António Pinheiro

Profissional de marketing, músico e corredor por prazer. Corre na estrada, no monte e de um lado para o outro na vida, atrás e à frente dos filhos.

Espera pela Saudade

Fevereiro 3rd, 2010

Foi uma Primavera como nem a própria Natureza sonhara algum dia criar. O Mundo sorria e transformava-se para receber a vida. Eram cores, odores e sabores que inspiravam poetas e faziam música brotar do silêncio. Ternura.

Veio o Verão e o calor espalhou-se pelos campos. O Sol brilhava no céu, como grande imperador de um império invisível. Eram irrequietos riachos que retemperavam os seres vivos nos momentos extenuantes, antes do repouso merecido sob frondosas árvores. Fulgor

E foi no Verão, debaixo de um céu ornado de estrelas, que o Outono foi anunciado. As árvores despiam o seu vestido verde e puramente nuas guarneciam-se de jóias douradas e escarlate. A Natureza assumia uma beleza diferente, sem o fulgor do Verão, sem a ternura da Primavera, mas incorporando sentimentos de dias passados. Memória.

Chegou o Inverno e o frio apoderou-se dos recantos que ainda permaneciam aquecidos pela Memória do Verão. Tudo é gelo e nada mais resta a não ser fugir, esconder, hibernar e aguardar que a saudade faça voltar a Primavera.

António Pinheiro

Profissional de marketing, músico e corredor por prazer. Corre na estrada, no monte e de um lado para o outro na vida, atrás e à frente dos filhos.