António Pinheiro

Profissional de marketing, músico e corredor por prazer. Corre na estrada, no monte e de um lado para o outro na vida, atrás e à frente dos filhos.

Porque há sempre esperança…

Abril 21st, 2009

Ela tinha dito que não podia… naquele dia, não ia dar. Mas ele foi até ao ponto de encontro. Sabia que ela não ia, mas só o facto de estar naquele local, aproximava-o dela.
Chegou e ficou sentado.  Levantou-se e voltou a sentar-se.
Passou uma hora. Passou outra e mais meia.
Quando estava prestes a desistir, ouviu passos, olhou. Era ela! Sorria, como sempre, bela, indescritível.
Ele ficou imóvel. Ela abraçou-o.
Ela viera.

O triângulo

Abril 16th, 2009

Chegou a pensar ter decidido cedo de mais. Chegou a pensar ter cometido um erro. Mas a equação tinha sempre duas soluções.
Diziam-lhe que não, que era impossível: “só podes ter uma resposta certa”.
Mas ele tinha duas. Às vezes sentia-se confuso mas, a maior parte das vezes, sentia-se feliz. Adorava desenhar e redesenhar aquele triângulo. Sentia-se confortável por poder repousar sempre num dos lados, ou até mesmo nos dois.
Era um sistema complicado, arriscado, mas sempre com os mesmos valores de x e y.
Matemática pura. E ele que nem gostava de matemática.
Questionou-se muitas vezes. Seria necessário anular uma variável? Haveria algum lado desequilibrado? Às vezes ficava com um triângulo profundamente escaleno. Decidia remover um dos lados, mas só com duas linhas não há forma geométrica, não há aconchego, protecção.
Então, com régua e esquadro, redesenhava e contemplava o triângulo agora equilátero.
Poderia ter esperado por outras variáveis? Poderia ter simplificado ou complicado o sistema?
Talvez.
Mas nada seria como a equação com dois resultados.

Mas afinal…

Abril 15th, 2009

Há alguns anos atrás, da primeira vez que o Dr. Luis Filipe Menezes se candidatou à Câmara Municipal de Gaia, a principal arma do PS contra o candidato do PSD foi: “Esse homem não é de Gaia! É um pára-quedista!”

No entanto, o candidato que o PS apresenta às Autárquicas de 2009, também não é Gaiense. Pessoalmente, não tenho nada contra isso. Quem é competente, é competente em qualquer lado. Contudo, penso que a estrutura do PS-Gaia demonstra aqui uma enorme falta de coragem, principalmente Eduardo Vitor Rodrigues, que passou os últimos quatro anos a descascar no Dr. Menezes.

O mais natural não seria ele próprio enfrentar o combate nas urnas?

Não sei… é uma questão que fica.

Ainda as famosas “escutas”

Abril 11th, 2009

1 – Diz o meu amigo Indy que a justiça em Portugal é uma vergonha. Concordo! Só num país como Portugal é que andam os tribunais a perder tempo e dinheiro com base num livro escrito por uma prostituta. Em qualquer outro país civilizado, o ninguém com o mínimo de bom senso reabriria um processo, anteriormente arquivado, com base no “depoimento” de alguém sem o mínimo de credibilidade. Só num país como Portugal, se movem processos com base na pura perseguição a pessoas, instituições, símbolos, povos de uma determinada região.

2 – Diz também o Indy que, no caso do “Apito Dourado” ainda não viu ninguém do FCP a desmentir as famosas escutas. Eu não desminto, porque não as conheço. Por isso mesmo, resolvi fazer uma pesquisa na net. Procurei, procurei, procurei as tão faladas escutas do Pinto da Costa. Ao fim de duas horas a chafurdar no Google, o máximo que consegui encontrar foi o texto que abaixo transcrevo num blog de fãs do Sporting:

As escutas telefónicas da PJ a Pinto da Costa :
“SALADA DE FRUTAS”

António Araújo (AA) – Ó senhor presidente, eu…eu…ligaram para mim a pedir-me fruta para logo á noite. Posso levar a fruta á vontade ?

Pinto da Costa (PC) – Já, foi mandada

AA – Mas a fruta é para dormir!… É o homem que vai ter consigo de tarde, o JP, é um rebuçado para logo á noite…

PC – Diga que sim senhor.

AA – Só estou a dar-lhe… a dar conhecimento, ao presidente, senão isso fica…é que eu…é que eu estou sempre a dispor, a dispor, também não há necessidade!

