António Pinheiro

Profissional de marketing, músico e corredor por prazer. Corre na estrada, no monte e de um lado para o outro na vida, atrás e à frente dos filhos.

Dias do fim – parte 9

Maio 25th, 2020

Raquel Varela (sim… hoje disse o nome) continua na sua saga “isto ‘tá tudo mal, só eu é que sei, porque cito intelectuais norte-americanas”.

Desde o início da pandemia / confinamento / quarentena, não há nada que a mulher não ataque. Desta vez, confiro-lhe alguma razão no propósito: as crianças não podem ficar ad aeternum em ensino à distância, o mesmo é apenas uma solução de emergência e, pensar em perpetuar o mesmo, sem data de fim, pode não ser boa ideia.

Estamos todos de acordo e é um bom tema de escrita. Se, a Dra. Raquel, tivesse dedicado a sua prosa a isto e a fundamentar o seu ponto de vista, teria sido, sem dúvida, pertinente e assertivo.

Mas não. Raquel Varela, sendo Raquel Varela, precisa de encontrar algo de monstruoso por de trás de qualquer coisa que ela não concorde. Vai daí, despiu o fato de investigadora e docente universtitária e vestiu o disfarce de teórico da conspiração. Ou então, abandonou a tertúlia académica, para se juntar a uma conversa de café.

Resumindo, segundo a escriva, a culpa disto tudo é toda das empresas de venda de hardware e software que têm um lobby poderosíssimo, que manipularam o Governo, para que as aulas à distância continuem.

(pausa para meditarmos…)

Juro, mas juro mesmo, que ao ler, imaginei Raquel Varela a abdicar da sua pose permanente de “tia de Cascais” e vestida à trolha, com a máscara no queixo, a fumar Português Suave à porta de uma tasca, mini pousada no chão, com uma mão a coçar as partes baixas, enquanto cuspia esta alarvidade.

Grande parte da minha carreira profissional está ligada à informática de retalho. É um mercado duríssimo, onde são praticadas margens de lucro baixíssimas.

É verdade que, no cenário da pandemia, o teletrabalho e as aulas online vieram permitir que muitas destas lojas se mantivessem à tona e assegurado postos de trabalho. Grande parte desses postos de trabalho são mantidos com o salário mínimo, ou pouco mais, porque as margens são permanentemente esmagas pelo mercado.

Mas daí, até ao ponto onde a Dra. Raquel Varela quer chegar, vai uma grande distância. Ou então, deterpou-se a relação causa-efeito em prol de um ponto de vista.

Não seria grave se fosse feito pelo “Zé Trolha”, numa conversa de tasca. Mas uma investigadora, com responsabilidades académicas, devia ter feito mais e melhor, evitando vilipendiar uma área da nossa economia, daquelas que mais dificuldades enfrenta diariamente.

Mudando de assunto…

O pessoal anda todo comido da cabeça. Um conhecido meu que passa a vida a criticar a OMS, o Governo, o Capital, tudo e mais alguma coisa, publicou um texto a defender a OMS. Tudo porque o gajo não quer usar máscara.

Temos pena, o Mundo não gira à tua volta.

E é mesmo isso: o Mundo não gira à nossa volta. Gira com todos nós em cima.

Segundo o jornal Público, 180.000 pessoas estiveram nas praias da Costa da Caparica ontem. Acredito que todas disseram: “eu vou à praia, porque vou sozinha, não vai mais ninguém e eu sei manter a distância de segurança.”

E parece que, um pouco por todo o país, o cenário foi, mais ou menos, idêntico.

Repito: o Mundo não gira à nossa volta. Gira com todos nós em cima.

Dias do fim – parte 8

Maio 24th, 2020

Fascinadas com as novas tecnologias, muitas bandas filarmónicas ainda andam aprender a lidar com isto. O COVID lixou um bocado a coisa e, na impossibilidade de comunicar os serviços que se fazem, comunica-se o que se iria fazer. Percebo, mas não entendo.

O que percebo e entendo muito bem é que, com o desconfinamento em curso, desmantelam-se os arco-íris, acabam-se os gestos de fraternidade e solidariedade e ‘bora de novo para a barbárie. A teoria de que seríamos todos melhores seres humanos depois disto, cai por terra como o Neymar numa disputa de bola. Cai, rebola e contorce-se. A Humanidade sempre foi assim. Iria mudar, de um dia para o outro, por causa de uma virose?

