António Pinheiro

Freelancer em Serviços de Marketing para Empresas e Instituições. Músico. contacto@antonio-pinheiro.net

Tonto (o outro)

Março 25th, 2012

“Meu tonto…”, dizia ela, praticamente sem saber o efeito arrebatador que essas palavras tinham nele…

De facto, sempre tinha sido um tonto, desastrado, a quem tudo acontecia.

Agora, como na música dos Xutos, sentia-se sempre um pouco tonto na presença dela. Bastava aparecer, olhar, sorrir e tudo parecia construído sobre areia. O seu mundo desabava e cada gesto parecia desprovido de sentido. Queria agradar-lhe em casa segundo, mas como agradar a alguém tão imenso? Como estar ao nível de alguém que mexia com ele daquela forma?

E era cada vez mais tonto.

Dava tudo, o que tinha e o que não tinha para que aquele sorriso que tanto amava, fosse eterno.

Queria captar dentro de si aquele olhar mágico, que só ele parecia saber compreender, mesmo toldado pela tontice.

Tropeçava em si próprio e caía. Mas então ela chegava, flutuando como um anjo e dizia: meu tonto…

…e tudo voltava a fazer sentido!

Feliz?

Fevereiro 5th, 2012

Feliz é pouco…
é um sentimento que não consigo descrever
é o coração aos saltos
é um sorriso constante
é uma alegria imensa, por tudo e por nada
é tremer só de a olhar nos olhos
é sentir-me dono do mundo quando a penetro
é um sabor delicioso nos lábios quando nos beijamos
é o toque mais suave, o da mão dela
é o riso dela com os meus disparates
é aquele momento em que descobrimos que estamos a pensar na mesma coisa
é dançarmos como se fossemos um só
é o abraço sorridente depois do orgasmo
são os gemidos, os gritos e as loucuras no sexo
e podia estar aqui
toda a eternidade
a descrever porque a amo tanto!

Odor

Janeiro 30th, 2012

Marcas a minha pele
Com o cheiro da tua
Matando à distância a saudade

Fecho os olhos e sonho
Com o que foi e com o que há-de ser
Através do amor que exalas em mim

Traz até mim as memórias
E a ansiedade de te ter de novo
Para de novo te sentir

Estranha magia a tua
De mesmo longe me tocares
De mesmo ausente me levares ao céu

A espera…

Janeiro 14th, 2012

Enquanto por ti espero
Enquanto olho o vazio
Enquanto me sinto vazio
Esfuma-se o meu coração
Na dor da tua ausência

Procuro-te nas sombras
Procuro-te no frio
Procuro-te na escuridão profunda
Que faz verter lágrimas do meu peito

Saudade

Janeiro 3rd, 2012

Basta um segundo
Um instante da tua ausência
Para me sentir perdido
Envolto em angústia

Viajo a uma montanha fria
Húmida
Escura
Uma noite eterna, densa
Que a demora da tua chegada
Faz sentir-me nu
Morrendo lentamente
Afogado nas minhas próprias e infinitas lágrimas

Basta um segundo
Um instante da tua ausência
Para recordar cada momento de felicidade
Que o teu sorriso transporta

Viajo no tempo
Para os teus braços que me amam
Que me conduzem para dentro de ti
Para a tua pele onde os meus sentidos viajam

Fecho os olhos e vejo a suprema felicidade
Que irradia dos teus olhos
No conforto do teu colo

Regresso para dentro de ti
Àquele castelo que construímos
No qual o mundo somos nós
As lágrimas são de prazer
E a única dor é a da despedida

Saudade é amar-te
É sentir-te não te tendo
Penetrar-te em pensamento…

Os teus braços

Dezembro 6th, 2011

Há um lugar
Mágico, tranquilo e profundo
Onde nele me sinto
Dono do Mundo

Onde acalmo
Adormeço e sorrio

Onde respouso a alma
E adoço o espírito

Um lugar onde ganho força
E vontade para a luta

Onde me encontro comigo
E o teu peito me escuta

É onde destruo fantasmas
Conquisto castelos

É onde a felicidade é pura
E sem medos

E em mim deitas os teus olhos
e a tua pele é lençol

E vôo sem asas
Só com a certeza que jamais cairei
Pois nos teus braços me aprisionei…

O meu sorriso

Novembro 26th, 2011

Entreguei-te o meu sorriso
Fiz dele a tua roupa
Para que o possas usar
Sempre
Quando acordas e adormeces
Quando ficas sozinha
E mesmo
Quando estas comigo
Porque é tão bom
Ver-me sorrir em ti

Entreguei-te o meu sorriso
Abdiquei dele só por ti
Para que sintas que em ti sorrio
Para que sintas que por ti sorrio
Para que saibas que para ti sorrio

Entreguei-te o meu sorriso
Porque ele a ti pertence
Porque ele nasce em ti
Peregrino do nosso Amor
Voa entre nós e em ti repousa

Entreguei-te o meu sorriso…

Cheiro de Outono

Novembro 8th, 2011

Abri a janela e um ar frio invadiu-me o peito, trazendo consigo a calma e a serenidade que o meu corpo pedia. A tarde caía e a noite era anunciada por uma luz ténue no horizonte.

Era um odor mesclado de tons: terra fria, fumo distante, folhas caídas…

Nas casas acendiam-se chamas de aconchego, partilhadas com o Mundo através de chaminés gastas pelo tempo.

Nas ruas começava o recolher, de almas impelidas pelo frio e pela necessidade de um regresso ao lar.

Sorri perante este cenário, que tanto poderia ser de um quadro, um livro, uma sinfonia mas que, naquele momento era meu.

Aspirei novamente o cheiro de Outono e, também eu, recolhi…