António Pinheiro

Profissional de marketing, músico e corredor por prazer. Corre na estrada, no monte e de um lado para o outro na vida, atrás e à frente dos filhos.

Lápis

Outubro 11th, 2008

lapis.jpg

Um dia
Voltei a escrever a lápis
Desliguei o computador
Desfiz-me da velha caneta

O lápis é genuíno
O lápis é melhor do que a vida
O lápis pode ser apagado
Tem consigo o estigma do rascunho

O lápis é natural
Naturais moléculas de carbono

O lápis é musical
Haverá som mais…
Mais…
Irrequieto que um lápis a dançar no papel?

O lápis morre
Vai escrevendo
Vai mingando
Vai ficando mais nosso
Como se ao imprimir-se no papel
Se transformasse num órgão do nosso corpo

Um dia
Voltei a escrever a lápis
Ele estava ali
E guiado por um impulso peguei nele

Estava tão afiado
Que de imediato
Abri o caderno e risquei
Risquei
Risquei
Risquei

Escrevi uma dezena de disparates
Com o lápis
Sobre o lápis
Sobre o papel

Comments

3 Comments

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  • Joana Alves says on: 12 de Outubro de 2008 at 1:36

     

    Também tinha deixado de escrever a lápis!

    Mas um dia deu-me vontade e também voltei a pegar nele… hoje já escrevo muita coisa a lápis outra vez…

    Uma coisa gira é ver as novas tecnologias dos aguças… há aguças mesmo muito sofisticados… e eu nem sabia!

    🙂 Bxinhux

  • Mafalda says on: 12 de Outubro de 2008 at 13:04

     

    Os “lápes” xD

    E tu podes escrever com qualquer coisa, lápis, caneta… que o que escreves é perfeito 🙂

  • Dulce says on: 25 de Outubro de 2008 at 17:07

     

    Sim concordo =)
    “O lápis é melhor do que a vida
    O lápis pode ser apagado
    Tem consigo o estigma do rascunho”
    Na vida não há rascunhos e o que escreves não pode ser apagado e desse ponto de vista concordo contigo =) Mas continuo a preferir a caneta ao lápis =)

    —————————————
    Gosto muito dos teus poemas =) Continua o bom trabalho =)

António Pinheiro

Profissional de marketing, músico e corredor por prazer. Corre na estrada, no monte e de um lado para o outro na vida, atrás e à frente dos filhos.