É como no Natal.

Ainda no Natal passado, mesmo na véspera, li no facebook uma das inúmeras mensagens de Paz, Amor, Solidariedade… bla, bla, bla… Era uma mensagem bonita, bem estruturada e com uma mensagem bastante positiva.

Concentrei-me nessa mensagem em concreto, não muito diferente das demais, mas concentrei-me precisamente nessa. Li, reli e meditei.

Meditei sobre a mensagem e sobre quem a escreveu. Procurei, afincadamente, não censurar ou julgar. Mas…

“Das duas, três.”

  • ou, a pessoa é tremendamente hipócrita. Não me parece…
  • ou, a pessoa não tem noção da maldade que faz. Talvez…
  • ou, a pessoa acha que a maldade que faz, não é maldade, é o correcto e, por isso, continua de consciência tranquila. Parece-me a hipótese mais viável.

E, no fundo, é isso mesmo. Acho que, a maioria de nós, quando tem uma atitude menos correcta, não o faz por mal, mas porque acha que está certo. Daí, os remorsos chegarem tarde, ou nunca chegarem.

O arrependimento, para muita gente, é algo difícil. Assim como o perdão. São gestos encarados como sinais de fraqueza. Eu acho exactamente o contrário. É preciso muita coragem para arrependermo-nos dos nossos actos e perdorarmos quem nos fez mal.

Voltando ao desconfinamento, instalado um clima de maior segurança e, aparentemente, tendo passado a tempestade, já podemos todos voltar a ser umas bestas, porque afinal não vamos morrer e o Céu, ou o Inferno, ainda estão longe…

Dias do fim – 7

Maio 22nd, 2020

Comecei a ler um artigo num relativamente famoso blog, de uma relativamente famosa pessoa e parei ao segundo parágrafo, quando a autora cita uma “intelectual norte-americana”.

Nem consegui ler mais.

Que profissão é essa? Intelectual. Alguém que passa o dia a pensar?

Parece que estou a imaginar a senhora, num qualquer balcão de atendimento e alguém lhe pergunta “profissão?”, resposta “intelectual”.

Fogo. Como é que um intelectual ganha a vida? O que é que produz? Como produz?

Como é avaliada a sua produtividade? Fica a pergunta.

Muitas respostas tem uma jovem portuguesa que vive na Suécia e que acha mais importante sair à rua do que evitar que alguém morra. Escreveu um extenso e irado texto num grupo de Facebook chamado #sairdecasa, mas que também se podia chamar “Somos um grupo de egoístas”. Apeteceu-me aderir ao grupo e dizer-lhe umas coisas… Mas alguém com este tipo de perfil, nem merece a minha consideração. Fica apenas a nota, numa altura em que até os próprios responsáveis lá do sítio admitem que a estratégia não foi, propriamente, a mais correcta. Parece que a cena de “salvar a economia” correu mal, o país está a caminho da pior recessão desde a Segunda Guerra Mundial, cai o PIB 7% e, talvez um bocadinho mais importante, caem suecos como tordos.

Mas a menina está toda contente, porque tem a sua liberdade de sair à rua. Yay!

Um grande “Yay!” para o meu filho de quase 3 anos, que ontem saiu à rua de máscara e manteve-a direitinha, no nariz, a maior parte do tempo.

Chegamos ao carro, tirou-a e não me pareceu traumatizado nem incomodado. Só dizia “sou o Wooper! sou o Wooper” (Wooper = Storm Trooper).

Estão a ver, adultos? É fácil.

E pronto… caiu um balde de água fria no orgulho portuense. Afinal, parece que a JK Rowling nunca esteve na Lello. É suficiente para já estar a ser insultada nas redes sociais… ela, os turistas, os donos da Lello. Afinal, tem que haver sempre sacos de pancada. E intelectuais. Ser intelectual é o que está a dar. E ser sueco.

Quem também caiu, foi um jovem de Viana do Castelo que resolveu mandar-se de um telhado para um rio. O plano saiu gorado por uma pedra que, “do nada”, lhe apareceu a meio do caminho. No vídeo, partilhado por aí, é visível a estupidez e audível os ossos a partirem-se todos.

Alguém que, claramente, não é intelectual, nem sueco… porque sobreviveu.

