António Pinheiro

Profissional de marketing, músico e corredor por prazer. Corre na estrada, no monte e de um lado para o outro na vida, atrás e à frente dos filhos.

“Boris Godunov” – Mussorgski

Junho 19th, 2021

(texto inicialmente publicado no Facebook, a 30 de Maio de 2021)

 

Hoje fui buscar um calhau daqueles… Uma obra que, definitivamente, não é para qualquer um.
Citando um professor que tive na faculdade, esta obra “é como a lampreia, ou se ama, ou se detesta.”
Eu amo. Borro-me todo quando tenho que a tocar, mas amo.
Modest Mússorgski teve uma vida complicada. Dificuldades financeiras, doença psíquica e alcoolismo… muito alcoolismo. Aliás, o alcoolismo destruiu a sua carreira e a sua vida.
“Aos 29 anos de idade começou a compor Boris Godunov, sua ópera mais conhecida e uma das peças mais importantes da história da música russa, baseada no drama homónimo de Pushkin e na História do Estado Russo de Karamzin. Utilizando o ritmo da fala dos mujiques ao invés de melodias líricas; harmonias excêntricas porém expressivas, como a harmonia sacra eslava; e coros e personagens populares com papéis importantes, Boris Godunov causou grande polémica, sendo que a versão original de 1870 foi recusada. A estréia ocorreu no Teatro Mariinski em 1873, após diversas alterações feitas por Mússorgski e Rimski-Kórsakov, embora ainda tenha causado controvérsias. Após uma nova apresentação de apenas alguns trechos em 1878, a ópera deixou de ser encenada.”
Mussorgsky era semi-analfabeto enquanto músico. Era muito intuitivo. Ele não orquestrava, não sabia… As suas composições eram todas com redução de piano. E terá sido Korsakov quem orquestrou a ópera Boris Godunov.
Partilho hoje a melhor e mais completa versão que conheço para banda da Fantasia da Ópera.
O Maestro Hugo Oliveira pegou num arranjo já antigo e com uma instrumentação reduzida (nem flautas tinha) e modernizou-o, utilizando a partitura de orquestra como apoio. Aproveitando a escolha das secções da Fantasia já existente, adaptou e orquestrou para banda moderna. E está um trabalho magnífico que já tive a honra de tocar.
São quase 20 minutinhos de música…
São raras as bandas que tocam esta versão. A da Trofa é uma delas. Aqui fica uma gravação em duas partes, na Casa da Música, sob a direcção do Maestro Luís Filipe Brandão Campos.
Parte 1:

Parte 2:

António Pinheiro

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