António Pinheiro

Profissional de marketing, músico e corredor por prazer. Corre na estrada, no monte e de um lado para o outro na vida, atrás e à frente dos filhos.

Eu não sabia onde era a P.I.D.E.

Agosto 7th, 2008

Ontem, o meu amigo Indy, ficou escandalizado por eu não saber onde era o antigo edifício da PIDE, no Porto, actualmente o Museu Militar. 

“Isso é porque tu fazes parte de um partido que não festeja o 25 de Abril!!!”, disse ele. 

Fui para casa a pensar nisto e reflecti, sobre mim mesmo e sobre a História recente de Portugal. 

De me interessa saber onde era a PIDE, se temos um Governo que suspende funcionários por contar anedotas sobre o Primeiro Ministro? 

De me interessa saber onde era a PIDE, se temos um Governo que envia a polícia às sedes dos sindicatos para controlar e reprimir as manifestações? 

De me interessa saber onde era a PIDE, num país em que o Estado dá o rendimento mínimo a pessoas com plasmas, Playstations e electrodomésticos de luxo em casa, e que depois andam aos tiros no meio da rua? 

De me interessa saber onde era a PIDE, num país que permite que pedófilos adoptem crianças, em que se procura prender os polícias e libertar os criminosos, em que os professores perderam a autoridade e são agredidos quase diariamente pelos alunos? 

Desde muito novo que participo nas comemorações do 25 de Abril, pela mão do meu partido. Desde muito novo que o meu partido me ensinou como é viver em liberdade, respeitando os outros, aceitando as suas opiniões e diferentes formas de pensar. Aliás, isso reflecte-se nas constantes lutas internas nesse mesmo partido. 

Aliás, o fundador do meu partido, Sá Carneiro, ao contrário de outros, combateu a ditadura por dentro, de olhos nos olhos, sem medo. Nunca fugiu para França, nem para outro sítio qualquer, regressando depois armado em herói. 

O fundador do meu partido, Sá Carneiro, não esteve envolvido no vergonhoso processo de descolonização que deixou milhares de português sem o fruto do seu trabalho de muitos anos. 

O fundador do meu partido, Sá Carneiro, não descriminava e marginalizava os portugueses que regressavam de África, como faziam os partidos de esquerda. 

O fundador do meu partido, Sá Carneiro, foi uma das pessoas que impediu que, após o 25 de Abril de 1974, se instalasse em Portugal uma nova ditadura, desta vez de esquerda. 

Sim, eu festejo o 25 de Abril. Sim, o meu partido festeja o 25 de Abril. Mas, ao contrário da esquerda, eu olho para o futuro. Às vezes, a esquerda portuguesa parece ter saudades do Fascismo, só para poder fazer outra Revolução.

P.S. – O feriado que para mim tem mais significado é o dia 1 de Dezembro.

Discotecas com rodas

Agosto 4th, 2008

Sant Quirze de Besora. Catalunha, a 90km de Barcelona.

Final do dia.

No quarto do hotel, relaxamos de uma cansativa viagem de carro pelos Pirinéus. Eu estou deitado na cama a ver televisão. A Marisa está na varanda, apanhando ar fresco.

De repente, ouço um carro parar no parque de estacionamento. A música vinha aos berros. Pensei: “Deve ser português…”

Diz a Marisa, lá de fora: “Este carro que chegou agora tem matrícula portuguesa!”

Dias mais tarde, passeavamos à noite pelas ruas de Sant Quirze. Ao longe, ouvimos, novamente um carro com a música nas alturas. Quem era? O nosso compatriota.

Nunca percebi este vício de pôr o rádio no máximo e abrir os vidros.

Caros amigos azeiteiros: ninguém está interessado na vossa música! Para além de ser péssima, só conseguimos ouvir a parte do baixo “pum pum pum pu pu pum…”

Se querem meter a música para toda a gente ouvir, ao menos utilizem música de jeito.

Obrigado!

Conversas parvas VII

Agosto 2nd, 2008

Pessoa: Então, as férias?

Eu: Foram boas, obrigado!

P: Mas tu não estás moreno…

E: Não fui para a praia.

P: Não gostas de praia?

E: Gosto, mas não ia fazer 1.200km de carro para ir para praia. Tenho praias muito boas aqui ao pé.

