António Pinheiro

Profissional de marketing, músico e corredor por prazer. Corre na estrada, no monte e de um lado para o outro na vida, atrás e à frente dos filhos.

Novas oportunidades?

Maio 20th, 2009

Apesar de me esforçar para tentar perceber, não consigo.

Eu tive que queimar neurónios durante três anos da minha vida, matar-me a estudar, levantar-me cedo todos os dias, ter aulas, imensas aulas, fazer provas globais, fazer exames nacionais, para ter uma coisa chamada “12º ano”.

Vem agora o Engenheiro Sócrates, cria uma coisa chamada “Novas Oportunidades” e o pessoal pode ter o “12º ano” em meia-dúzia de meses…

Sou só eu que acho isto uma tremenda injustiça?

Comments

12 Comments

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  • Daniela says on: 20 de Maio de 2009 at 13:00

     

    não, não és só tu (:

  • Vasco Balio says on: 20 de Maio de 2009 at 17:14

     

    E tu nunca assistis-te a uma aula…não ensinam nada…mandam o tio ou o sobrinho fazer os trabalhos em casa…o pessoal não pode questionar muito…é um bocado Pidesco,tipo” cala-te e levas o 9º ano”…
    E não vou dizer mais nada porque o Zé Trocas-te e daqueles que anda a ver quem diz mal dele na blogosfera…

  • Joana Alves says on: 21 de Maio de 2009 at 9:24

     

    Eu não acho mal! Há pessoas que não tiveram as oportunidades que temos hoje!

    Como voluntária na Cruz Vermelha, acompanhei muita gente no Centro de Novas Oportunidades e para as pessoas que estavam lá inscritas aquilo era a melhor coisa do mundo!

    Mas isso sou eu… que vejo sempre o lado mais sensivel e humano da coisa… 🙂

    Beijinho

  • Pinheiro says on: 21 de Maio de 2009 at 9:45

     

    Percebo o que queres dizer, Joana, mas acho que os moldes em que isto está concebido, não são os mais correctos.

    Vamos pensar, por exemplo, em termos de acesso ao ensino superior.
    Neste momento há milhares de alunos a finalizar o 12º ano. Dentro de um mês iniciam-se os Exames Nacionais. É o fim de um ciclo de 3 anos.
    Na hora de concorrer ao Ensino Superior, este pessoal vai competir em igualdade de circunstâncias com a malta das N.O.

  • Joana Alves says on: 21 de Maio de 2009 at 14:55

     

    Pela experiência que tenho, quem adere a este programa são os adultos já com alguma idade que só querem ter o prazer de ter mais escolaridade que de algum modo lhes confere mais possibilidades de entrar novamente ou não no mercado de trabalho.

    Mesmo que seja gente mais nova a aderir ao programa, dou-te o exemplo dos rapazes com quem trabalho. São jovens institucionalizados (a cumprir medidas tutelares educativas proferidas pelo tribunal) que não tiveram um percurso de vida que lhes permitisse estudar e essencialmente escolher… estou neste momento a tentar inseri-los novamente na escolaridade através das novas oportunidades e se um dia os vir entrar na faculdade, vou agradecer a quem lhes deu a oportunidade…

    Não consigo achar mal…

  • Pinheiro says on: 21 de Maio de 2009 at 15:03

     

    Pois eu conheço casos de pessoal relativamente novo, 24/25 anos que, quando tiveram oportunidade de fazer o Secundário, baldaram-se: em vez de estudar, andavam na “coboiada” e, agora, estão a aproveitar as N.O. para fazer num ano aquilo que deliberadamente não quiseram fazer em 3.

    E o caso tão badalado da Vanessa Fernandes? Vais-me dizer que ela, coitadinha, não teve oportunidade de fazer o 12º ano?

    Eu compreendo que isto possa ajudar muita gente (conforme os exemplos que deste) e, nesses casos, sou totalmente a favor. Mas, não concordo que quem faça as N.O. tenha as mesmas oportunidades de acesso ao Ensino Superior de um estudante “normal”. Estás a colocar no mesmo plano de igualde pessoas com trajectos académicos diferentes.

    E também acho que, o programa, da maneira que está estruturado é “incentivo” ao lascimo. Já ouvi, em conversas de café:

    “Eu não me importo de chumbar… Vou trabalhar e depois tiro o 12º nas Novas Oportunidades”.

