António Pinheiro

Profissional de marketing, músico e corredor por prazer. Corre na estrada, no monte e de um lado para o outro na vida, atrás e à frente dos filhos.

A Mis el Adane

Julho 31st, 2009

E fiquei toda a noite a ver-te dançar.
Bebi mais um copo e deixei-me embalar pelo voo dos teus cabelos.
Estavas feliz, emanavas luz e parecias segura do destino de todo o Mundo.
E eu amei-te tanto ao som da nossa música.
Por momentos, fui eu quem agarrou aquele microfone e te jurei o meu amor mais que eterno, em notas soltas, presas por um ritmo cadenciado.
Fui o palco.
Tu foste as luzes.
Fui a voz.
Tu foste a guitarra.
Fiquei ao longe, a observar cada gesto, cada movimento do teu corpo, numa dança só tua e, ao mesmo tempo, só nossa.
Alguém disse “vi-te dançar e a minha paz morreu”, mas quanto mais dançavas, mais o meu coração atingia a paz que tanto procura.
Entreguei-me aos teus olhos e senti que me querias.
Por um breve instante, pareceu-me ler nos teus lábios… e tu sabes o que eu li.
Por um breve instante, senti que os nossos corações eram ímanes e que o abraço tão desejado era iminente.
Um beijo queimava nos meus lábios.
Era preciso soltá-lo.
Entregá-lo à tua dança que parecia não mais terminar, mesmo quando a música parava.
Eu soltei-o, sentiste?

Comments

2 Comments

RSS
  • bela says on: 3 de Agosto de 2009 at 11:27

     

    vo ser a primeira a comentar esta. . 🙂 o meu deus, ja li esta 3 vezes e faz todo sentido na vida das pessoas e ja fez-me lembrar muita coisa!
    espectacular!
    beijo

  • Teresinha says on: 3 de Agosto de 2009 at 20:46

     

    As palavras podem construir algo muito bonito juntas. Tu tens o dom de usar bem as palavras e este é só mais um texto que pode ser a história de muitos, o desejo de alguns e a imaginação de outros.
    Muito bonito.
    Beijinhos* 🙂

António Pinheiro

Profissional de marketing, músico e corredor por prazer. Corre na estrada, no monte e de um lado para o outro na vida, atrás e à frente dos filhos.