António Pinheiro

Profissional de marketing, músico e corredor por prazer. Corre na estrada, no monte e de um lado para o outro na vida, atrás e à frente dos filhos.

A arte de fazer a cama

Julho 9th, 2009

Nunca percebi a utilidade de fazer a cama. A sério… Porquê tanto trabalho de manhã, quando algumas horas depois, tudo será para desfazer?
Como, durante largos anos da minha vida, partilhei a cama com a minha avó, nunca precisei de me preocupar em fazê-la. Contudo, quando tive o meu próprio quarto, com a minha própria cama, começou a luta António vs. Lençóis.
Luta essa que venci facilmente. Bastava juntar as várias camadas de lençóis, cobertores, cobertas e afins aos pés da cama, segurar com força, esticar até à cabeceira, alisar e… pronto! Em trinta segundos fazia a minha caminha.
No entanto, todo este conceito iria mudar no dia em que me casei.
A minha mulher demonstrou-me que, fazer a cama, pode ser um processo bem complexo e, até mesmo, artístico.
Descobri que há um monte de pequenos gestos necessários para que uma cama “fique em condições”.
Lá me esforcei por aprender. Afinal, não queria defraudar a minha cara-metade num aspecto da vida doméstica que ela tanto valoriza.
Chegou, então, o dia em que tive que fazer a cama pela primeira vez, de acordo com as directrizes da minha amada esposa.
Foram quinze minutos de grande intensidade. Medi cada gesto com a precisão cirúrgica. Transpirei, olhei diversas vezes para cada camada de roupa para verificar se tudo estava preciso. Quando o trabalho terminou, estava cansado, ensopado em suor, mas orgulhoso do meu esforço. A cama parecia perfeita.
A Marisa chegou. Fui a correr: “Anda ver! Fiz a cama sozinho!”
A Marisa entra no quarto. O meu coração palpitava “será que ela vai gostar”. Não conseguia esconder o meu nervosismo…
Depois de analisar o leito, sentenciou: “A cama está toda torta!”, destruindo por completo a minha auto-estima.
Mas “está toda torta” como? Eu olhava para todo o lado e não conseguia ver o que estivesse torto. Seria a posição das almofadas decorativas? Seria a posição da coberta? Meu Deus!!! Estava cada vez mais desesperado! Onde é que eu teria errado, bolas!
Então, a Marisa caminha em direcção à cama. Agarra da coberta e move-a dois milímetros para o lado… Dois milímetros!
“Agora está bem, mas estava tudo torto!”
Dois milímetros, dois milímetros…

Comments

4 Comments

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  • Joana Alves says on: 9 de Julho de 2009 at 9:30

     

    Como é que é possivel? O Rodolfo diz a mesma coisa!!! “para quê fazer a cama se depois vou voltar a desfazê-la?”

    Enfim… ele tb leva nas orelhas quando chego a casa dele…

    🙂 mas as pessoas mudam… se não é a bem, é a mal… 🙂

  • Rodolfo Maia says on: 10 de Julho de 2009 at 11:35

     

    A tua mulher merecia uma coça… Primeiro, fazer a cama é coisa completamente escusada. Se nós a vamos usar dali a umas horitas, para quê fazer.
    Fazer cama é coisa de Escuteiro.
    Depois, destruir assim uma auto-estima de um marido não se faz…
    Faz-lhe o mesmo. Quando ela fizer o jantar, dizes: “Dass, esta m#rd@ está intragável”. Pões um bocado de sal e refutas: “Agora sim está bom, mas estava com um sabor de caca”… 🙂
    Vais ver que ela vai adorar…

  • Vasco Balio says on: 10 de Julho de 2009 at 13:15

     

    Mano…eu pensava que só acontecia comigo!
    Ufff…tou mais aliviado…enfim…mulheres.

António Pinheiro

Profissional de marketing, músico e corredor por prazer. Corre na estrada, no monte e de um lado para o outro na vida, atrás e à frente dos filhos.