P: Mas a água aqui é fria para tomar banho…

E: Em casa tenho água quente.

P: Não gostas de tomar banho na praia?

E: Não. Gosto de apanhar sol, relaxar, ler um livro…

P: Então o que fizeste nas férias?

E: Passear, conhecer novos sítios, outras culturas, outras pessoas… Aprender.

P: Ah… pois…

Sabiam que…

Agosto 1st, 2008

…quem, após vários anos de trabalho honesto, de descontos, de impostos, é despedido e está a receber o Fundo de Desemprego, tem que se apresentar de 15 em 15 dias na Segurança Social e, para além disso, tem que apresentar provas de que anda à procura de trabalho?

Contudo, aos parasitas que recebem o Rendimento Mínimo nada disto é exigido!!!

Questões que me preocupam – I

Julho 26th, 2008

Porque é que as adolescentes (vulgo “pitas”) tiram fotos com as caras encostadas e de cima para baixo?

É frequente ver nos cafés, nos shoppings, na praia, nos jardins, grupos de adolescentes com as suas câmaras fotográficas ou telemóveis a fotografarem-se como se não houvesse amanhã.

O mais curioso é a pose ser quase sempre a mesma:

– rostos colados

– lábios em forma de beijinho

– e a câmara bem no alto

A minha amiga Maria tinha muito este vício de tirar fotos tipo “helicóptero”. Um dia perguntei-lhe porque é que ela fazia isso mas, sinceramente, já nem me lembro da resposta. Incrivelmente, até eu dei por mim a fotografar-me em “pita mode”.

Barcelona, Espanha. Vinha eu no comboio de regresso ao hotel quando entra um grupo de pitas catalãs. Qual é a primeira coisa que elas fazem mal se sentam nos seus lugares?

Sacar da câmara fotográfica, encostar os rostos, fazer o biquinho, esticar o braço com a câmara no ar e… splash! Mais uma foto para o Hi5.

Banda Musical de Gondomar, num crescendo imparável!

Julho 14th, 2008

Já escrevi algures que fui (e ainda sou!) criticado por ter optado, um dia, pela Banda Musical de Gondomar. No final de cada concerto, lembro-me dessas críticas e sorrio!

Sorrio, porque desde Janeiro de 2007, altura em que ensaiei pela primeira vez nesta casa, com o Professor Luis Macedo, a qualidade da BMG tem vindo a aumentar num crescendo que considero… imparável.

Não me fica bem, enquanto músico desta ilustre instituição, ser advogado em causa própria, contudo, há momentos em que vivemos emoções tão intensas que não as conseguimos controlar.

E eu tenho que dizer isto.

Estou neste momento a chegar a casa de um fantástico concerto na pequena localidade de Branzelo, ali mesmo antes de chegar a Melres. Ainda sinto os dedos a tremer e um arrepio que me percorre o corpo de alto a baixo.

Quando, às vezes, me perguntam o que me faz levantar de madrugada em pleno Verão, para ir “dar cabo do canastro”, só posso responder citando momentos como aquele que vivi hoje: muito público, público entusiasta e duas grandes bandas (Rio Mau e BMG) a fazerem tudo para agradarem… ao público.

Numa época em que algumas bandas filarmónicas adoptam uma posição autista, tocando para si e só para si, é fenomenal ver mais de 100 músicos, distribuídos por dois palcos, a curtirem e, mais importante, a fazerem as pessoas curtir.

Num ponto em que este texto começa a ficar desconexo, quero apenas dar os parabéns à grande actuação da Banda de Rio Mau e dizer que estou extremamente orgulhoso de tocar na BMG, com o Professor Luis Macedo. Estou extremamente orgulhoso de tocar numa banda que, com uma humildade impressionante, dá tudo o que tem e o que não tem em palco.

Como se costuma dizer: “deixamos a pele em campo”.

E, como dizia o Rui: “a continuar assim, quando chegarmos ao Rosário.. ui ui!”

Agora, vou de férias. Tenho uma imensa pena de não poder dar o meu singelo contributo à BMG nos próximos dois concertos.

Contudo, quando voltar, virei ainda mais motivado!

BOAS FÉRIAS PARA MIM!

António Pinheiro

Profissional de marketing, músico e corredor por prazer. Corre na estrada, no monte e de um lado para o outro na vida, atrás e à frente dos filhos.