António Pinheiro

Profissional de marketing, músico e corredor por prazer. Corre na estrada, no monte e de um lado para o outro na vida, atrás e à frente dos filhos.

Notas a iniciar o novo ano

Janeiro 1st, 2009

Nos últimos tempos, fiz algumas observações ao pequeno Mundo que me rodeia. Aqui ficam algumas notas a iniciar o novo ano, uma para cada badalada:

1-    Beatriz Costa. Não estou a falar da grande actriz portuguesa do teatro e do cinema. Estou a falar de uma criança de 11 anos que se destacou num concurso de talentos da TVI. Desde o primeiro programa que a jovem “Bea” arrasou a concorrência e deixou a léguas de distância os outros petizes. Infelizmente, neste como noutros concursos, a votação é feita pelo público. Apesar de haver um júri (não sei a fazer o quê), quem decide o vencedor é o sistema de chamadas telefónicas. Infeliz e injustamente, Beatriz Costa não venceu. Contudo, o seu talento é grande e a História encarregar-se-á de fazer justiça. Assim espero.

2-    O caso da pequena Beatriz é reflexo do que se passa neste país, nos mais variantes quadrantes. Em vez de talento, premeia-se a popularidade e o populismo. Não interessa ser bom, mas parecer bom. Não interessa construir, mas destruir o trabalho alheio.

3-    E chegamos à política. Os políticos são (quase) todos mais ou menos hipócritas, mas mais hipócritas serão os que não são políticos mas querem ser. Isso nota-se quando a sua vida social muda radicalmente e começam a aparecer em tudo o que é evento público, ostentando no rosto um teatral ar sério, compenetrado e interessado.

4-    Algumas “elites” politico-culturais são pródigas em afirmar “eles não fazem isto… eles não fazem aquilo”. Mas, quando “eles” fazem, esses mesmos críticos não se dignam a levantar o traseiro do sofá e abandonar o conforto do lar para participar nos eventos. Preferem, no dia seguinte, continuar a desfiar críticas em conversas de café.

5-    E por falar em conversas de café, a participação do povo nos espaços públicos de discussão é quase nula (falo das Assembleias de Freguesia, Municipais, etc.). O debate político faz-se nas ditas conversas de café, por pessoas mal informadas e pouco esclarecidas. Em vez de factos, comentam-se boatos espalhados e geridos pela oposição que se alimenta (e alimenta) da ignorância do povo.

6-    Nestas circunstâncias, a vida de quem abnegadamente e descomprometidamente tenta construir alguma coisa é difícil, pois nunca sabemos quem verdadeiramente está connosco. Nunca sabemos quem, de facto, está com as causas.

7-    E temos que continuar a derrubar barreiras, passar noites sem dormir, caminhar com o coração nas mãos, pois nunca sabemos de onde vem mais um ataque, mais um obstáculo.

8-    O que eles não sabem é que cada obstáculo ultrapassado dá-nos mais força para os outros que hão-de vir. Talvez fosse melhor ficarem quietos, assim não despertavam a nossa raiva e a nossa sede de vitória.

9-    Diz-se por aí que falta profissionalismo no nosso país. É bem verdade: falta a muita gente a noção do que é compromisso, responsabilidade, respeito… Falta de profissionalismo? Eu diria falta de educação.

10-    Os votos de Ano Novo são férteis em “Paz no Mundo”. Já pensaram que é talvez mais produtivo tentar semear a Paz à nossa volta?

11-    O Hamas ataca Israel. Israel ataca o Hamas. Quem nasceu primeiro? O ovo ou a galinha? Acho estúpido que digam que a culpa é só de Israel, como acho estúpido que digam que a culpa é só da Palestina… Mas isto até estava sossegado antes do último ataque do Hamas.

12-    2009 vai trazer a versão portuguesa da revista Playboy. Já não era sem tempo e não estou a falar pelo conteúdo em si, mas pela mudança cultural que poderá trazer ao nosso país. Um tema para desenvolver no futuro.

Feliz 2009 a todos!

Obrigado!

Dezembro 31st, 2008

Obrigado a todos aqueles que, ao longo do dia de ontem, através das mais diversas formas, me deram os parabéns.
É bom saber que há tanta gente que gosta de mim e que está do meu lado. Algumas das mensagens e manifestações de carinho que recebi chegaram a fazer-me chorar, porque, para além de “parabéns”, diziam muito mais e tocaram-me bem fundo…
Um Feliz Ano Novo para todos!

