António Pinheiro

Profissional de marketing, músico e corredor por prazer. Corre na estrada, no monte e de um lado para o outro na vida, atrás e à frente dos filhos.

Éramos.

Março 14th, 2015
Éramos.
Poderíamos ser a seita, o grupo, a comandita, ter uma designação ou um nome qualquer. Mas simplesmente éramos.
Um laço misterioso nos unia. Para todo o lado, por todo o lado. Nas salas, nas escadas, em qualquer recanto do Conservatório, das sedes das nossas bandas e cafés adjacentes.
Quando não tocávamos todos juntos, íamos aos concertos uns dos outros e, no final, parávamos sempre no mesmo sítio.
Mal entrávamos, o rapaz já sabia que teria que servir “Príncipes” a todos, bastava confirmar o número de Cachorros, assim as parcas poupanças o permitissem.
Dos bolsos saía um ou outro cigarro.
E ali estávamos.
Um dia eu não tinha dinheiro. “Vamos à Praia de Salgueiros, tem lá um Bar fixe.”
“Mas eu não tenho dinheiro…”
“Não é por causa disso que vais deixar de curtir com o pessoal…”
E eu fui. E ele pagou… a mim e a toda a gente.
“Tu és tolo!”
“Gosto de ver o pessoal a curtir!”
A vida levou-nos para pontos distantes. Cruzamo-nos por aí. Porque o laço misterioso, chamado “Música” insiste em aproximar-nos.
Alguns são Maestros, Professores; outros apenas músicos nas horas vagas.
Casados, com filhos, sem filhos e recasados.
A Vida passou, mas quando os junta o tempo recua. Voltam a ser, aqueles.
Aqueles que, quando entravam no Conservatório ao sábado de manhã, os alicerces tremiam.
Alicerces em sentido lato do termo.
Ficavam por ali o todo dia. Mesmo que não tivessem uma única aula. Havia sempre uma sala livre para sessões de estudo colectivo (bonito eufemismo para descrever o que se lá passava…), havia sempre uma mesa no café e o centro comercial ali ao lado, com a apetecível sala de jogos a desviar-nos a assiduidade e os últimos trocos na carteira.
O tempo passou.
Já não há a sala de jogos. Há empregos, trabalho, famílias, responsabilidade. Mas também há por aí “Príncipes” e Cachorros: à Festas e Romarias onde o laço misterioso nos junta.

Texto dedicado a todos os meus amigos do Conservatório Regional de Gaia, nomeadamente aos colegas da Orquestra de Sopros e das quatro bandas filarmónicas de Gaia.

A Janela Mágica

Dezembro 28th, 2013

Uma das memórias mais fortes do Natal da minha infância tem a ver com aquela janela.

Não sei se seria mágica, mas irradiava magia.

Com a devida antecedência (não tanta como é agora frequente) iluminava-se. Pisca-pisca. Acende apaga. Vermelho, azul, verde, amarelo, laranja.

Nada daquelas luzes XPTO dos nossos dias.

Um rectângulo colorido, na rua que continua exígua, apesar de ser a central.

Gostava de passar ali à noite, só para a ver brilhar.

No interior, brinquedos e mais brinquedos. Num espaço incrivelmente pequeno. Como era possível, naquele cubículo caber tanta coisa? Mas cabia.

E as luzes adornavam o misterioso e encantador pórtico.

Entrando na lojinha, o balcão surgia logo ali à porta, não deixando espaço para mais de duas três pessoas.

O interior era ainda mais recheado. Cada centímetro quadrado era devidamente aproveitado. Ali vendia-se praticamente tudo.

Mas o que interessava eram os brinquedos. E o papel de embrulho. E os rolos de fita colorida, que dariam lugar aos lacinhos, enroscados com a ajuda de uma tesoura. E o dispensador de fita cola, azul e laranja, tradicional da “Tesa Film”.

A loja do senhor Augusto, carinhosamente conhecido como sr. “Belinha” (apesar de o próprio não apreciar a designação) era um recanto de magia.

Dali saiam muitos dos presentes que, na Noite de Natal, estariam junto aos sapatinhos.

Dali saíram alguns dos meus presentes e dos primeiros presentes que ofereci à minha família, quando já tinha juntado uns troquitos.

Era impossível resistir, passar e não parar. Aquela pequena janela tinha um poder encantador.

Quando ela se iluminava, sabíamos que o Natal estava próximo.

Confesso que cheguei a sonhar que a janela se abria e eu podia pegar em todos os brinquedos.

Agora, a janela está fechada e o sr. Augusto velho e doente.

Mas, em cada Natal, a janela continua iluminada na minha memória.

Remodelação

Maio 16th, 2012

Caros leitores,

Brevemente, este blog será reestruturado para se transformar no site de divulgação da minha actividade profissional, enquanto marketeer e enquanto músico.

As secções de poesia e crónicas serão mantidas, mas não actualizadas, passando esse tipo de assuntos a ser divulgado na minha página de Facebook.

Tudo resto será removido, passando apenas a serem publicados conteúdos relacionados com as minhas actividades na área do Marketing e da Música.

Até já!

Capas negras

Maio 12th, 2012

No meu tempo era proibido usar o cabelo apanhado com o Traje.

No meu tempo era proibido usar maquilhagem com o Traje.

No meu tempo era proibido usar jóias com o Traje.

No meu tempo era proibido usar óculos de sol com o Traje.

No meu tempo era proibido usar relógios de pulso com o Traje.

No meu tempo a capa usava-se no ombro esquerdo.

No meu tempo, à noite, a Capa era traçada e não se exibiam Insígnias.

No meu tempo, o salto dos sapatos das raparigas era curto e as saias usavam-se pelo joelho.

No meu tempo, o Traje usava-se completo… era impensável ver alguém sem a batina… só de colete…

…olho para o Facebook e para a TV e vejo estas e muitas outras regras do Traje serem violadas…

O Código da Praxe mudou assim tanto desde 1997?

Aos músicos da Invicta…

Fevereiro 26th, 2012

Os músicos que trabalham comigo na Invicta Big Band merecem tudo de bom, a nível musical e a nível pessoal. Sinceramente, acredito que todos, mais cedo ou mais tarde, serão recompensados pelo seu carácter tão nobre.

Apesar de eu, às vezes, me passar da cabeça com eles, cada minuto vivido em conjunto é um prazer.

Em primeiro lugar, e acima de tudo, porque são seres humanos de grande qualidade.

A nível musical, só eu sei o arrepio que senti esta tarde, ao ouvi-los tocar.

O nosso encontro, ao qual chamamos ensaio, merecia ter público.

Muito obrigado a todos, por tudo o que me dão!

António Pinheiro

Profissional de marketing, músico e corredor por prazer. Corre na estrada, no monte e de um lado para o outro na vida, atrás e à frente dos filhos.