Queimas
Incendeias
Derretes o mais sólido gelo
És fogo
Labareda incandescente
Chama sem fim
Combustível
Explosão
Suor
Êxtase
Cansaço
Depois do fogo
Resta-me a cinza
Vestígios de um cigarro
Que fumamos na ressaca do prazer
Sombra de um incêndio
Que dizimou a floresta da nossa paixão
A cinza
Fica
Em nós
Quando abandonas o meu corpo
Quando partes
E deixas teus olhos em mim
A teu cheiro
O aroma que vem de dentro de ti
Que me enebria
Que me tira a razão
É a minha cinza…
(montagem em Photoshop CS2, a partir de foto recolhida na Internet)
Ele estava lá.
Nada mais tinha para lhe dar a não ser um ombro, onde ela pudesse dormir, descansar, repousar de dias fatigantes, da pressão do austero patrão, do entra e sai de clientes.
Ela veio.
Apenas para partilhar um espaço, ouvi-lo e falar com ele. Ela fez com que ele, pela primeira vez em muito tempo, se sentisse acompanhado num Mundo tão grande que lhe fugia como areia por entre os dedos.
Depois de uma troca de olhares, que não foi mais do que um “quem és tu que conheço há tanto tempo?”, falaram… falaram horas a fio.
Alguém, no meio do turbilhão de emoções que rasgavam o céu dos seus corações, disse: “Vocês fazem um casal tão bonito! Podiam experimentar…”
Aquilo mexeu com eles. Mas afinal…
Falaram, falaram horas a fio e, quando tiveram que se separar, ele pensou que seria para sempre. Tinha sido bonito aquele dia… bonito e nada mais.
No entanto, algo os prendia. Eles não se separaram. Aquele dia tinha que continuar e, a partir daí, nunca mais se afastaram.
Hoje são um só e, mesmo sem dizerem nada, falam horas… horas a fio!