Dias do fim – parte 6

Maio 21st, 2020

Naquele tempo, disse alguém, no Brasil: “Ainda bem que a Natureza criou este monstro, o Coronavírus!”

Todos dirão: “Bolsonaro!”. Errado: Lula da Silva.

Fogo, os brasileiros estão mesmo lixados. Não há ponta por onde se lhe pegue…

Quando ouço os defensores vorazes do desconfinamento dizerem que devemos confiar no bom senso e na maturidade do povo, lembro-me do senhor que passou por mim na rua, montado na sua motorizada, capacete enfiado no braço, cigarro no canto da boca e a expelir fumo por todo o lado, principalmente quando passou junto a mim e ao meu filho.

Que Rei!

Raínha também é a vizinha do fundo da rua, que arranca no seu carro, com a agressividade do Schumacher e regressa qual encarnação do Senna. Quem sou eu para condenar o espírito F1 da senhora mas… vá… isto é uma zona de moradias, em que as crianças brincam na rua, andam de bicicleta e trotinete, jogam à bola…

E voltamos à questão do bom senso do povo. Quantos de nós não temos aquele amigo que diz “eu não cumpro os limites de velocidade, mas eu sei conduzir!; ou o outro “se o meu carro chega bem aos 200, porque vou andar a 120?”

E depois, dizem as estatísticas que o excesso de velocidade é a principal causa de acidentes. E o alcoól: “eu bebo à vontade, porque depois sei o que faço.”

Cada tiro, cada melro. Ayrton Senna, o melhor piloto de todos os tempos, morreu numa manobra mal calculada. Mas o Zé da Esquina metia o Senna num bolso.

“Eu não uso preservativo, mas tiro a tempo!”

Se os vossos pais tivessem usado preservativo, isso sim, é que era!

Dias do Fim – parte 5

Maio 20th, 2020

Hoje comi um iogurte do côco e regressei aos verões da minha infância, a comê-lo na praia, enrolado na toalha, depois de ter andado a brincar na água; ou sentado na soleira da porta, aos pés da minha avó Maria, enquanto ela fazia a sua renda; ou, no fim de um almoço de Domingo…

É incrível como os sentidos nos ajudam a viajar no tempo.

Viajar é algo complicado nos próximos tempos, logo este ano em que ia passar uns dias em S. Miguel, aproveitando para correr e conhecer a ilha que tanta curiosidade despertou na Teresa.

Ficará para outra altura, com certeza, porque não há mal que sempre dure.

Dura tem sido a vida de todos aqueles ligados às artes e ao espectáculo. Apesar de a Música não ser a minha actividade profissional principal, dá um dinheirinho extra no final do ano. A minha solidariedade para com todos os colegas músicos, maestros, cantores, técnicos, a todos que viram o seu ganha pão parar de um momento para o outro. Para a outra da SIC, vai uma grande obscenidade… não encontro uma forma civilizada de responder a quem não compreende a civilização.

(de um programa chamado Passadeira Vermelha, onde só se fala de futilidades, nunca poderíamos esperar elevação para discutir um assunto sério)

Sérios parecem ser os problemas de memória (isto para não dizer que o gajo está maluco) de Pablo Aimar, antiga glória do Benfica, cujo cabelo à banda hard rock dos anos 80 / 90 sempre me fascinou. Então não é que o Aimar diz que foi uma “aparição” quando viu o João Félix na formação do clube encarnado. Deve ter sido mesmo uma “aparição”, dado que o craque com nome de traficante saiu do Benfica em 2013 e o Félix entrou em 2015. Só falta dizer que o jovem viseense apareceu todo vestido de branco em cima de uma azinheira.

Mas, cala-te boca, que futebol e quejandos é terreno pantanoso.

Até amanhã e aproveitem o solinho!

Dias do Fim – parte 4

Maio 19th, 2020

Parece que já houve cavalos, ou burros, que anteciparam o tiro de partida, galgaram a cerca e foram para a rua de Santa Catarina, formar uma gigantesca fila à porta dessa loja de bens essenciais, de seu nome Zara. Sabemos que depois da pandemia, o “tuga” não volta a comprar nas lojas dos chineses, mas nas espanholas “no pasa nada”. Ole!

