António Pinheiro

Profissional de marketing, músico e corredor por prazer. Corre na estrada, no monte e de um lado para o outro na vida, atrás e à frente dos filhos.

O triângulo

Abril 16th, 2009

Chegou a pensar ter decidido cedo de mais. Chegou a pensar ter cometido um erro. Mas a equação tinha sempre duas soluções.
Diziam-lhe que não, que era impossível: “só podes ter uma resposta certa”.
Mas ele tinha duas. Às vezes sentia-se confuso mas, a maior parte das vezes, sentia-se feliz. Adorava desenhar e redesenhar aquele triângulo. Sentia-se confortável por poder repousar sempre num dos lados, ou até mesmo nos dois.
Era um sistema complicado, arriscado, mas sempre com os mesmos valores de x e y.
Matemática pura. E ele que nem gostava de matemática.
Questionou-se muitas vezes. Seria necessário anular uma variável? Haveria algum lado desequilibrado? Às vezes ficava com um triângulo profundamente escaleno. Decidia remover um dos lados, mas só com duas linhas não há forma geométrica, não há aconchego, protecção.
Então, com régua e esquadro, redesenhava e contemplava o triângulo agora equilátero.
Poderia ter esperado por outras variáveis? Poderia ter simplificado ou complicado o sistema?
Talvez.
Mas nada seria como a equação com dois resultados.

Mas afinal…

Abril 15th, 2009

Há alguns anos atrás, da primeira vez que o Dr. Luis Filipe Menezes se candidatou à Câmara Municipal de Gaia, a principal arma do PS contra o candidato do PSD foi: “Esse homem não é de Gaia! É um pára-quedista!”

No entanto, o candidato que o PS apresenta às Autárquicas de 2009, também não é Gaiense. Pessoalmente, não tenho nada contra isso. Quem é competente, é competente em qualquer lado. Contudo, penso que a estrutura do PS-Gaia demonstra aqui uma enorme falta de coragem, principalmente Eduardo Vitor Rodrigues, que passou os últimos quatro anos a descascar no Dr. Menezes.

O mais natural não seria ele próprio enfrentar o combate nas urnas?

Não sei… é uma questão que fica.

Ainda as famosas “escutas”

Abril 11th, 2009

1 – Diz o meu amigo Indy que a justiça em Portugal é uma vergonha. Concordo! Só num país como Portugal é que andam os tribunais a perder tempo e dinheiro com base num livro escrito por uma prostituta. Em qualquer outro país civilizado, o ninguém com o mínimo de bom senso reabriria um processo, anteriormente arquivado, com base no “depoimento” de alguém sem o mínimo de credibilidade. Só num país como Portugal, se movem processos com base na pura perseguição a pessoas, instituições, símbolos, povos de uma determinada região.

2 – Diz também o Indy que, no caso do “Apito Dourado” ainda não viu ninguém do FCP a desmentir as famosas escutas. Eu não desminto, porque não as conheço. Por isso mesmo, resolvi fazer uma pesquisa na net. Procurei, procurei, procurei as tão faladas escutas do Pinto da Costa. Ao fim de duas horas a chafurdar no Google, o máximo que consegui encontrar foi o texto que abaixo transcrevo num blog de fãs do Sporting:

As escutas telefónicas da PJ a Pinto da Costa :
“SALADA DE FRUTAS”

António Araújo (AA) – Ó senhor presidente, eu…eu…ligaram para mim a pedir-me fruta para logo á noite. Posso levar a fruta á vontade ?

Pinto da Costa (PC) – Já, foi mandada

AA – Mas a fruta é para dormir!… É o homem que vai ter consigo de tarde, o JP, é um rebuçado para logo á noite…

PC – Diga que sim senhor.

AA – Só estou a dar-lhe… a dar conhecimento, ao presidente, senão isso fica…é que eu…é que eu estou sempre a dispor, a dispor, também não há necessidade!

3 – É óbvio que se trata de uma conversa abstrata que pode ter 1.001 interpretações. Afirmar que Pinto da Costa é corrupto com base neste esquisito diálogo é um acto de desonestidade intelectual e má-fé.

