António Pinheiro

Freelancer em Serviços de Marketing para Empresas e Instituições. Músico. contacto@antonio-pinheiro.net

A Janela Mágica

Dezembro 28th, 2013

Uma das memórias mais fortes do Natal da minha infância tem a ver com aquela janela.

Não sei se seria mágica, mas irradiava magia.

Com a devida antecedência (não tanta como é agora frequente) iluminava-se. Pisca-pisca. Acende apaga. Vermelho, azul, verde, amarelo, laranja.

Nada daquelas luzes XPTO dos nossos dias.

Um rectângulo colorido, na rua que continua exígua, apesar de ser a central.

Gostava de passar ali à noite, só para a ver brilhar.

No interior, brinquedos e mais brinquedos. Num espaço incrivelmente pequeno. Como era possível, naquele cubículo caber tanta coisa? Mas cabia.

E as luzes adornavam o misterioso e encantador pórtico.

Entrando na lojinha, o balcão surgia logo ali à porta, não deixando espaço para mais de duas três pessoas.

O interior era ainda mais recheado. Cada centímetro quadrado era devidamente aproveitado. Ali vendia-se praticamente tudo.

Mas o que interessava eram os brinquedos. E o papel de embrulho. E os rolos de fita colorida, que dariam lugar aos lacinhos, enroscados com a ajuda de uma tesoura. E o dispensador de fita cola, azul e laranja, tradicional da “Tesa Film”.

A loja do senhor Augusto, carinhosamente conhecido como sr. “Belinha” (apesar de o próprio não apreciar a designação) era um recanto de magia.

Dali saiam muitos dos presentes que, na Noite de Natal, estariam junto aos sapatinhos.

Dali saíram alguns dos meus presentes e dos primeiros presentes que ofereci à minha família, quando já tinha juntado uns troquitos.

Era impossível resistir, passar e não parar. Aquela pequena janela tinha um poder encantador.

Quando ela se iluminava, sabíamos que o Natal estava próximo.

Confesso que cheguei a sonhar que a janela se abria e eu podia pegar em todos os brinquedos.

Agora, a janela está fechada e o sr. Augusto velho e doente.

Mas, em cada Natal, a janela continua iluminada na minha memória.