Portanto, ao fim destes 67 dias, o que fazia falta mesmo, era roupinha. Imagino o que terá sido dentro da loja.

Terá sido algo equivalente ao que se passou algures em Lisboa, onde adeptos dos dois maiores clubes lá do sítio já andaram a matar saudades e a “matar-se” uns aos outros… E ainda faltam duas semanas para o campeonato reabrir. Isto sim, é o regresso à normalidade.

Regresso à normalidade que nos coloca a todos entre a espada e a parede. Entre a espada e a parede é uma bela canção do Abrunhosa, mas é, acima de tudo, um sentimento que flutua sobre as nossas vidas.

Quando era criança e, pela primeira vez, ouvi esta expressão, imaginei de imediato alguém, encostado a uma parede, com uma espada apontada ao abdómen. É claro que não podemos andar para trás (parede), nem para a frente (espada), mas podemos andar para o lado, ou não?

Eu acho que o verdadeiro significado da expressão reside mesmo aí, no facto de, permanentemente, termos de andar para os lados, como se de um precepício se tratasse.

Ocorrem-me também os filmes sobre a Roma antiga e o processo motivacional dos escravos. Se páras: levas com o chicote. Se levas com o chicote: ficas debilitado. Se ficas debilitado: páras mais. Se páras mais: levas com o chicote.

Faz-vos lembrar alguma coisa? É-vos familiar? Pensem nisto. E pensem no que é pegar na vida com pinças.

Bem, por hoje é tudo, eu ainda tenho roupa para este Verão, portanto estou safo.

Dias do Fim – parte 3

Maio 18th, 2020

Não há como fugir: a maior parte de nós vive dependente das redes sociais. É um vício, que tem tanto de bom como de mau. Vício que, nestes tempos de confinamento, ganhou uma dimensão extra.

Não torças o nariz: provavelmente chegaste aqui através do Facebook, que é um dos dois únicos sítios onde partilho estes textos. O outro é o WhatsApp.

Então… ainda achas que isto das redes sociais é paranóia minha?

Não me interpretem mal, as redes sociais fazem parte do meu ganha pão. Trabalho agarrado a seis delas grande parte do tempo, portanto, longe de mim ser daqueles que passa a vida no Facebook a dizer que o Facebook é mau.

Confesso que fico vaidoso quando algo que público tem reactividade, likes partilhas e tudo a que tenho direito. Mas, por vício profissional, sou muito mais atento a quem não reage do que a quem reage.

Vamos parar aqui para pensar um pouco. Respirar fundo… Cá vai…

Muitas vezes, colocamos o gosto de forma indistinta, quase automaticamente, como aquele LOL que dizemos sem vontade nenhuma de rir. É, ou não é, verdade?

Mas o ignorar, o não dizer nada, pressupõe muitas vezes uma atitude de desacordo, quase repulsa, dado que o Facebook não tem a opção Não Gosto.

E isto do ignorar tem muito que se lhe diga. O Miguel Monteiro dizia-nos, muitas vezes, que a primeira necessidade que o ser humano manifesta quando nasce é a necessidade de aceitação: querer ser aceite pelos pais, pela família, pelo Mundo que o rodeia. Nos antípodas disto está o sermos ignorados, no limite, rejeitados. E a rejeição é das coisas mais difíceis com que temos que lidar. Mexe com o nosso “eu” mais profundo, mais primitivo. Mexe com o nosso próprio instinto de sobrevivência.

Saber reagir a tudo sempre foi um dos pontos fortes do grande José Mourinho, homem por quem nutro sincera admiração, mesmo que os seus golden days já pareçam distantes. E, José Mourinho disse, há muitos anos, numa conferência de imprensa pós-jogo, que não eram os grandes erros de arbitragem que o enervavam, os penalties, os fora-de-jogo, os golos anulados… Não. Eram as pequenas faltas a meio campo, os lançamentos assinalados ao contrário, as paragens por tudo e por nada. Dizia ele que era isso que irritava e desconcentrava os jogadores.

É a diferença entre conduzirmos numa estrada excelente, mas com um buracão a dado ponto, ou guiarmos o nosso carro por uma caminho irregular e cheio de buraquinhos.

Enquanto escrevia este texto ouvi a notícia de que hoje reabrem as tascas. Tudo preocupado em ir à praia e eu a sonhar com uma tasca recheada de amigos, canecas de cerveja e petiscos. E depois partilhar tudo no “Insta” e em todo o lado.

