António Pinheiro

Profissional de marketing, músico e corredor por prazer. Corre na estrada, no monte e de um lado para o outro na vida, atrás e à frente dos filhos.

Adeus (2)

Agosto 18th, 2009

Aquela era a hora.

Os astros o diziam.

O vento cantava.

A estrada pela frente.

Sabia que o dia viria.

Desde o início.

O dia do adeus.

Um adeus tão triste quanto feliz.

Um adeus que partia um coração em dois.

Respira.

Olha em frente.

Avança.

Adeus…

As flores

Agosto 16th, 2009

Quando a dor o fustigava e olhava impotente para as feridas que o matavam, encontrou um jardim.

O suave aroma daquelas flores, rapidamente, o fez esquecer que sangrava, amenizou-lhe a dor e pintou um novo sorriso no seu rosto.

Deliciou-se com o calor daquelas pétalas. Colheu-as apenas com o olhar, pois nada o faria arrancar tal candura àquela terra.

Agradeceu sorrindo e tornou-as suas.

 

(dedicado à Filipa, à Mafalda, à Rita e à Sara )

Sempre

Agosto 15th, 2009

Mesmo quando habitamos planetas diferentes.

Mesmo quando os nossos relógios marcam horas opostas.

Mesmo quando caminhamos sob diferentes sóis.

Mesmo quando os nossos sorrisos estão invertidos.

Mesmo quando amamos com outros corações…

Guardei um beijo…

Agosto 12th, 2009

Era já noite alta quando me procuraste.

Vieste como se fosse dia e, sem dizer mais nada, entregaste-me um beijo.

Era um beijo com um sabor único, temperado pela saudade e pela dor profunda de estarmos longe.

Recebi-o.

Guardei-o.

E, quando acordei, senti-o.

Ecos da Solidão

Agosto 10th, 2009

Pensava eu estar no meio de tanta gente, mas a multidão era o deserto.

Todos me abandonaram, deixando-me nas mãos do acaso e daquilo que a Fortuna quis fazer comigo.

Espancaram-me, feriram-me, sangraram-me e eu nunca virei a cara à luta.

Quando me julgavam morto, apareci no meio deles e de imediato a Morte atingiu-os sem piedade. Libertei-me, enfim, das garras da solidão.

Caminhei por cima dos cadáveres daqueles que me condenaram, espezinhando as vísceras, os ossos e o sangue daquela gente abjecta.

Limpei o mundo da podridão e descobri que só eu, apenas eu, poderia continuar aquela demanda infinita.

Não sei

Agosto 10th, 2009

Não sei

Que música ouvir

Que filmes ver

Que perfumes sentir

Que livros ler

Que muros subir

Que mundos conhecer

Que portas abrir

Que estradas correr

Que vidros partir

Que barreiras vencer

 

Não sei

Por onde andar

Viajar

Dançar

 

Quando tu não estás

E eu fico louco

E nada faz sentido

Anoitecer

Agosto 6th, 2009

É nessa hora que matamos o Mundo.

Voas comigo para outro planeta. Um planeta que os nossos sonhos desenharam num Universo que não existe.

Somos Deuses e ao sétimo dia descansamos, nos braços um do outro. Vimos tudo o que tínhamos feito. Era tudo muito bom.

No princípio era o Verbo e no fim só restam sorrisos, beijos soltos e suor.

António Pinheiro

Profissional de marketing, músico e corredor por prazer. Corre na estrada, no monte e de um lado para o outro na vida, atrás e à frente dos filhos.