Conversas parvas X

Dezembro 28th, 2008

“As pessoas que bebem cerveja sem alcoól ou champagne sem alcoól são pessoas falsas, porque uma pessoa ou bebe alcoól ou não bebe! Se bebe cerveja, tem que ser com alcoól! Se a pessoa diz que não bebe alcoól e depois pede uma cerveja sem alcoól… está a ser falsa!”

Alguém me explica a lógica destas afirmações?

As festas com noitada

Dezembro 20th, 2008

No célebre fórum do, ainda mais célebre, site www.bandasfilarmonicas.com, foi lançado um tópico de discussão sobre “O mito das festas com noite”.

Para quem está pouco familiarizado com a terminologia filarmónica, festa com noite (ou noitada), como o próprio nome indica, é um serviço que inclui um concerto nocturno, geralmente, com duas bandas em “despique”.

A minha participação nesse tópico foi a seguinte:

“Para além do que o Leitão disse e com o qual concordo plenamente, gostaria de referir importantes aspectos, tais como:

As pessoas que começam a sair à rua depois de jantar, aproveitando os últimos raios de sol.
As luzes das ornamentações do arraial.
A igreja iluminada.
As jovens moçoilas todas contentes por “saírem à noite”.
Os galifões com mau gosto para vestuário, sempre prontos a pagarem uma voltinha nos carrinhos de choque.
A música gravada que passa naqueles altofalantes ranhosos.
O “bora lá pedir a conta, se não ouvimos bronca do Maestro”.
Em resposta: “alguém tem que beber esta garrafa até ao fim”
As barracas de brinquedos, pipocas e artigos contra-feitos.
Os músicos que vão chegando aos palcos, segurando o casaco sobre o ombro.
As primeiras notas que se ouvem no palco.
A afinação.
Os velhotes que perguntam: “a que horas as músicas começam a tocar?”
O concerto non-stop.
O fogo de artíficio
A despedida…
A moca de sono no outro dia de manhã…

Recordações piturescas dos concertos nocturnos. Recordações agradáveis. Recordações que me prendem à vida filarmónica.

Por estas e por outras é que as festas com noitada tem outro sabor.

Eu adoro os concertos à noite!

Pessoalmente, não sinto o cansaço: já duas refeições passaram por mim, mais a dura procissão que pede sempre algo gelado no fim… com tudo isto, um gajo chega ao concerto da noite anestesiado 😀

Ah! E os melhores concertos que fiz, musicalmente falando, foram praticamente todos à noite”.

O Pinheiro e a Crise

Dezembro 18th, 2008

Toda a gente diz que este ano gastou menos dinheiro nas prendas de Natal. Pois eu gastei tanto que o ano passado!
E vocês dizem: “ó Pinheiro, tu és «ganda maluco», estás desempregado e, ainda por cima, com esta crise toda, não poupas?!?!?”
E eu respondo: Poupo, sim senhor! A diferença é que, nos anos anteriores, eu já poupava, por isso, este ano, não precisei de poupar mais.

Lâmpadas economizadoras… ou nem por isso!

Dezembro 17th, 2008

Resolvi combater o aquecimento global. Resolvi poupar energia. Resolvi meter umas lâmpadas economizadoras cá em casa.
De 4 lâmpadas que instalei, apenas uma funciona bem. Uma durou apenas um mês, até deixar de funcionar. Outra demora a dar luz e outra, a mais cara que comprei (custou-me 16 euros), de vez em quando apagava-se sozinha. Hoje ligou, começou a piscar em homenagem à quadra natalícia e depois faleceu.
Ou seja, economizadoras uma treta!
75% destas lâmpadas que comprei deram-me mais prejuízo…
Será que sou um tipo com muito azar?

Coisas da Justiça

Dezembro 16th, 2008

Todos nós conhecemos o “caso Esmeralda”.
Caso que ontem ganhou um novo capítulo: Baltazar Nunes, o pai biológico, deslocou-se ao Tribunal Europeu dos Direitos do Homem, apresentar uma queixa contra o Estado Português, por não ter sido cumprida uma sentença que lhe atribuía a custódia da criança.
É o mesmo Baltazar Nunes que quando a mãe da criança o procurou, grávida, desesperada, pedindo ajuda, expulsou-a (inclusive à pedrada), injuriou-a, recusou-se a ajudá-la, nem apareceu para fazer o teste de ADN…
O mesmo Baltazar Nunes que não cumpriu a promessa de assumir a paternidade de Esmeralda, se a mãe a registasse.
O mesmo Baltazar Nunes que, durante anos, fez de conta que não tinha uma filha.

António Pinheiro

Profissional de marketing, músico e corredor por prazer. Corre na estrada, no monte e de um lado para o outro na vida, atrás e à frente dos filhos.