4 – Outra coisa que vários Benfiquistas e Sportinguistas têm dito ultimamente, é que “toda a gente sabe que o PC é corrupto”. Mas, quando eu pergunto “e provas?” eles remetem-me para as tais escutas. Eu pergunto novamente “mas o que dizem as escutas?”. Resposta: “dizem que o PC é corrupto.”
Ou seja, nem eles sabem o que dizem as escutas mas, no entanto, afirmam com toda a certeza que o PC devia ir preso.

5 – Mais uma vez se prova a fragilidade de todas as acusações movidas contra PC e o FCP (ver o meu post anterior sobre esta matéria). Acusações construídas com base em mitos populares, fomentados pelos poderes de Lisboa, sem provas, sem credibilidade, sem matéria de facto. Já para não falar no ridículo de irem a tribunal com um jogo em que, quem foi roubado, foi o FCP!

6 – Contudo, mesmo perante todas as evidências jurídicas e legais, eles vão continuar a falar de “fruta”, envelopes, apitos, para explicar os seus fracassos desportivos, época após época, treinador após treinador, presidente após presidente.

7 – Esta semana um amigo meu, portista, dizia, comentando o castigo aplicado ao Lisandro López: “acho muito bem que o Pinto da Costa roube! Só roubando é que conseguimos competir em pé de igualdade com o Benfica e com o Sporting!”

No further questions your honor

Primavera

Abril 9th, 2009

Foi um beijo curto, até mesmo tímido, às escondidas, mas saborearam-no como se tivesse durado minutos.
Separaram-se e, horas mais tarde, cada um na solidão do seu quarto, ainda sentiam o sabor dos lábios do outro.
Acordaram com o mesmo sabor mas famintos por mais. Mas o beijo teria que ser apenas sentido e não dado.
Às vezes tudo fugia. Sentiam-se no abismo e parecia que nada os iria segurar. Então, agarravam-se à única coisa que tinham: aquele amor construído com tantas lágrimas mas, ao mesmo tempo, com tantos sorrisos.
O abismo desaparecia e tudo voltava a ser como devia ser. Os espinhos, a dor, ficaria para outra altura, mas agora era Primavera.

Para ti…

Abril 7th, 2009

Nem raios ou trovões
Nem violentas tempestades
Nem cadeias ou prisões
Contra todas as vontades

Nem vales ou abismos
Nem rochas ou montanhas
Nem vulcões ou sismos
Rasgarei minhas entranhas

Mesmo nu
Cansado
Derrotado
Quebrado

Serei sempre o teu abrigo
A tua cama
O teu lençol
O teu amparo
A tua gruta
O teu calor
O teu refresco
Os teus passos e a tua força

Pintarei o teu céu com estrelas

Serei tudo que queres e precisas
Serei tudo para que o Sol não deixe de brilhar e a chuva não te toque
Serei o Mundo e o Universo

Amor nas Catacumbas

Abril 6th, 2009

Iluminaste com o teu sol
Aquele recanto escuro
Em que nem a luz da lua penetrava
Nem uma única estrela brilhava

Era apenas o toque da tua boca
Das minhas mãos
Da tua pele
De dois corpos
Flutuantes na escuridão

Rendi-me ao teu ser
Como sempre me rendi
E rendido me entreguei
À força das tuas mãos
Que como garras me prenderam
E sugaram-me o ar
O sangue
O sémen

O meu corpo abandonei ao teu
E aquele amor que me dizias
Era finalmente tão real
Tão forte e tão profundo
Tão sentido e vivido

Era loucura
Era desejo
Era saliva e suor
Perdidos num beijo
Repetido e repetido

Senti-me explodir
Senti-me morrer
Desfalecer
Desaparecer

Caí por terra
Ainda preso pelas tuas garras
Gritei
Ri e chorei

Éramos agora gestos indecisos
E aquele intenso ardor na pele

Caídos por terra ficamos
Amados
Suados

FCP 3 – Morgado 0

Abril 4th, 2009

Legalmente, Pinto da Costa é um homem inocente. Terá sido uma decisão justa? Para mim foi, mas quem sou eu para questionar uma decisão do tribunal? Vivemos num Estado de Direito em que existem 3 Órgãos de Soberania, independentes uns dos outros, cada um com as suas funções: o Presidente da República, a Assembleia da República e os Tribunais. Até agora, todas os processos contra o FCP e PC que foram parar aos Tribunais, um órgão de soberania, “bateram no poste”.