Por falar em amigos, tenho saudades vossas, pá!

Dias do Fim – parte 2

Maio 17th, 2020

Imbecil.

Desculpem, em primeiro lugar, bom dia!

Imbecil.

Foi a palavra com que adormeci ontem.

Uma escriba das redes sociais, alguém de quem já não me recordo o nome (nem quero!), lavrou uma extensa prosa sobre os directos do Bruno Nogueira e, a dada altura, define como imbecil quem não viu nada de interessante, ou relevante, nessa “cena”.

(desculpem usar a expressão “cena”, mas não sei como definir essa… “cena”)

Aliás, o dia de ontem foi todo ele repleto de extensas prosas sobre os directos do Bruninho…

Voltanto à imbecilidade… Ora, como eu não vi, nem um segundo, desses famosos lives, arrisco-me a cair nesse grupo de imbecis.

«eh pá! não viste? como é possível? aquilo foi a melhor “cena” desdes últimos meses!»

Malta… calma… acredito que sim.

Reparem… este imbecil aqui, há muitos anos que é admirador confesso e incondicional do Bruno Nogueira. Sabe muito bem do que ele é capaz. Gosta tanto dele, que até gosta das cenas que não têm piada nenhuma!

Mas, desta vez, simplesmente, não tive interesse e/ou tinha outras coisas para fazer.

(a propósito de outras coisas para fazer, se gostam de ler, sigam a saga “Força Sigma” de James Rollins… mas só se quiserem, não vou chamar nomes a ninguém por causa disso…)

A verdade é que este tipo de apedrajamento é frequente e já levei com umas boas bojardas por nunca ter visto o Game of Thrones, a Casa de Papel e outras “cenas”.

Então com músicas é que é. Como não ouço as rádios mainstream, há muita coisa que (felizmente!) me passa ao lado. “Não conheces, António??? Mas isso passa em todo lado!!!” Não nos lados por onde eu ando, graças a Deus…

Mas não vou chamar nomes a ninguém por causa disso…

Há tempos pediram-me para tocar uma coisa chamada “You raise me up” num casamento e, quando disse que não conhecia, ia sendo fuzilado. Depois de ouvir, percebi porque não conhecia. Toquei e voltarei a tocar quando me encomendarem… tenho que ser profissional. Mas não vou chamar nomes a ninguém por causa disso…

Voltando ao Bruno Nogueira, vendo de fora, constato que ele se tornou, consciente ou inconscientemente, numa caricatura dele próprio.

Todo este hype à volta dos directos dele, fez-me lembrar um “Tubo de Ensaio” que fez com o João Quadros sobre o “Fora da Caixa” (procurem no site da TSF que deve andar por lá). De repente, o Bruno Nogueira que quebrava as convenções, chocava, surpreendia, torna-se tudo o que uma celebridade da Internet pode querer: mainstream, influenciador, ao mesmo tempo culto e intelectual e, acima de tudo, trendy. Tão trendy que, quem não foi arrastado pela trend, acaba por ser imbecil.

Presumo que na reabertura das esplanadas, muita gente estará de copo de gin, ou vinho branco na mão (a segurar pelo pé, como é óbvio), óculos de sol, cigarrilha, dissertando sobre esta “cena” tão cool do Bruno. Até ao dia em que ele volte a escrever um daqueles textos que vos fazem espumar de raiva e coloque as vossas elevadas almas a chamá-lo de imbecil…

Estou a caminho dos 41 anos e já fui imbecil, muitas vezes, nesta vida. Continuo a ser. Faz parte. Qualquer um de nós pode tropeçar na imbecilidade, incluindo quando chamamos imbecil a quem não curte as mesmas “cenas” que nós…

Há tempos, em minha própria casa, um convidado dizia que detestava Star Wars. Vivendo eu num verdadeiro Templo Jedi, era, ou não era, suficiente para mandar o gajo pela varanda fora, ou, quando muito, chamar-lhe imbecil?

Claro que não… Podem não gostar do Star Wars, mas não vou chamar nomes a ninguém por causa disso…

António Pinheiro

Profissional de marketing, músico e corredor por prazer. Corre na estrada, no monte e de um lado para o outro na vida, atrás e à frente dos filhos.