António Pinheiro

Profissional de marketing, músico e corredor por prazer. Corre na estrada, no monte e de um lado para o outro na vida, atrás e à frente dos filhos.

É tão bom quando nos alimentam o ego…

Março 9th, 2011

“(…)como musico és uma das minhas referencias(…)
gosto mesmo muito, muito do teu trabalho (…)
a sério(…)
e quando tive oportunidade de ver o trabalho que fazes com o coro (…)
quando for grande quero ser como tu…”

Obrigado!

E agora o meu ego está do tamanho de duas Torres dos Clérigos.

Portugal Zero Pontos!

Março 6th, 2011

Ok… eu gosto muito do Gel e dos Homens da Luta!

As músicas deles são engraçadas e todo o conceito em si é espectacular.

Mas ir à Eurovisão?

Antevejo mais uma humilhação…

Volta Célia Lawson… ’tás perdoada!

Já chega de “feats”

Março 4th, 2011

Que a música, nos nossos dias, era pouco original, já todos sabíamos.

Mas a mais recente moda do “feat” faz-me ter a sensação de estar constantemente a ouvir a mesma música nas rádios.

Refrões repetidos até à exaustão por raparigas de voz estridente, intercalados com raps berrados em tons de desespero; ou a variante da canção pop, com um rap cool lá pelo meio…

Já chega de airplanes, doctors e lies

Procuro urgentemente rasgos de originalidade…

Quero ser dono de um jornal

Março 3rd, 2011

Em pleno século XXI, num país da União Europeia ainda há jornais, uns mais locais que outros, orientados por objectivos políticos e controlados por uma “panelinha” de amigos (?) e compadres.

(ó António, andas a dormir? que observação tão naif…)

Trocam-se e negoceiam-se favores, entrevistas e reportagens.

Toma lá dá cá.

Dou-te um exclusivo e tu fazes um artigo sobre o meu amigo.

Dás-me uma ajudinha aqui com estes papéis e eu digo a toda a gente que gosto de ti.

Se disseres que gostas muito de mim até te arranjo maneira de apareceres no jornal.

Se eu aparecer no jornal farei muito por ti.

Se tu fizeres muito por mim, ainda faço de ti Ministro.

Era o meu sonho.

Eu para ti sou como um pai. E o dono do jornal é teu avô.

E já nem há o cuidado de disfarçar. É tudo feito sem o menor pudor e exibido ao povinho ignorante que engole com toda a sofreguidão.

Mas talvez ainda haja quem pense. E não é preciso pensar muito. Basta somar 2+2+2+2+…

Deolinda: o grito de revolta de Portugal!

Fevereiro 24th, 2011

A canção dos Deolinda “Parva que eu sou”, goste-se ou não, é um retrato fiel deste país. Infelizmente, mas é.
E pior que não ver a realidade é negá-la.

Preferia 1000 vezes que não fosse necessária esta música… mas é! E ainda bem que ela veio!!!

Portugal é um país que incentiva as pessoas a formarem-se para depois lhes bater com as portas ou para as explorar e escravizar e já era altura de alguém dizer isto a plenos pulmões!

Porque é que centenas (ou até milhares) de talentos, artistas, cientistas, verdadeiros cérebros, fogem todos para o estrangeiro? Por causa da realidade exposta nesta música!

Quem diz que não gosta da canção, ou atira com o demagógico “façam-se à vida”, provavelmente nunca teve que estagiar de borla, ou pagar para trabalhar;

– provavelmente nunca teve que enfrentar um, dois, três despedimentos, com a entidade patronal a alegar “a crise”;

– provavelmente nunca teve que ver descerebrados, desqualificados e incompetentes graxistas a subirem na carreira, enquanto os competentes, os trabalhadores, os empenhados iam ficando com mais trabalho e menos salário, até ao dia em que o despedimento lhes bate à porta.

Quem diz que não gosta da canção, ou diz “parem de choramingar”, provavelmente nunca teve que chorar a contar os tostões para meter uns pneus novos no carro ou para comprar umas calças novas.

