. Uma constatação simples só ganha credibilidade se pagarmos por ela, se provir de alguém com um título pomposo ou com “poderes” especiais de percepção psíquica ou, até mesmo, extra-sensorial.
Serei eu demasiado clarividente ou demasiadamente ignorado?

António Pinheiro

Profissional de marketing, músico e corredor por prazer. Corre na estrada, no monte e de um lado para o outro na vida, atrás e à frente dos filhos.