  • Joana Alves says on: 21 de Maio de 2009 at 17:13

     

    Também tens razão, não vou dizer que não…

    Esses… coitados…

  • Teresinha says on: 21 de Maio de 2009 at 20:11

     

    Não, não es só tu que tens essa opinião. É andar no 12º e sentir um bocado isso na pele.
    Acho muito bem que sejam dadas oportunidades a pessoas que não as tiveram mas há que medir bem as balanças. É que não estão só em causa pessoas na minha situação, está em causa isto “O que é que eles aprendem mesmo se um dia quiserem seguir o ensino superior?”. É que já chegam certos jovens deste país que mesmo com bases andam lá anos a roubarem lugar a outros. A culpa disto tudo? Não é propriamente de quem quer uma equivalência a 12ºano, eu também o faria no lugar deles.

  • Marcia says on: 29 de Maio de 2009 at 15:25

     

    Na minha opinião é uma tremenda injustiça. Estão a tirar cada vez mais oportunidade aos jovens de se realizarem profissionalmente. Jovens competentes, que se esforçaram ao longo destes anos, sem ajudas, sem “ofertas” de computadores, aqueles que merecem ter uma oportunidade, irão ser trocados pelas “cunhas”, cunhas essas que apenas só faltava o “canudo” para que pudessem prevalecer. Mais uma vez, na minha opiniao, estao a favorecer as injustiças.

  • margarida pereira says on: 2 de Outubro de 2009 at 17:12

     

    Eu quero responder as pessoas que são contra as N.O, eu tirei o 12º nas N.O, só agora, com 38 anos sabem porque?não foi, porque eu não quis queimar os neuronios, quem me dera ter tido essa oportunidade, só que com 14 onos eu já esteva a trabalhar numa fabrica 9 horas por dia, e nessa altura provavelmente alguns de vocês eram bebés e eu e as pessoas que trabalhavam como eu é que pagava os vossos abonos agora a escolaridade é obrigatória, ainda bem se não alguns de vocês em vez de estudarem estavam a trabalhar,com 12 ou 14 anos era bom não era??? antes de falarem e critirarem devem pensar que vocês hoje em dia têm a vida facilitada em tudo perguntem aos nossos país, á só mais uma coisa quero dizer tabem que vou este ano para a universidade, vou tirar direito e não me acho nada menos capacitada que vocês muito pelo contrario, provavelmente algumas pessoas que tiraram o 12ºnas N.O e estão na Universidade tem mais capacidades que alguna de vocês, por isso é assim:quem tem gosto e muita vontade de vencer na vida ,tira um curso superior, uns com mais dificuldades outros com menos, conclusão, somos todos iguais o que muda é a OPORTUNIDADE que cada um de nós tem.

  • Pinheiro says on: 3 de Outubro de 2009 at 0:07

     

    Cara Margarida,

    Em primeiro lugar agradeço o facto de visitar o meu blog e de deixar a sua opinião. Espero que continue a fazê-lo com regularidade.

    Respeito e compreendo os seus argumentos, todos eles válidos. No seu caso concreto, tem razão: as N.O. foram uma coisa boa. Infelizmente, não é assim para toda a gente.

    Concorda que jovens com 20 e poucos anos, desistam do Secundário e depois usem as N.O. para se safarem? Foi isso que quis referir com o meu texto.

    Vida facilitada?

    O que é mais fácil? Fazer o Secundário em 3 anos ou em apenas 1?

    Já agora, sem a querer ofender: se, quando eu fiz o 12º ano, em 1997, escrevesse português como a senhora escreve, de certeza que teria chumbado. Aliás, se eu escrevesse assim, acho que não teria passado do 4º ano.

    Um conselho: se quer mesmo tirar Direito, tem que melhorar a sua escrita, quanto mais não seja, aprender a utilizar a pontuação.

    Já agora:

    A minha esposa tem 37 anos. Também ela começou a trabalhar muito nova. Com muito esforço, muito sacrifício pessoal, conseguiu terminar o Secundário pelas vias normais, trabalhando de dia e estudando de noite.

    Cumprimentos,

    António Carlos Rodrigues Pinheiro

António Pinheiro

Profissional de marketing, músico e corredor por prazer. Corre na estrada, no monte e de um lado para o outro na vida, atrás e à frente dos filhos.