António Pinheiro

Profissional de marketing, músico e corredor por prazer. Corre na estrada, no monte e de um lado para o outro na vida, atrás e à frente dos filhos.

“La Leyenda del Beso” – Soutullo y Vert

Maio 25th, 2021
(texto inicialmente publicado no Facebook, a 9 de Abril de 2021)
Toda a gente aprecia uma boa espanholada. Sabe bem uma boa espanholada, principalmente no concerto da noite, antes de a coisa virar para o ligeiro.
“A Lenda do Beijo” deve ter sido das espanholadas mais tocadas e, felizmente, ainda se ouve por aí. Mas a tradição da espanholada tem-se perdido um bocadinho e isso deixa-me triste.
Nos anos 90 era mais frequente ouvirmos obras como “La Torre del Oro”, “La del Soto del Parral”, “As Bodas de Luis Alonzo”, “Aires Andaluces” ou as “Malagueñas” (não tenho a certeza que este fosse o título principal), peça óptima para exibir um trompetista virtuoso.
Nos últimos anos, este género de reportório tem sido substituído por obras mais “comerciais” dos compositores da moda da vizinha Espanha. Honestamente, apesar de serem obras com impacto, não me caem no goto, porque soam todas iguais. Os mesmos ostinatos, os mesmos recursos orquestrais… encontramos compassos exactamente iguais em diferentes obras do mesmo compositor. Mas isso são outros quinhentos.
Vamos aproveitar esta espanholada…
(não exagerei no uso da palavra “espanholada” pois não?)

“Ares de Espanha” – Ilídio Costa

Maio 25th, 2021
(texto publicado originalmente no Facebook, a 8 de Abril)
Carreguem no play e fechem os olhos. Tarde de Agosto, sol, calor, mangas arregaçadas, colarinhos abertos, o almoço ainda não foi totalmente digerido. Burburinho no público, carros de choque ao fundo, povo que chega para a procissão e, de repente, TA-DAAAAAAAAA, solta-se a furiosa anacruza dos “Ares de Espanha”, pasodoble bem português, ou marcha de concerto, que serve de andor a um melódico solo com cadenza de trompete, à guisa da vizinha Espanha.
Em finais dos anos 90, se eras “atacado” com “La Virgen de La Macarena”, só podias responder com a icónica marcha de Ilídio Costa. A coisa não podia ficar por menos.
Todos nós, filarmónicos, mesmo quem não aprecia as suas obras, mesmo quem, num passado recente, teceu comentários pouco educados sobre ele, devemos muito a Ilídio Costa. Pouco antes do país entrar em confinamento, tive o prazer de ser ensaiado e dirigido por ele e, acreditem, todo ele É Música. Mas, sobre isso, falarei noutra altura.
O importante, agora, é desfrutar da sua música, infelizmente, cada vez mais relegada para o fundo das pastas e dos arquivos.
É verdade que, actualmente, há muita variedade neste estilo de reportório, mas os “Ares de Espanha” continuam a ser um marco que merecia ser tocado mais vezes.

“Pop Show n.º 4” – Amílcar Morais

Maio 25th, 2021

(texto publicado originalmente no Facebook, a 7 de Abril de 2021)

Foi em 1974 que Amílcar Morais compôs o “Pop Show N.º1”, iniciando uma série de obras que iriam mudar o paradigma das bandas filarmónicas em Portugal.
A olho nu, o quarto opus desta série terá sido, eventualmente, o mais tocado, até romper as folhas e reunia temas dos The Pogues, Jean Michel Jarre e Vangelis, e mais um ou outro que nunca consegui identificar. Não interessa. Soava e soa muito bem!
O “Pop Show N.º 4” tem a particularide de ter uma “extended version” (aqui partilhada) que inclui o filarmonicamente célebre “Garotas, garotas”.
Com a revolução que o reportório bandístico levou nas últimas duas décadas, isto caiu para o fundo das pastas e depois para o fundo dos armários de arquivo, mas continua a ser uma obra que “cheira a arraial”.

“Bee Cee Bee Gee” – Terry Kenny

Maio 25th, 2021

(texto publicado originalmente no Facebook a 6 de Abril de 2021)

B.C.B.G. significa “Bon Chic Bon Genre”, um termo aplicado às meninas ricas e elegantes. Em Português seria “As Fozeiras”.
A música descreve os principais acontecimentos de um dia na vida de uma dessas “jovens glamourosas”.
De manhã, passear no shopping, a tarde é passada preguiçosamente na praia e à noite perder a cabeça (e não só) na discoteca.
Nota-se que isto já tem uns anos… ???

António Pinheiro

Profissional de marketing, músico e corredor por prazer. Corre na estrada, no monte e de um lado para o outro na vida, atrás e à frente dos filhos.