António Pinheiro

Freelancer em Serviços de Marketing para Empresas e Instituições. Músico. contacto@antonio-pinheiro.net

Ganhas alguma coisa com a Música? Sim: asas!

Janeiro 29th, 2017

É uma pergunta que ouço com frequência. Toda a gente quer saber quanto pode ganhar um Músico, mas aquilo que recebemos a tocar não pode, jamais, ser quantificado em euros, dólares ou qualquer outra unidade monetária.

Outra pergunta que me fazem é: “mas, vais tocar de borla? o que ganhas com isso?”

Asas.

Prova disso, foram os momentos vividos este fim de semana.

Na sexta-feira, mais um concerto da Invicta Big Band. É cada vez mais difícil descrever as sensações que cada actuação da IBB proporciona. Uma orquestra que completou, semana passada, 5 anos desde a sua apresentação oficial e que nasceu da forte vontade de um grupo de pessoas extraordinárias, que me conseguiram convencer de que poderia ser o seu líder. Contudo, se há algo que me orgulha na IBB, para além da sua solidez enquanto instituição e de nunca ter dado um passo maior que a perna, é a forma como todos os envolvidos contribuem para a sua construção. E o que aconteceu na preparação da actuação de sexta-feira, materializa isso mesmo. Acho que pela primeira vez em 5 anos, pouco mais tive que fazer do que… dirigir. E, quando o peso de tudo o resto sai dos nossos ombros, torna-se mais fácil sentir a Música e fazer com que 20 artistas diferentes toquem a uma só Alma. Conseguimos.

A IBB dá-me também o privilégio de trabalhar com músicos de grande qualidade, alguns deles já profissionais e com os quais aprendo a cada compasso que passa. E eu gosto tanto de aprender…

Depois, no sábado, o Harmonic 4 Concept – Best Philarmonic Rock Ever. Depois do sucesso do Symphonic Clapton, em 2016, a fasquia estava muito alta. Mas em Santa Maria da Feira, não se brinca em serviço. Há um grande timoneiro, Gil Ferreira, um Vereador da Cultura como deve ser um Vereador da Cultura. Por vezes, parece mágico, dada a sua capacidade de estar, basicamente, em todo o lado. Mexe-se e faz mexer. E Santa Maria da Feira transformou o tradicional, gasto e enfadonho modelo de “encontro de bandas: desfile – concerto – concerto – concerto – concerto – marchinha em conjunto”, num espectáculo original, único, criativo, extraordinário, que de facto envolve e compromete as pessoas e que não abdica de elevados padrões de qualidade. E que qualidade têm os arranjos do Luís Cardoso! Assentam como uma luva nos temas originais e entusiasmam quem toca e quem ouve.

Este ano, o concerto de encerramento da Festa das Fogaceiras, deu-nos o prazer de partilhar o palco com músicos de projecção nacional. E isso não tem preço. E depois, em vez de colocar as filarmónicas em posição antagónica, quase em despique, junta-as no mesmo palco, a trabalhar para o mesmo fim, não só no concerto, como nos ensaios durante as semanas antecedentes. E aprendemos uns com os outros.

Assim se faz Música. Assim se faz Arte.

O Professor António Saiote costuma dizer que “é a Arte que nos eleva.”

E tão alto voamos por estes dias… Saibamos, pois, continuar a desfrutar do vento sob as nossas asas.

“Please keep fighting, keep fighting, together we can build something beautiful.”