O engraçado nisto é a postura dos nossos adversários:

– “têm-se safado até agora, mas quando isto for a tribunal o PC não escapa”

– “os tribunais em Portugal não valem nada… quando isto for parar à UEFA é que vai ser!”

– “até na UEFA o PC tem influência! quando isto chegar ao tribunal arbitral do desporto… eles vão ver!”

Ou seja, de organismo em organismo, de decisão em decisão, em Portugal e no Estrangeiro, não houve uma única condenação… Minto, há a condenação do Sr. Ricardo Costa, que faz lembrar aquela mãe que ao ver o filho a marchar na tropa exclama: “1500 soldados e só o meu filho é que vai bem!”

É ridícula… mas tem sido esta a postura das instâncias desportivas portuguesas, que descredibilizam decisões de Órgãos de Soberania e continuam orgulhosamente sós numa campanha contra o FCP.

Depois, eles argumentam com a legalidade da prova mas isso só confirma a pouca força da acusação. Ou seja, se as acusações contra o FCP tivessem verdadeiro e sólido fundamento, existiriam mais provas para além das escutas. Desconhecendo eu o processo, as únicas provas apresentadas em público foram as ditas escutas que, por si só, pouco ou nada provam e o livro da Carolina Salgado. Haveria mais provas? Se sim, seriam também fracas. Se não, confirma-se que a acusação tinha pouca força.

Tudo isto, confirma que, todos estes processos movidos contra o FCP são uma obstinação de alguém porque, ninguém em seu perfeito juízo, move processos sem uma base de argumentação sólida.

Para além de tudo, no processo que hoje terminou, nem sequer foram apresentadas a prova as ditas escutas. A única “prova” era um depoimento contraditório, de uma testemunha pouco ou nada credível, sendo que, o dito processo foi reaberto na sequência da edição de um livro. Ora, nesse livro, a autora confessa um crime: “fui eu quem mandou espancar o vereador da Câmara de Gondomar”. Pergunto eu, como é que o Ministério Público, com base no livro, abre processos contra o PC e não abre contra a Carolina Salgado, autora confessa de um crime de atentado à integridade física?

Haveria algum acordo secreto entre Carolina Salgado e o Ministério Público? Tipo “dizes tudo o que sabes e a gente não te acusa?” Mesmo “à filme americano”.

Não sei.

O que os portistas questionam é a dualidade de critérios existente neste país e isso é um facto: nas capas de jornais, nas televisões, até mesmo no facto de terem nomeado uma Procuradora especial para perseguir o FCP. O mais caricato neste facto é que a dita procuradora está casada com um reputado fiscalista envolvido num processo de corrupção. No mínimo.. irónico.

Portanto, neste momento, tudo o que existe sobre o FCP é aquilo que sempre existiu, a partir do momento em que um “pequeno clube da província” afrontou o confortável “status quo” do futebol português. Um pequeno clube que afrontou a alternância saudável entre os clubes da capital.

Um pequeno clube que, ao fim de quase 40 anos acabou por provar ser muito mais do que isso. Tornou-se (apesar de muitos o quererem negar) um símbolo de uma região e de um povo, historicamente habituados ao sofrimento e à discriminação face aos centros do poder. O FCP é, neste momento, uma das marcas portuguesas com mais sucesso. Pode não ter tanta notoriedade como o SLB mas, “empresarialmente” falando, é muito superior. E isto irrita as elites de Lisboa.

Mas isto são outras histórias.

Tudo o que existe é o que existia antes. Antes mesmo de PC aparecer no mundo do futebol. E tudo o que continuará a existir quando ele se for embora.

O essencial é que as várias tentativas de meterem Pinto da Costa na cadeia e descredibilizarem os êxitos desportivos do FCP têm caído por terra.

Mas está visto que os nossos adversários não se rendem. Vão continuar… e nós também!

No dia em que conseguirem provar tudo o que se diz, sou o primeiro a dar a mão à palmatória e a ter vergonha por ter um presidente corrupto no meu clube.

Mas, enquanto esse dia não chegar e, espero eu, que nunca chegue, continuarei a ter o mesmo orgulho em ser do FCP!

Viva o FCP!
Viva Pinto da Costa!

António Pinheiro

Profissional de marketing, músico e corredor por prazer. Corre na estrada, no monte e de um lado para o outro na vida, atrás e à frente dos filhos.