António Pinheiro

Profissional de marketing, músico e corredor por prazer. Corre na estrada, no monte e de um lado para o outro na vida, atrás e à frente dos filhos.

Consultório Jurídico

Junho 29th, 2009

“Querido António,

Na noite de Sábado para Domingo a minha casa foi assaltada, tendo-me sido furtados alguns objectos de carácter decorativo. Tanto quanto fui informada, esses objectos foram depositados em local público para efeitos de exposição, ao abrigo de uma supostamente antiga tradição.

Contudo, quando cheguei ao local para reaver o que me pertencia, não encontrei os referidos objectos. A quem devo pedir responsabilidades (dado que eram objectos de elevado valor monetário e afectivo): aos larápios que me assaltaram durante a noite, ou àqueles que removeram os objectos do dito local público?

Assinado: J.”

Cara J.,

Não sendo eu entendido na matéria, apenas lhe posso dizer que a situação que nos relata configura dois crimes de furto e, eventualmente, um de invasão de propriedade privada.

Mais lhe informo que, no sistema judicial português, a tradição não tem valor jurídico. Desde modo, recomendo que apresente queixa junto das autoridades competentes, de modo a que seja aberta uma investigação.

P.S. – Da próxima vez que tiver questões jurídicas, recomendo que consulte um advogado. Eu sou só um tipo que escreve uns disparates na net.

Cuba

Junho 25th, 2009

Recebi, por estes dias, um e-mail que falava sobre Cuba. Dizia muita coisa, algumas boas (sobre o sistema de ensino e de saúde), outras más (apesar de serem apresentadas como boas), mas não dizia o fundamental:

– em Cuba há pessoas que são perseguidas, presas e assassinadas por pensarem de maneira diferente.

Arturo Sandoval, um dos maiores trompetistas do Mundo, foi perseguido pelo regime, simplesmente, porque gostava de tocar Jazz.

Em Cuba, gostar de Jazz, tocar Jazz é um crime!

P.S. – Recentemente, este senhor esteve em Portugal. Vários amigos meus foram ver o concerto e ficaram deliciados.

Cama coração

Junho 24th, 2009

Acordei sem ti
A cama estava vazia
Tinhas partido
Mas deixado o teu coração
Debaixo da almofada

Abracei-me a ele
Como se abraçasse a vida
E senti-te beijar-me
Como nas noites de Verão
Em que as horas eram dias
E as estrelas o nosso leito

O dia foi longo
Pois cada segundo sem ti
São mil anos

Esperei-te à janela
Queimado pelo sol
Gelado pela chuva
Cortado pelo vento

Mas vieste
E contigo trouxeste a doçura
O repouso de um olhar
A carícia de um dedo

Pegaste-me ao colo
E levaste-me de novo para a cama
O coração continuava debaixo da almofada

Podias tê-lo guardado de novo em ti
Mas foi no meu coração que o fechaste para sempre

António Pinheiro

Profissional de marketing, músico e corredor por prazer. Corre na estrada, no monte e de um lado para o outro na vida, atrás e à frente dos filhos.