António Pinheiro

Profissional de marketing, músico e corredor por prazer. Corre na estrada, no monte e de um lado para o outro na vida, atrás e à frente dos filhos.

Consultório de Marketing (ainda o Marketing Político) – II

Setembro 14th, 2009

“Caro Dr. António,

Na sequência do seu artigo anterior, tenho uma questão para lhe colocar. Recebi em casa uma lista de candidatos à minha Junta de Freguesia. A dita lista tem a fotografia, a profissão actual e uma lista de cargos que essas pessoas já exerceram, nas mais variadas funções. Em parte alguma indicam as habilitações literárias nem actividades desenvolvidas actualmente. Eu fiquei desconfiado, tenho motivos para isso?

Cumprimentos, M.”

Caro M.

Em primeiro lugar, não precisa de me chamar Dr., pois eu não sou médico.

As boas práticas do Marketing Político, propõem que, no perfil do candidato, sejam indicadas as habilitações literárias do mesmo, incluindo a instituição de ensino onde as obteve. Desconhecendo eu o folheto em causa, calculo que as habilitações foram omitidas de modo a não provocar um certo constrangimento ao partido citado. Basta lembrarmo-nos do “escândalo” com o curso de Engenharia do nosso PM.

Relativamente às actividades paralelas que, muitas vezes, também são apresentadas, obviamente que faz mais sentido apresentar aquelas que são desenvolvidas no presente. É claro que, se o candidato não fizer nada actualmente, terá que dizer aquilo que fez no passado.

Posto isto, retire as suas conclusões. Mais importante que as biografias, são os projectos, as ideias, as propostas, e a sua consistência e credibilidade.

Um abraço,

António Pinheiro

Profissional de Marketing, Licenciado pelo ISCAP
Director Musical da Orquestra Ligeira “La Belle Époque” (Porto)
Director Musical do Grupo Coral Vozes de Esperança (Crestuma)
Músico da Banda Musical de Gondomar
Músico da Let’s Groove Big Band (Porto)
Músico e Membro Fundador da Banda Fórum – Filarmónica Portuguesa
Músico do grupo “Vasco Balio & os Luvas de Amianto”
Músico do grupo de música tradicional portuguesa “DouroEncanto” (Broalhos – Medas – Gondomar)
Membro da Assembleia de Freguesia de Crestuma

Aurora

Setembro 14th, 2009

Chegou a tua hora
O teu troféu.
A tua recompensa

Agora o Sol brilha para ti
E vives um dia azul
Longe das duras tormentas

A tua força venceu
Superaste o infinito
E tudo ficou para trás

Político procura-se

Setembro 14th, 2009

Li, algures, que devia ser exigida aos políticos uma habilitação mínima, para se poderem candidatar a qualquer cargo. Não posso estar mais de acordo!

Se, para qualquer emprego, temos que apresentar um curriculum, fazer prova de competências académicas e técnicas, demonstrar experiência e passar por um processo de selecção, porque é que as pessoas que nos governam, quer a nível local, quer a nível nacional, não têm que o fazer?

Para mim, no mínimo, qualquer candidato a uma Assembleia de Freguesia, Assembleia Municipal, e por aí fora, deveria ter o 12º ano (feito “normalmente”, sem ser pelas Novas Oportunidades); deveria passar por uma entrevista prévia de selecção, onde deveria demonstrar “skills” de performance política e só depois se poderia candidatar.

Muita gente ia ter dificuldades em formar listas, mas acho que teríamos um país bem melhor…

O Crime de Pensar

Setembro 11th, 2009

Não podes pensar
Nem podes ter ideias
Não podes mexer
Com o mel das colmeias

És inteligente
Mas não mostres que és
Eles querem que continues
A cair a seus pés

Ditam-te uma lei
Ditam-te uma razão
Com tenazes de fogo
Arrancam-te o coração

E se ousares pensar
Ousares perceber
Barreiras de chumbo
Contra ti vão erguer

Porque eles querem o mundo
Querem o teu corpo
Para manteres a liberdade
Terás que acabar morto

Foge na noite
Esconde-te de dia
Prepara-te para sofrer
Viver sem alegria

Impõem-te com força
A sua verdade
Suja e corrompida
Longe da realidade

Mas um dia a justiça
Vai deitá-los por terra
E serás o vencedor
De mais uma guerra

Inaugurações

Setembro 9th, 2009

Aviso prévio: O texto que se segue não tem qualquer tipo de alegoria ou mensagem subliminar.

Normalmente, a opinião pública manifesta-se contra a enxurrada de inaugurações nas vésperas das eleições. É verdade que, algumas delas, são actos de propaganda descarada. (NOTA: mas piores que os ditos actos de propaganda são algumas propostas eleitorais, carregadas de poesia e com um carácter tão genérico que tanto poderiam ser feitas aqui como no Burkina Faso… a frase “os jovens são o futuro” já me irrita).

Contudo, é um facto que as populações e, principalmente, os políticos da oposição, têm memória curta e uma tendência para esquecer aquilo que os (bons) políticos no poder fazem ao longo dos seus mandatos. Como já referi em crónicas anteriores, é frequente ouvirmos dizer: “Fulano não fez nada!”, quando, na verdade, fulano até fez… e muito.

Poderia estar a falar de Crestuma, ou de outra freguesia qualquer, de Gaia ou de outro concelho qualquer, de Portugal ou de outro país qualquer. É um lugar comum.

Por isso, acho muito bem que as inaugurações sejam guardadas para a altura das eleições. Para avivar algumas memórias…

António Pinheiro

Profissional de marketing, músico e corredor por prazer. Corre na estrada, no monte e de um lado para o outro na vida, atrás e à frente dos filhos.