Quem diz que não gosta da canção é porque não a percebe, ou não quer perceber.
– provavelmente tem papás ricos, que lhe arranjaram um bom tacho numa empresa do tio;

– nunca teve que percorrer páginas e páginas de anúncios de emprego, repletas com estágios não remunerados e outras formas de escravatura em pleno século XXI.

– provavelmente, nunca teve que passar um recibo verde, dois, três, …, mil!

E agora dizem: “ó António, não estás a exagerar?”

Sim. Estou.

Assim como os críticos da canção exageram ao dizer que quem gosta é tudo uma cambada de malandros.

Eu gosto da música, identifico-me com ela e não sou malandro, nem preguiçoso.

Estou no desemprego e não é por vontade própria, nem por falta de qualificações ou competências.

Aliás… é “engraçado”. Há uns anos atrás eu tinha qualificações e experiência a menos. Agora tenho qualificações e experiência a mais.

Por isso, estou com os Deolinda e com todos aqueles que estejam determinados a expor a vergonha que vai neste país, mas que alguns, para não perderem o status quo, querem ignorar.

Que merda!

Numa altura em que toda a gente diz que o país está mal e é preciso “fazer alguma coisa”, aparece alguém que através da música coloca o dedo na ferida, puxa pelas pessoas e incentiva-as a mexerem-se e o que acontece? Um grupo de betos pseudo-intelectuais-reaccionários vem dizer “ah e tal não…”

Cada um sabe de si e Deus sabe de todos.

Eu sei que não sou parvo, como os “parvos” (atenção que está entre aspas) que criticam uma das melhores canções de intervenção de sempre na música portuguesa…

Agora compreendo o que o Zeca Afonso deve ter sofrido no tempo dele…. Ufffff….

Porque Tu és Tu

Fevereiro 23rd, 2011

Não te posso ver sofrer
Não foi para isso que os Deuses te enviaram

Desenharam-te bela
Sublime
Inatingível
Para um fim maior que habita os teus sonhos

Colocaram-te espinhos nos pés
Apenas para que mostres
Tudo o que de heróico brota de ti…

Quebro e desfaleço
Ao ver-te quebrada e desfalecida

Não…

Não deixes que a dor do Mundo
Se apodere do que é teu
Respira fundo, fecha os olhos
Vê o que a vida te deu

As lágrimas no teu rosto
são apenas um ponto de partida

Tens Arte, Amor, Magia
Em cada gesto que remexe o ar
És Deusa, Musa, Princesa
Diamante a brilhar

Tens um poder infinito
De mudar a noite em dia
Acender estrelas, aquecer o sol
És Mestre de Alquimia

Não há palavras que te cortem
Porque revesti-te de um Amor
Onde as lâminas quebram
E as balas de dissolvem

E caio perante ti
Rendido ao Universo
Que é o teu ser
Divino
Superior

Luta, porque tens armas!
Acredita, porque tens Fé!
Sofre, porque também é preciso!

Mas não desistas…
Não te rendas
Mostra ao Mundo, porque Tu és Tu!

Foi uma viagem

Fevereiro 22nd, 2011

Foi uma viagem
Em que me guiaste pela mão
Mostraste que o Mundo
Vai para além da razão

E subi a um altar
Que jamais tinha sonhado
Num corpo perfeito e branco
Com estrelas tatuado

Falei com os Deuses
Que me levaram até ti
Pintei na minha pele
A magia que na tua conheci

E deixei-me cair
No abismo que eu criei
Belo, terno e profundo
Pelo Universo viagei

E foi num lençol puro
Pelos anjos tecido
Que senti o doce aroma
De um  fruto proibido

Foi o teu abraço
Foi o teu calor
Que me inundou o corpo
Com a dor do amor

O mentiroso

Fevereiro 19th, 2011

Nos últimos dias tenho-me lembrado com frequência de uma pequena “cantilena” que a minha avó paterna dizia muitas vezes:

“Coitado do mentiroso:
quem mente uma vez mente sempre.
Ainda que diga a verdade,
todos lhe dirão que mente!”

António Pinheiro

Profissional de marketing, músico e corredor por prazer. Corre na estrada, no monte e de um lado para o outro na vida, atrás e à frente dos filhos.