3 – É óbvio que se trata de uma conversa abstrata que pode ter 1.001 interpretações. Afirmar que Pinto da Costa é corrupto com base neste esquisito diálogo é um acto de desonestidade intelectual e má-fé.

4 – Outra coisa que vários Benfiquistas e Sportinguistas têm dito ultimamente, é que “toda a gente sabe que o PC é corrupto”. Mas, quando eu pergunto “e provas?” eles remetem-me para as tais escutas. Eu pergunto novamente “mas o que dizem as escutas?”. Resposta: “dizem que o PC é corrupto.”
Ou seja, nem eles sabem o que dizem as escutas mas, no entanto, afirmam com toda a certeza que o PC devia ir preso.

5 – Mais uma vez se prova a fragilidade de todas as acusações movidas contra PC e o FCP (ver o meu post anterior sobre esta matéria). Acusações construídas com base em mitos populares, fomentados pelos poderes de Lisboa, sem provas, sem credibilidade, sem matéria de facto. Já para não falar no ridículo de irem a tribunal com um jogo em que, quem foi roubado, foi o FCP!

6 – Contudo, mesmo perante todas as evidências jurídicas e legais, eles vão continuar a falar de “fruta”, envelopes, apitos, para explicar os seus fracassos desportivos, época após época, treinador após treinador, presidente após presidente.

7 – Esta semana um amigo meu, portista, dizia, comentando o castigo aplicado ao Lisandro López: “acho muito bem que o Pinto da Costa roube! Só roubando é que conseguimos competir em pé de igualdade com o Benfica e com o Sporting!”

No further questions your honor

Primavera

Abril 9th, 2009

Foi um beijo curto, até mesmo tímido, às escondidas, mas saborearam-no como se tivesse durado minutos.
Separaram-se e, horas mais tarde, cada um na solidão do seu quarto, ainda sentiam o sabor dos lábios do outro.
Acordaram com o mesmo sabor mas famintos por mais. Mas o beijo teria que ser apenas sentido e não dado.
Às vezes tudo fugia. Sentiam-se no abismo e parecia que nada os iria segurar. Então, agarravam-se à única coisa que tinham: aquele amor construído com tantas lágrimas mas, ao mesmo tempo, com tantos sorrisos.
O abismo desaparecia e tudo voltava a ser como devia ser. Os espinhos, a dor, ficaria para outra altura, mas agora era Primavera.

Para ti…

Abril 7th, 2009

Nem raios ou trovões
Nem violentas tempestades
Nem cadeias ou prisões
Contra todas as vontades

Nem vales ou abismos
Nem rochas ou montanhas
Nem vulcões ou sismos
Rasgarei minhas entranhas

Mesmo nu
Cansado
Derrotado
Quebrado

Serei sempre o teu abrigo
A tua cama
O teu lençol
O teu amparo
A tua gruta
O teu calor
O teu refresco
Os teus passos e a tua força

Pintarei o teu céu com estrelas

Serei tudo que queres e precisas
Serei tudo para que o Sol não deixe de brilhar e a chuva não te toque
Serei o Mundo e o Universo

Amor nas Catacumbas

Abril 6th, 2009

Iluminaste com o teu sol
Aquele recanto escuro
Em que nem a luz da lua penetrava
Nem uma única estrela brilhava

Era apenas o toque da tua boca
Das minhas mãos
Da tua pele
De dois corpos
Flutuantes na escuridão

Rendi-me ao teu ser
Como sempre me rendi
E rendido me entreguei
À força das tuas mãos
Que como garras me prenderam
E sugaram-me o ar
O sangue
O sémen

O meu corpo abandonei ao teu
E aquele amor que me dizias
Era finalmente tão real
Tão forte e tão profundo
Tão sentido e vivido

Era loucura
Era desejo
Era saliva e suor
Perdidos num beijo
Repetido e repetido

Senti-me explodir
Senti-me morrer
Desfalecer
Desaparecer

Caí por terra
Ainda preso pelas tuas garras
Gritei
Ri e chorei

Éramos agora gestos indecisos
E aquele intenso ardor na pele

Caídos por terra ficamos
Amados
Suados

António Pinheiro

Profissional de marketing, músico e corredor por prazer. Corre na estrada, no monte e de um lado para o outro na vida, atrás e à frente dos filhos.